Flávio Bolsonaro é alvo de apurações no STF: entenda relação com viagem aos EUA
(Foto: Carlos Moura/Agência Senado) Senador é investigado por financiamento do filme “Dark Horse” e por ligação com advogado acusado de lavar dinheiro com bets

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Consulte formatos e valores disponíveisO senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado no segundo turno da eleição presidencial, é alvo de duas investigações no Supremo Tribunal Federal (STF). Os inquéritos apuram possíveis crimes relacionados a plataformas de apostas e ao financiamento do filme “Dark Horse”, e teriam influenciado na decisão de Flávio de deixar o Brasil com a família, nesta terça-feira (27).
O ex-candidato a presidente planeja pedir asilo político ao governo Donald Trump assim que desembarcar nos EUA, segundo apuração do portal Metrópoles. Até o momento, porém, não há registro formal da saída de Flávio do Brasil e tampouco de um pedido de asilo.
A saída de Flávio Bolsonaro do país ocorreu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF) e proibiu viagens internacionais.
O senador não cumpriu o prazo estabelecido, e a PF informou o cancelamento dos documentos brasileiros. Entenda abaixo as investigações que pesam contra o ex-presidenciável:
Uma das investigações contra Flávio Bolsonaro apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o advogado e empresário Willer Tomaz, amigo pessoal do senador, e movimentações financeiras relacionadas a plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets.
A apuração chegou ao STF após a análise de materiais apreendidos no celular de Tomaz pela PF. Os investigadores identificaram movimentações financeiras consideradas atípicas, além de referências ao senador e a uma empresa chamada Alcazar Holding, sediada no exterior.
Relatório da PF aponta que uma conta bancária ligada a Tomaz movimentou aproximadamente R$ 130 milhões entre março e maio de 2025. A Polícia Federal investiga se operações envolvendo empresas e plataformas de apostas teriam sido utilizadas para ocultar a origem de recursos ilícitos.
A investigação também examina a possível relação econômica entre Flávio e Tomaz. A existência de movimentações suspeitas, entretanto, não comprova, por si só, a prática de crimes pelo senador. O que intriga os investigadores é a referência feita ao senador como sendo um “usuário master” da conta, ou seja, que tinha autorização para fazer movimentações a qualquer momento.
O caso tramita no STF em razão do foro por prerrogativa de função de Flávio, que exerce mandato parlamentar. A investigação corre sob sigilo.
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O segundo inquérito no Supremo contra o senador investiga suspeitas de irregularidades no financiamento de “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro, pai de Flávio.
A apuração examina repasses de pelo menos R$ 70 milhões atribuídos ao Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, para financiar o projeto. Os investigadores apuram a origem e a destinação dos recursos e se parte do dinheiro poderia ter sido utilizada para despesas políticas ou para sustentar o irmão Eduardo Bolsonaro nos EUA.
O caso está inserido no conjunto de investigações relacionadas ao Master e aos negócios de Vorcaro, que está preso desde março de 2026 acusado de crimes financeiros e ameaça. A apuração sobre o filme também envolve suspeitas de que empresas intermediárias teriam sido utilizadas para movimentar os recursos.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades e sustenta que o financiamento da produção foi realizado com recursos privados. Até o momento, as suspeitas investigadas não equivalem a uma condenação criminal. O caso é relatado no STF pelo ministro André Mendonça.
A decisão de Alexandre de Moraes para recolher os passaportes de Flávio Bolsonaro foi tomada no âmbito da investigação envolvendo Willer Tomaz.
No último sábado (24), véspera da eleição, o ministro do STF determinou o bloqueio de R$ 6 bilhões em bens do advogado. A ordem foi expedida após o relator ser informado pela PF de que Tomaz está nos Estados Unidos, sem previsão de retorno. O ministro também havia determinado que Flávio não mantivesse contato com o advogado.
Na última segunda-feira (26), o senador criticou a apreensão dos passaportes, mas afirmou que cumpriria a determinação judicial. No entanto, o prazo de 24 horas transcorreu sem a entrega dos documentos.
A hipótese de fuga ganhou força porque a viagem teria ocorrido após a ordem expressa para que o senador permanecesse no Brasil. Ainda assim, a caracterização jurídica de uma eventual fuga, assim como as consequências do descumprimento da decisão, depende da apuração dos fatos e da avaliação das autoridades competentes.
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