Panorama: Iniciativa privada é a única opção para Angra 3, diz setor nuclear
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Consulte formatos e valores disponíveis> copiar link --> "O governo demorou demais a tomar essa decisão. Mas a gente acredita que agora vai avançar”, diz Celso Cunha Divulgação/Abdan Leo Garfinkel de Brasília 27.out.2026 (terça-feira) - 6h00 Priorize o Poder no Google A entrada da iniciativa privada nas obras da Usina Termonuclear Angra 3 é a única opção viável para a conclusão do empreendimento, afirma Celso Cunha, presidente da Abdan (Associação Brasileira para o Desenvolvimento De Atividades Nucleares).
Com as obras paralisadas desde 2015, a usina localizada em Angra dos Reis (RJ) custa R$ 1 bilhão por ano à União e é um dos principais impasses a serem resolvidos pelo Ministério de Minas e Energia às vésperas do início do 4º mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em entrevista ao Poder360, Cunha defende que a entrada da Âmbar Energia, braço do grupo J&F, dos irmãos Batista, será determinante para a resolução do impasse, que aguarda atualmente uma decisão do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) sobre a retomada ou conclusão das obras.
Em outubro de 2025, a Âmbar adquiriu por R$ 535 milhões a totalidade da participação da Eletrobras na Eletronuclear, estatal responsável pela operação de Angra 1, 2 e 3. O negócio marcou a entrada da J&F no setor de geração nuclear.
A União, no entanto, segue como controladora da Eletronuclear por meio da ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional), criada para manter o controle governamental em áreas estratégicas após a privatização da Eletrobras.
A competência para decidir sobre a retomada ou não das obras é do CNPE, que recebeu do TCU (Tribunal de Contas da União), em 21 de outubro, um prazo de 240 dias para tomar uma posição final sobre o empreendimento. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), pretende apresentar uma solução para o impasse ainda em 2026.
Na avaliação de Cunha, o atraso do governo em tomar uma posição sobre o empreendimento é uma decisão política, e não econômica, e prolonga uma discussão que dura décadas e que poderia já ter sido superada no setor.
“O governo não quer colocar a participação dele e hoje ele é o majoritário. Mas agora, com a chegada do grupo J&F, isso vai ser resolvido. É um grupo muito forte. Ninguém vai comprar a participação num empreendimento que ele não tem intenção de acabar. O governo demorou demais a tomar essa decisão. Mas a gente acredita que agora vai avançar”, disse Cunha durante o Poder Entrevista.
A construção de Angra 3 começou na década de 1980 e passou por sucessivas interrupções, atrasos e alterações de cronograma e financiamento. As obras foram paralisadas pela última vez em 2015, durante os desdobramentos da Lava Jato, quando o projeto tinha atingido cerca de 65% de execução. Atualmente, não há um cronograma definido para a retomada ou a conclusão.
Dados mais recentes do governo indicam que aproximadamente R$ 12 bilhões já foram investidos e que 66% do empreendimento estão concluídos. Um estudo atualizado do BNDES estima em R$ 23,9 bilhões o custo para finalizar a usina. O abandono custaria de R$ 22 bilhões a R$ 25,9 bilhões, considerando dívidas, rescisões contratuais, desmobilização do canteiro de obras e perda dos recursos já aplicados.
Enquanto não há decisão, a Eletronuclear desembolsa cerca de R$ 1 bilhão por ano para manter o projeto parado. Desse total, aproximadamente R$ 800 milhões são destinados ao pagamento de dívidas com o BNDES e com a Caixa Econômica Federal, e R$ 200 milhões à conservação dos equipamentos e das estruturas.
Em julho de 2026, o CNPE reconheceu como interesse público o pedido da Eletronuclear para negociar a suspensão temporária das dívidas com os 2 bancos estatais. A resolução, porém, não suspendeu automaticamente os pagamentos nem alterou os contratos de financiamento. A definição sobre concluir ou abandonar Angra 3 continua pendente.
Segundo o relatório elaborado pela área técnica do TCU, a indefinição sobre Angra 3 consumiu aproximadamente R$ 2,5 bilhões da Eletronuclear entre 2024 e meados de 2026. A estatal encerrou 2025 com prejuízo líquido de R$ 142 milhões e dívida líquida ajustada superior a R$ 7,25 bilhões.
A situação também afeta a INB (Indústrias Nucleares do Brasil), responsável pelo fornecimento de combustível nuclear para Angra 1 e 2. A empresa registrou prejuízo de R$ 156 milhões em 2025, em parte devido aos atrasos nos pagamentos da Eletronuclear. Como mais de 99% das receitas da INB dependem da estatal, a Corte identificou riscos para a continuidade do fornecimento de combustível nuclear.
Os prejuízos também se refletem na ENBPar, controladora das 2 empresas. O lucro líquido da holding caiu de R$ 414 milhões em 2023 para R$ 186 milhões em 2025. Segundo o TCU, a participação em Itaipu Binacional foi fundamental para manter os resultados positivos. A empresa controla a participação brasileira da usina hidrelétrica.
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