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Região: Área de soja com sementes sem certificação triplica e chega a 9,6 milhões de hectares

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 27 de outubro de 2026 às 09:50
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Região: Área de soja com sementes sem certificação triplica e chega a 9,6 milhões de hectares
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Área de soja com sementes sem certificação triplica e chega a 9,6 milhões de hectares Levantamento da CropLife Brasil mostra avanço de 210% em quatro safras e uma mudança no mercado de sementes Plantação de soja: na safra 2025/26, as sementes não certificadas ocuparam 19,8% dos 48,6 milhões de hectares cultivados com a oleaginosa no país. Quatro safras antes, essa participação era de 7,4%. (Freepik)

Priorizar nos meus resultados Google A área de soja cultivada com sementes não certificadas mais que triplicou no Brasil em quatro safras, passando de 3,1 milhões de hectares em 2021/22 para 9,6 milhões de hectares em 2025/26. O salto de 210% fez com que essas sementes ganhassem espaço nas lavouras brasileiras em ritmo superior ao da expansão da própria cultura.

Na safra 2025/26, as sementes não certificadas ocuparam 19,8% dos 48,6 milhões de hectares cultivados com a oleaginosa no país. Quatro safras antes, essa participação era de 7,4%, segundo dados do 4º boletim do CropData, plataforma de informações da CropLife Brasil, divulgados nesta terça-feira, 27.

O levantamento mostra que, na prática, quase um em cada cinco hectares de soja no Brasil já é cultivado com sementes não certificadas.

O levantamento reúne nessa categoria tanto as sementes reservadas pelos agricultores para uso próprio, conhecidas como sementes salvas, quanto aquelas comercializadas ilegalmente.

A primeira modalidade não é necessariamente irregular, desde que respeitadas as exigências legais aplicáveis. Já a segunda envolve a venda de sementes em desacordo com as regras do setor.

Por lei, toda semente utilizada pelo agricultor deve ser registrada no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O produtor pode reservar, a cada safra, 10% das sementes para uso próprio, desde que a quantidade seja proporcional à área a ser plantada. Elas são conhecidas como “sementes salvas”.

A CropLife Brasil não detalha, porém, quanto da área corresponde a cada modalidade. Por isso, os números não permitem afirmar que o comércio ilegal tenha crescido na mesma proporção.

O crescimento ganhou força nas últimas duas safras. Depois de recuar para 2,2 milhões de hectares em 2022/23, a área com sementes não certificadas avançou para 3,7 milhões em 2023/24 e praticamente dobrou na temporada seguinte, quando chegou a 6,7 milhões de hectares.

Já a tecnologia só de tolerância a herbicidas, que somava 4,3 milhões de hectares em 2021/22, caiu para 1 milhão em 2025/26. Dentro da área certificada, a biotecnologia está em praticamente 100% das lavouras. O cultivo convencional, sem transgênicos, é residual.

Na safra 2025/26, houve um novo salto, de 2,9 milhões de hectares, ou cerca de 43%, elevando a área para 9,6 milhões de hectares.

A trajetória contrasta com o ritmo de expansão da soja no país. Entre 2021/22 e 2025/26, a área total plantada passou de 41,8 milhões para 48,6 milhões de hectares, um crescimento de aproximadamente 16%.

Enquanto a área total da cultura avançou 6,8 milhões de hectares, a parcela cultivada com sementes não certificadas aumentou 6,5 milhões de hectares.

O movimento também aparece na distribuição das tecnologias utilizadas nas lavouras. A área de soja cultivada com sementes certificadas que combinam resistência a insetos e tolerância a herbicidas atingiu 40,6 milhões de hectares em 2023/24, mas recuou para 39,6 milhões na safra seguinte e 38 milhões em 2025/26.

Segundo a CropLife Brasil, a redução está relacionada ao avanço das áreas não certificadas.

"Esse movimento ocorreu, pois na cultura da soja têm-se observado o crescimento da área não certificada, que inclui semente salva para uso próprio e semente comercializada ilegalmente", afirma o boletim.

Apesar do recuo recente, as variedades que combinam resistência a insetos e tolerância a herbicidas continuam predominantes, respondendo por 78% de toda a área brasileira de soja.

A primeira característica permite que a planta produza proteínas capazes de controlar determinadas pragas, especialmente lagartas. A segunda facilita o manejo de plantas daninhas, ao permitir a aplicação de herbicidas específicos sem comprometer a cultura.

O avanço das sementes não certificadas, no entanto, não significa necessariamente uma redução do uso de transgênicos. Isso porque o levantamento monitora as tecnologias presentes nas sementes certificadas, mas não dispõe do mesmo detalhamento para as áreas não certificadas.

"O monitoramento do uso das biotecnologias nas lavouras de soja se restringe às áreas de sementes certificadas e não apresenta o mesmo detalhamento para as áreas não certificadas", informa o relatório.

Assim, não é possível identificar, a partir dos dados apresentados, quais tecnologias estão sendo utilizadas nos 9,6 milhões de hectares cultivados com sementes não certificadas.

A mudança no mercado de sementes ocorre em meio à expansão da produção agrícola brasileira nas últimas décadas.

Desde a safra 1998/99, quando o plantio de sementes transgênicas começou a ser autorizado no Brasil, a área conjunta de soja e algodão passou de 13,7 milhões para 50,6 milhões de hectares em 2025/26.

No mesmo intervalo, a produção das duas culturas saltou de 31,3 milhões para 184,6 milhões de toneladas, considerando soja em grão e algodão em pluma.

De acordo com a CropLife Brasil, a área plantada avançou, em média, 5% ao ano, enquanto a produção cresceu 6,8% anualmente.

O desempenho indica que o aumento da produção não dependeu apenas da incorporação de novas áreas, mas também de ganhos de produtividade ao longo do período.

Em estudo realizado com a Agroconsult e publicado em 2023, a CropLife Brasil estimou que a adoção de biotecnologia evitou a necessidade de expansão de 21,4 milhões de hectares de área agrícola ao longo de 25 anos, considerando todas as culturas analisadas.

O levantamento também apontou uma redução acumulada na dosagem de defensivos de 35% na soja e 27,5% no algodão.

Para o produtor, os benefícios foram observados nos custos de produção e na rentabilidade. Na soja, a margem por hectare com biotecnologia foi até 7% superior à registrada em variedades convencionais, enquanto a economia com defensivos variou de R$ 22 a R$ 262 por hectare.

Para a safra 2026/27, o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta um acréscimo de 700 mil hectares na área brasileira de soja.

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