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Atualização: Flávio Bolsonaro foge para os Estados Unidos, dizem aliados

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 27 de outubro de 2026 às 19:06
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Atualização: Flávio Bolsonaro foge para os Estados Unidos, dizem aliados
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foram comunicados de que ele está em voo com destino aos Estados Unidos. Pessoas próximas ao parlamentar, no entanto, não sabem informar de que forma ele deixou o território brasileiro. A informação circulou entre integrantes do entorno político do senador ao longo desta terça-feira, enquanto cresciam os indícios de que ele havia atravessado a fronteira.

Uma fonte nos Estados Unidos ligada à administração de Donald Trump e à família Bolsonaro declarou conforme apuração dos redatores da Empire Cidades ter conhecimento da partida do senador rumo ao país, mas não confirmou se ele já desembarcou nem se a rota passaria pela Argentina. Questionado oficialmente, o Departamento de Estado americano não se pronunciou.

No mesmo dia, a Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático de Flávio Bolsonaro. O senador havia sido intimado na véspera, por volta das 11h, a entregar os dois documentos em 24 horas, conforme determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Como o prazo venceu sem o cumprimento da ordem, a corporação vai oficiar o ministro comunicando o descumprimento da decisão judicial.

A saída do país foi revelada inicialmente pelo Infobae, site argentino de notícias. A publicação apontou que o candidato derrotado nas eleições presidenciais cruzou a fronteira em direção à Argentina e embarcaria em Puerto Iguazú, na província de Misiones. A decolagem estava marcada para as 2h desta terça-feira, a bordo de um Gulfstream G400. Segundo a reportagem, o senador usou o documento nacional de identidade para atravessar a fronteira.

A aeronave citada é um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, atribuído à empresa Baires Fly S.A. A companhia solicitou os trâmites de Aduana e Migrações para quatro passageiros e três tripulantes. O avião permanece parado em Puerto Iguazú.

Em vídeo divulgado nas redes sociais na segunda-feira, Flávio Bolsonaro afirmou que jamais considerou deixar o Brasil. “Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, declarou na gravação.

De acordo com o senador, a decisão de Moraes, que tramita sob sigilo, faz referência a uma declaração do irmão, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que teria sugerido que ele deixasse o país caso fosse derrotado na disputa presidencial.

Flávio Bolsonaro responde a dois inquéritos criminais no STF. Como senador, mantém foro especial até fevereiro. Caso tivesse vencido a eleição presidencial, o prazo se estenderia por mais quatro anos, ao longo de todo o mandato no Executivo federal.

O primeiro apura o pedido de dinheiro feito a Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. O montante seria destinado ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O senador e o ex-banqueiro são investigados por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Conforme revelado pelo The Intercept Brasil, Flávio negociou o repasse de pelo menos US$ 24 milhões para a produção da obra, valor transferido a um fundo nos Estados Unidos vinculado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O parlamentar nega irregularidades e sustenta que a cinebiografia teve apenas recursos privados obtidos legalmente.

O segundo inquérito investiga a relação do senador com o amigo Willer Tomaz. O advogado teve o celular apreendido em uma apuração sobre fraudes no INSS, e a perícia do aparelho identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas. Foi nesse procedimento que Moraes determinou a entrega dos passaportes.

Como mostrou o UOL, e-mails obtidos pela Polícia Federal indicam que Willer Tomaz compartilhava uma conta no banco Santander com Flávio Bolsonaro. Em uma das mensagens, o senador aparece identificado como “usuário master”, credencial que, na prática, autoriza mais de uma pessoa ou empresa a administrar a conta e a movimentar valores de forma conjunta. Em nota oficial, ambos negaram ter dividido a conta.

Willer Tomaz detém a maior parte das ações da companhia portuguesa Cathedral Holdings, única acionista da Rede Loto, empresa que controla a casa de apostas BestBet. Reportagem da revista Piauí revelou que Flávio Bolsonaro atuou como sócio oculto da bet.

Pedidos foram protocolados no STF e na PGR no domingo e nesta segunda-feira, com base no risco de saída do país; até o momento, não há decisão judicial sobre o caso

Parlamentares da base governista e um vereador de São Paulo passaram a apresentar, entre o domingo (25) e esta segunda-feira (26), uma série de pedidos para que a Justiça apreenda os passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na eleição presidencial. As solicitações foram distribuídas entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e nenhuma delas havia sido apreciada até a tarde de hoje.

