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Consulte formatos e valores disponíveisO que o formato da cabeça pode revelar sobre o risco de Alzheimer? Pesquisa investiga se diferenças anatômicas podem ajudar a explicar por que determinadas regiões do cérebro são mais vulneráveis à doença Alzheimer: pesquisa encontrou associação entre a proximidade de estruturas cerebrais e o desenvolvimento de demência ao longo de três anos (Getty Images)
Priorizar nos meus resultados Google Tudo sobre Acompanhe tudo sobre Mal de Alzheimer Saiba mais A anatomia do cérebro pode estar relacionada à progressão do Alzheimer, segundo um estudo preliminar realizado por pesquisadores dos Estados Unidos. A investigação sugere que a distância entre determinadas estruturas cerebrais pode influenciar a associação entre o acúmulo de uma proteína e o desenvolvimento de demência.
Publicada na revista científica Alzheimer’s & Dementia em 5 de outubro, a pesquisa analisou exames de 47 pessoas com comprometimento cognitivo leve e identificou uma relação entre a proximidade de duas estruturas do cérebro e a evolução da doença ao longo de três anos.
O Alzheimer está associado ao acúmulo anormal de proteínas no cérebro, incluindo a tau, que forma emaranhados dentro das células nervosas. Uma das primeiras regiões afetadas costuma ser o córtex entorrinal, estrutura envolvida em processos relacionados à memória.
Os pesquisadores investigaram se a posição dessa região em relação a uma abertura na membrana que envolve o cérebro, chamada incisura tentorial, poderia estar associada à progressão da doença. A hipótese é que a proximidade entre o tecido cerebral e estruturas mais rígidas possa criar pontos de pressão ao longo da vida.
Essas forças mecânicas poderiam contribuir para alterações celulares relacionadas à neurodegeneração, embora essa possibilidade ainda não tenha sido demonstrada.
A investigação foi conduzida pelo neuropatologista John Crary, da Escola de Medicina Icahn do Mount Sinai, em Nova York, e pelo engenheiro biomédico Frank Provenzano, da Universidade Columbia. A equipe analisou exames de 47 pessoas com comprometimento cognitivo leve e presença de acúmulos da proteína tau em uma região vulnerável do cérebro.
Os cientistas mediram a distância entre o córtex entorrinal e a borda da incisura tentorial para verificar possíveis associações com a evolução clínica dos participantes.
Os resultados mostraram que o acúmulo de tau nessa região esteve associado ao desenvolvimento de demência nos três anos seguintes apenas entre os pacientes que apresentavam menor distância entre as estruturas.
Por outro lado, essa medida anatômica não permitiu prever a quantidade de proteína tau acumulada tampouco identificar, isoladamente, quem desenvolveria Alzheimer. Os pesquisadores consideram os resultados iniciais e defendem a realização de novos estudos com amostras maiores.
A hipótese investigada surgiu a partir de observações sobre os efeitos de forças mecânicas no tecido cerebral. Crary já havia estudado a encefalopatia traumática crônica (ETC), doença neurodegenerativa associada a traumatismos repetidos na cabeça e ao acúmulo anormal da proteína tau.
A partir dessas pesquisas, o neuropatologista passou a investigar se pressões menores, acumuladas durante atividades cotidianas, poderiam produzir alterações em regiões vulneráveis do cérebro.
Crary explicou que a abertura da incisura tentorial apresenta variações de tamanho e formato entre as pessoas, o que motivou a investigação de sua possível relação com o risco da doença.
A proposta também considera a possibilidade de que os efeitos da gravidade, ao longo dos anos, contribuam para mudanças na distribuição de forças sobre o tecido cerebral. Entretanto, não há evidências suficientes para afirmar que essas pressões provoquem Alzheimer.
Pesquisadores que não participaram do estudo consideram a hipótese relevante para novas investigações, mas destacam suas limitações. Segundo o The New York Times, o neurologista Gil Rabinovici, da Universidade da Califórnia em São Francisco, afirmou que a proposta apresenta uma abordagem diferente das explicações tradicionais sobre a neurodegeneração, embora ainda precise de evidências mais consistentes.
Já o neurocientista David Attwell, da University College London, destacou que outros fatores podem estar relacionados à distância entre as estruturas cerebrais e também influenciar os resultados observados.
Outra linha de pesquisa, conduzida pelo neurobiólogo Michael Yassa, da Universidade da Califórnia em Irvine, investigou mudanças no formato do cérebro ao longo da vida. O trabalho identificou alterações associadas aos efeitos da gravidade, algumas mais pronunciadas em idosos com dificuldades de memória e funcionamento cognitivo.
Essas observações, porém, não demonstram que mudanças anatômicas sejam responsáveis pelo desenvolvimento do Alzheimer. Para os autores do novo estudo, compreender a relação entre estruturas físicas do cérebro e processos neurodegenerativos pode abrir caminhos para investigar por que determinadas regiões são afetadas antes de outras.
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