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o que a eleição fez com os seus investimentos em outubro — Do rali à ressaca

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 30 de outubro de 2026 às 14:00
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o que a eleição fez com os seus investimentos em outubro — Do rali à ressaca
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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O mês das eleições apagou a maior parte do ganho acumulado pela Bolsa brasileira em 2026 e devolveu à renda fixa a liderança entre os investimentos mais presentes na carteira do brasileiro. Levantamento exclusivo da Elos Ayta para o InfoMoney mostra que o Ibovespa, que chegou a acumular alta de 28,4% no ano logo após o primeiro turno, sobe apenas 5% em 2026 até quinta-feira (29), menos da metade dos 11,63% rendidos pelo CDI no mesmo período.

Só em outubro, o principal índice da B3 recua 9,21%, e as small caps, que haviam disparado logo após o primeiro turno, despencam 16,67%, o pior desempenho entre os ativos analisados. Na outra ponta, os ganhos ficaram com as aplicações defensivas e com quem tinha parte do patrimônio no exterior, já que o dólar Ptax subiu 3,73%, o índice de BDRs avançou 1,48% e o CDI rendeu 1,02% no mês.

Os números mostram um mês dividido em três tempos. Na virada do primeiro turno, entre a sexta-feira, 2 de outubro, e a segunda-feira seguinte, o Ibovespa saltou 7,7%, o índice de small caps avançou 9,2%, e o dólar Ptax recuou 4,4%, para R$ 4,99. Naquele momento, a avaliação predominante entre agentes do mercado ouvidos pelo InfoMoney era de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegava ao segundo turno como favorito, mas de que uma eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocaria um ajuste mais intenso do que a alta já registrada.

A assimetria se confirmou. Da segunda-feira após o primeiro turno até o dia 26, primeiro pregão depois da reeleição de Lula, o Ibovespa perdeu 14,7%, as small caps caíram 20,7%, e o dólar Ptax subiu 10,2%, para R$ 5,50, com intensidade cerca de duas vezes maior que a do movimento anterior.

Com isso, o Ibovespa já fechou aquela segunda-feira 8% abaixo do nível da sexta anterior ao primeiro turno, e a queda se aprofundou nos dias seguintes. Depois de 26 de outubro, o índice recuou mais 4,2%, para 169.186 pontos, enquanto o dólar devolveu parte da alta, com a Ptax de quinta-feira em R$ 5,37.

Para Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, o rumo da Bolsa depende de o governo endereçar a questão fiscal. Se o tema for encaminhado, as ações podem se mostrar baratas mais à frente, mas, se o gasto seguir crescendo, o quadro se inverte. “A gente provavelmente vai ver pioras adicionais e, mesmo com essa queda, a Bolsa pode estar eventualmente cara”, diz.

João Peixoto avalia que juros altos, descontrole fiscal e crise externa elevam o risco de estagflação, e o investidor de crédito deve priorizar papéis de primeira linha e diversificar

A renda variável concentrou as perdas do mês. Além do Ibovespa, o IDIV, índice que reúne as ações com maior retorno em dividendos da B3, caiu 9,14% em outubro e reduziu a alta no ano para 2,85%. As small caps acumulam queda de 18,02% em 2026, o pior resultado anual do levantamento. Segundo Chicoli e Luise Coutinho, head de Produtos e Alocação da HCI Advisors, os papéis ligados ao ciclo doméstico tendem a sofrer mais, caso de empresas endividadas e dependentes de consumo e crédito, como parte do varejo e das construtoras.

Os fundos imobiliários também ficaram no vermelho. O IFIX, índice de referência do segmento, recuou 3,27% em outubro e está negativo em 3,79% no ano.

Os fundos multimercados também tiveram um mês difícil. O IHFA, índice da Anbima para a classe, caiu 1,43% em outubro, considerando dados até a segunda-feira (26), e acumula 5,5% em 2026, abaixo do CDI.

O Bitcoin (BTC) seguiu trajetória própria, com queda de 1,23% em reais no mês e perda acumulada de 11,37% no ano. Já o petróleo teve o maior ganho do levantamento, com alta de cerca de 14% em outubro, em dólares, tanto para o Brent quanto para o WTI.

Do lado da renda fixa, o CDI seguiu entregando retorno sem sobressaltos, com 1,02% em outubro, enquanto a poupança rendeu 0,67% no mês e 6,86% no ano. O IMA Geral, índice da Anbima que mede a carteira de títulos públicos, fechou outubro com leve alta de 0,14% e acumula 10,27% em 2026.

Para quem tem dinheiro novo, Bruno Corano, economista e CEO do Corano Capital, vê o Tesouro Selic como a melhor opção em um ambiente de volatilidade, por considerar arriscado qualquer título sujeito a marcação a mercado. Já Glauber Sá, fundador da Akros Consultoria, enxerga nas taxas reais elevadas uma oportunidade em títulos atrelados à inflação para quem tem horizonte longo e tolera oscilações, com compras divididas em vários aportes. “O erro mais caro não é comprar no dia errado, é abandonar a estratégia no meio do caminho”, diz.

Quem tinha parte da carteira no exterior teve o mês amortecido pela alta da moeda americana. O euro Ptax subiu 2,08%, e o índice de BDRs, que reúne recibos de ações estrangeiras negociados na B3, avançou 1,48% em outubro, apesar de as bolsas americanas terem tido desempenho misto em dólares, com alta de 0,90% do S&P 500 e queda de 2,52% do Nasdaq. No ano, os BDRs acumulam 11,18%, pouco abaixo do CDI.

Mesmo com a alta de outubro, o dólar ainda recua 2,33% em 2026, e especialistas avaliam que a moeda mais cara não deve afastar quem tem pouca exposição lá fora. “Não acredito que exista um dólar ‘caro’ para quem pensa em prazos de 10, 15 ou 20 anos”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, que trabalha com uma fatia de 20% a 40% do portfólio no exterior para o investidor moderado.

Luis Ferreira, CIO para as Américas do EFG Bank, fala em 25% a 50% do patrimônio financeiro investível para determinadas famílias, sem que isso funcione como regra geral. Ele alerta, porém, que vender ações brasileiras depois da queda apenas para dolarizar exige cuidado, porque a decisão deve partir da carteira que se quer construir, e não do susto com o mercado.

Com o tombo de outubro, o ranking de 2026 entre os investimentos mais comuns na carteira do brasileiro ficou assim.

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