A ofensiva começou ainda no domingo, quando a deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) anunciou em vídeo nas redes sociais ter protocolado, com seus advogados, uma representação à PGR pedindo tutela cautelar de urgência. O documento pede a proibição de o senador deixar o território nacional e a entrega dos documentos de viagem às autoridades. “O Flávio pode querer fugir do país e eu não vou deixar”, declarou a deputada, que também defendeu a prisão do senador.

Nesta segunda-feira, o deputado Otoni de Paula (PSD-RJ) confirmou a apresentação de uma representação à PGR com o mesmo objetivo. Elaborado com seus advogados, o pedido inclui a proibição de saída do país e a entrega do passaporte, além de diligências especiais. “O Flávio pode querer fugir do país e eu não vou deixar”, afirmou o parlamentar ao anunciar a iniciativa. Segundo apuração da Gazeta do Povo, a PGR não descarta acolher o pedido e já haveria uma sinalização favorável, ainda não oficial, para que a Polícia Federal cumpra a medida.

Já o deputado Rogério Correia (PT-MG) informou que vai recorrer diretamente ao STF para tentar impedir uma eventual saída do senador do Brasil. “Denunciei a campanha inteira, as falcatruas e a corrupção de Flávio Bolsonaro e da família dele. Foram roubos e roubos e isso não acaba. Vamos reter porque ele vai tentar fugir”, disse.

A lista de pedidos inclui ainda uma articulação mais ampla no Supremo. A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) encaminhou três solicitações a ministros diferentes da Corte, todas pedindo medidas cautelares pessoais contra o senador, entre elas a proibição de deixar o país e a apreensão dos passaportes diplomático e comum.

O primeiro ofício foi dirigido ao ministro Flávio Dino, relator do processo que trata do uso de emendas parlamentares. Nele, a deputada cita as investigações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, negócio de cerca de R$ 134 milhões que teria destinado parte dos recursos a um fundo nos Estados Unidos suspeito de beneficiar Eduardo Bolsonaro, irmão do senador.

O segundo pedido foi enviado ao ministro André Mendonça e trata das apurações sobre supostos vínculos econômicos entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, amigo do senador. O documento menciona despesas com viagens internacionais e outras operações que ainda precisam ser esclarecidas, sustentando que a urgência da medida se justifica para impedir que o parlamentar se subtraia ao cumprimento da Justiça.

O terceiro ofício foi endereçado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, e aborda as investigações sobre negociações financeiras entre o senador e Daniel Vorcaro para o financiamento do filme. A deputada pede que seja avaliada a conexão entre essas operações e outras apurações em curso na Corte.

Também nesta segunda-feira, o vereador de Cotia (SP) Alexandre Frota (PDT) protocolou petição no STF pedindo medida cautelar para reter o passaporte do senador. O documento foi endereçado a Fachin e tem como base o artigo 319, inciso V, do Código de Processo Penal, que autoriza a proibição de ausentar-se do país quando a medida for necessária à investigação ou para assegurar a aplicação da lei penal. Frota afirma atuar na condição de cidadão e de vereador.

“Nesse contexto, a retenção do passaporte é plenamente razoável e proporcional para evitar o risco concreto de fuga, garantindo a efetividade do processo e o cumprimento de futura sanção ou determinação judicial”, diz trecho da petição.

Flávio Bolsonaro é alvo de três inquéritos no STF. O primeiro apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no financiamento do filme sobre a trajetória política do pai, com supostos repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. O segundo investiga lavagem de dinheiro em operações que envolvem o advogado Willer Tomaz, empresas financeiras e plataformas de apostas, além de movimentações bancárias consideradas atípicas. O terceiro apura uma possível calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, publicada pelo senador nas redes sociais.

O pano de fundo dos pedidos é o fim do mandato. Com a derrota nas urnas, Flávio Bolsonaro ficará sem cargo eletivo pela primeira vez em 24 anos e perderá a imunidade parlamentar no início de 2027, quando se encerra seu período no Senado. A movimentação ocorre também após declarações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), cassado no ano passado, que defendeu publicamente a saída do irmão do Brasil caso Lula vencesse a eleição. Eduardo vive nos Estados Unidos desde março de 2025, situação que ele próprio classificou como “autoexílio”, e obteve do governo americano o Green Card, documento que permite residência por tempo indeterminado.

Até o momento, não há decisão judicial que determine a apreensão do passaporte ou a proibição de viagens do senador, e não foram apresentadas provas de que ele tenha planos de deixar o país. O protocolo dos pedidos, por si só, não restringe a liberdade de locomoção nem recolhe o documento. Cabe agora aos ministros do STF e à PGR examinar se as solicitações reúnem os requisitos legais para serem analisadas e se há fundamento para a adoção das medidas cautelares.

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