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arranjos produtivos da Paraíba que servem de inspiração — Costura, Mandioca e Algodão Verde

(Imagem: TV Paraíba) Uma cidade com pouco mais de 2 mil habitantes produz mais de 40 mil peças de roupa por semana.

Por Redatores da Empire Cidades 20 de outubro de 2026 às 14:12
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arranjos produtivos da Paraíba que servem de inspiração — Costura, Mandioca e Algodão Verde
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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A confocção de roupas é atividade econômica de destaque em São Domingos do Cariri. (Imagem: TV Paraíba) Uma cidade com pouco mais de 2 mil habitantes produz mais de 40 mil peças de roupa por semana. Outra faturou R$ 210 milhões em um ano com a produção da mandioca e tem o beiju considerado "o melhor do mundo". Uma terceira colhe um algodão que já nasce verde com tecnologia da Embrapa e segue direto para a Europa.

Não, não são histórias de lugares diferentes do país. São três municípios paraibanos: São Domingos do Cariri, Puxinanã e Itatuba, respectivamente, separados por poucas dezenas de quilômetros e unidos por um mesmo fenômeno econômico: o arranjo produtivo local, ou APL, o nome técnico dado a quando uma comunidade inteira se especializa em produzir algo, recebe apoio público e/ou institucional, gera renda e emprego em volta daquilo e passa o conhecimento de geração em geração.

A produção de mandioca rendeu R$ 210 milhões na região de Puxinanã, em 2025.. (Imagem: TV Paraíba) O que tem por trás do sucesso Em São Domingos do Cariri, a costura é tradição antiga e ganhou festa própria em 1980. Um dos negócios de destaque na cidade é o de Dona Inácia, que produz, com a família, cerca de 1.500 vestidos por semana. "A gente batalhou e estamos vencendo. As minhas irmãs, minha filhas, nunca dependeram de marido pra sustentar os filhos. Eu tenho um orgulho disso aí imenso", diz a costureira, Outro produtor, João Tavares Dantas, que começou aos 11 anos, comanda 40 profissionais e vende para o país inteiro. O salto veio do comércio pela internet, que levou a produção local para o Rio Grande do Sul, o Maranhão, Brasília, Rio de Janeiro e Goiás.

Puxinanã realizou a 12ª Festa da Mandioca, com apoio de instituições, como o Sebrae, Senai, Banco do Nordeste e Governo da Paraíba, que ajudam os produtores a acessar crédito e vender para o poder público. Seu Paulo Barbosa, de 80 anos, ainda trabalha no plantio da mandioca, cultivada em três hectares. "Foi com esta cultura tão importante que eu criei meus dez filhos", afirma orgulhoso. A cidade de orgulha, inclusive de uma iguaria regional e afirma ter "o melhor beiju do mundo".

Em Itatuba, o algodão colorido verde, variedade desenvolvida pela Embrapa e plantado sem agrotóxicos, já beneficia mais de 70 famílias, com um detalhe raro: o agricultor assina contrato antes de plantar e sabe exatamente por quanto vai vender. Segundo Paulo Emílio, gerente regional da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer), a expectativa é produzir cerca de 30 toneladas de algodão colorido agroecológico nos cinco municípios atendidos pela iniciativa.

O padrão dos APLs não é coincidência. Tem sempre especialização territorial em algum item ou produtos de um gênero. Reúne uma rede de pequenos produtores e conta com instituições de apoio (Sebrae, Embrapa, Empaer, bancos), que potencializam e profissionalizam um maior e melhor acesso ao mercado. Em escala nacional, esse modelo não é nicho: são 677 arranjos espalhados por 2.175 municípios, quase metade de todos os municípios brasileiros. Esse tipo de mercado local é responsável por mais de 3 milhões de empregos diretos, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Falta formalização. Muitos polos operam como APL "de fato", mas sem cadastro, sem um CNPJ. E sem isso não acessam linhas coletivas do BNDES nem programas estaduais. Falta comprar local. O instrumento mais barato é o mais negligenciado: as prefeituras comprando do próprio arranjo via Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Cada real gasto em compra pública local circula três vezes na própria cidade, segundo especialistas. Falta replicar o modelo do algodão nos arranjos em que a contratualização possa ser semelhante. Contrato antecipado mais assistência técnica e comprador garantido.

Também falta infraestrutura para o digital. O e-commerce multiplicou o alcance de São Domingos do Cariri sem construir uma fábrica nova. O gargalo agora não é demanda: é logística e capital de giro para as pequenas costureiras darem conta do próprio sucesso.

Os três arranjos mostram que o interior da Paraíba não depende de obra grande para gerar riqueza. Depende de reconhecer, formalizar e financiar o que já existe. Dos exemplos citados acima à produção leiteira, caprinovinocultura, agricultura familiar, artesanato, pequenas indústrias, comércio e outras áreas. O que falta não é talento nem tradição. E muito menos mercado, esteja ele no PAA administrado pela prefeitura da própria cidade ou em clientes de uma região distante do país. É necessário criar uma cultura do desenvolvimento regional, começando por microrregiões e sua vocações. E isso passa por um olhar dos entes federais, estadual e municipais, além do fomento de crédito e qualificação, através de instituições parceiras reconhecidas. Um caminho que não é fácil e nem rápido. Mas que, uma vez tomado, pode ser a solução para áreas remotas onde o desenvolvimento ainda teima em chegar.

#João Pessoa#Internacional#Cidades
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