7 filmes sobre política brasileira para entrar no clima das eleições — De Lula a Gretchen
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Consulte formatos e valores disponíveisDe Lula a Gretchen: 7 filmes sobre política brasileira para entrar no clima das eleições Da ditadura militar ao impeachment de Dilma Rousseff, a seleção reúne documentários e clássicos que retratam disputas pelo poder, censura e os bastidores de campanhas presidenciais 'Entreatos': documentário de 2004 acompanha as duas últimas semanas da campanha de Lula ao segundo turno em 2002 (Netflix / Reprodução)
Publicado em 23 de outubro de 2026 às 05h00 .
Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + Às vésperas do segundo turno das eleições, marcado para domingo, 25, a publicação EXAME selecionou sete filmes sobre a história política do Brasil. A lista reúne obras sobre campanhas eleitorais, impeachment e autoritarismo, além de produções censuradas pela ditadura militar, como “Jardim de Guerra” e “Terra em Transe”.
Às vésperas do segundo turno das eleições, marcado para este domingo, 25, o cinema brasileiro oferece um jeito diferente de revisitar a história política do país.
De documentários sobre a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2002 e a candidatura de Gretchen à Prefeitura da Ilha de Itamaracá (PE), em 2008, a filmes censurados pela ditadura militar, a EXAME selecionou sete produções que retratam diferentes momentos da política brasileira e ajudam a entender os caminhos da democracia no país.
"Jardim de Guerra" é o primeiro longa de Neville D'Almeida e um dos casos mais intensos de censura na história do cinema brasileiro. O filme acompanha um jovem amargurado que se apaixona por uma cineasta e é injustamente acusado de terrorismo por uma organização política conservadora, que o prende, interroga e tortura.
Exibido pela primeira vez no Festival de Brasília de 1968, onde o protagonista Joel Barcellos ganhou o prêmio de melhor ator, o longa foi interditado logo em seguida pela Polícia Federal da ditadura e chegou a ter 48 cortes, o recorde do cinema nacional.
Com a edição do AI-5, o filme foi proibido de circular.
A versão original foi dada como perdida por anos, até ser encontrada na Europa. Ela havia sido enviada para a Quinzena dos Diretores do Festival de Cannes e hoje está guardada na Cinemateca do MAM, no Rio de Janeiro.
'Maranhão 66' (1966) Um curta de dez minutos encomendado pela equipe de José Sarney para documentar sua posse como governador do Maranhão, mas o diretor Glauber Rocha, ícone do Cinema Novo brasileiro, decidiu ir por uma rota menos ortodoxa.
O diretor aceitou o convite de Luiz Carlos Barreto porque precisava de dinheiro para realizar "Terra em Transe". Enquanto Sarney discursa solenemente sobre acabar com as mazelas do estado, a câmera de Rocha registra casas miseráveis, hospitais infectos e vítimas da fome e da tuberculose.
O próprio Sarney descreveu a experiência anos depois: "Ele não filmou a minha posse, ele filmou a miséria do Maranhão. Ele modificou a ciclagem para que a minha voz parecesse, dentro daquele documentário, como se fosse a voz de um fantasma diante daquelas coisas quase irreais."
'Terra em Transe' (1967) "Terra em Transe", também de Glauber Rocha, se passa em Eldorado, uma república fictícia da América Latina. Lançado em 1967, em plena ditadura militar, o filme é uma alegoria política do Brasil e um dos trabalhos mais explicitamente políticos do catálogo de Rocha.
A trama acompanha Paulo Martins, jornalista e poeta que se envolve nas disputas pelo poder entre diferentes grupos políticos. Por meio de uma narrativa fragmentada e alegórica, Glauber discute autoritarismo, populismo, poder e as contradições da política brasileira.
O longa é um dos principais nomes no cânone do Cinema Novo, conhecido por ser um dos mais mordazes exemplos da abordagem politicamente engajada de Rocha.
'Entreatos' (2004) João Moreira Salles acompanhou Luiz Inácio Lula da Silva durante as três semanas que antecederam o segundo turno das eleições de 2002.
O resultado é um dos retratos mais íntimos já feitos de um candidato à presidência no Brasil: Lula no barbeiro, lendo o jornal num voo para Porto Alegre, preocupado com a perda de liberdade caso fosse eleito, contando piadas, falando de futebol, e também tenso com o peso de um momento histórico.
O acordo do cineasta com o PT garantiu acesso a espaços que uma câmera raramente entra, como comitê de campanha, apartamento da família, estúdio de rádio e televisão. Figuras como José Dirceu, Duda Mendonça e Antonio Palocci aparecem como personagens coadjuvantes essenciais.
Com o petista novamente concorrendo em um segundo
'Gretchen Filme Estrada' (2010) Dirigido por Eliane Brum e Paschoal Samora, o documentário acompanha Gretchen durante sua campanha à prefeitura da Ilha de Itamaracá, em Pernambuco, em 2008.
A sinopse oficial, escrita pela própria Eliane Brum, mostra o espírito do projeto: "Há 30 anos Gretchen rebola por muitos Brasis. Rebolou por oito copas do mundo, por quatro papados, com e sem inflação, antes e depois do divórcio, pré e pós utopias. Rebolou na ditadura, na morte de Tancredo Neves, na queda de Collor, no governo de Lula. Em 2008, Gretchen decidiu parar de rebolar."
A rainha do rebolado concorreu pela coligação PPS-PV, em uma época onde candidatos-celebridade cômicos, como Tiririca, eram comuns. O filme narra simultaneamente sua última turnê e sua primeira campanha política.
'O Processo' (2018) Em cerca de 450 horas de material filmado, Maria Augusta Ramos acompanhou os bastidores do processo que culminou no impeachment da presidente Dilma Rousseff.
A diretora concentrou o olhar na defesa, formada por José Eduardo Cardozo, Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias. Ela afirmou que não foi por opção ideológica, mas por acesso "Não é que seja a perspectiva da defesa: eu acompanho muito mais os bastidores da defesa porque a defesa me deu esse acesso", explicou Ramos em entrevista à Deutsche Welle na época. "A oposição não me deu esse acesso. Se tivesse dado, eu certamente teria filmado mais."
Para representar o lado pró-impeachment, a diretora escolheu figuras como o senador Cássio Cunha Lima e a advogada Janaína Paschoal.
'Perguntas frequentes' Por que “Jardim de Guerra” foi censurado pela ditadura militar? + “Jardim de Guerra”, primeiro longa de Neville D’Almeida, retrata um jovem acusado de terrorismo, preso e torturado por uma organização política conservadora. Após a exibição no Festival de Brasília de 1968, o filme sofreu 48 cortes e teve sua circulação proibida com a edição do AI-5.
“Maranhão 66” contrapõe o discurso de posse de José Sarney como governador às imagens de pobreza, fome, tuberculose e hospitais precários no estado. O curta de Glauber Rocha havia sido encomendado para documentar a cerimônia.
“Terra em Transe” aborda autoritarismo, populismo, disputas pelo poder e contradições da política brasileira por meio da fictícia república latino-americana de Eldorado. Lançado em 1967, o filme de Glauber Rocha tornou-se uma das principais obras do Cinema Novo.
“Entreatos” acompanha Luiz Inácio Lula da Silva nas três semanas anteriores ao segundo turno das eleições presidenciais de 2002. João Moreira Salles registrou momentos pessoais e bastidores da campanha em locais como o comitê eleitoral, o apartamento da família e estúdios de rádio e televisão.
“Gretchen Filme Estrada” acompanha a candidatura de Gretchen à Prefeitura da Ilha de Itamaracá, em Pernambuco, em 2008, pela coligação PPS-PV. Dirigido por Eliane Brum e Paschoal Samora, o documentário também registra a última turnê da artista.
“O Processo” acompanha principalmente os bastidores da defesa de Dilma Rousseff durante o processo de impeachment, com José Eduardo Cardozo, Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias. Segundo a diretora Maria Augusta Ramos, essa perspectiva resultou do acesso concedido pela defesa, enquanto a oposição não permitiu o mesmo nível de acompanhamento.
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