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Fique por dentro: Como IA pode ajudar a ‘reviver’ o dodô, ave extinta há mais de 300 anos

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Exame 18 de outubro de 2026 às 19:57
Via Exame
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Como IA pode ajudar a ‘reviver’ o dodô, ave extinta há mais de 300 anos Tecnologia ajuda pesquisadores a interpretar o genoma e planejar alterações genéticas necessárias para o projeto de desextinção Dodô: tecnologia de IA ajuda cientistas em projeto que busca recriar características da espécie (Colossal Biosciences/Divulgação)

Publicado em 18 de outubro de 2026 às 16h51 .

Priorizar nos meus resultados Google Tudo sobre Acompanhe tudo sobre Genética Saiba mais A startup americana Colossal Biosciences anunciou, na última quarta-feira, 14, uma nova plataforma de inteligência artificial para ajudar cientistas a recriar características do dodô, ave que desapareceu há mais de 300 anos. A tecnologia busca identificar alterações genéticas que podem ter influenciado a aparência da espécie, extinta no final do século XVII.

Batizada de GenoMorph , a ferramenta combina dados genéticos, modelos tridimensionais e informações sobre o desenvolvimento de diferentes espécies de aves . O objetivo é selecionar regiões do DNA que possam ser investigadas em projetos de desextinção , nome dado às tentativas de recriar características de animais desaparecidos.

A empresa identificou cerca de 2.300 possíveis alvos para edição genética relacionados à formação do crânio e das estruturas faciais do dodô. Isso não significa, porém, que os cientistas já saibam quais modificações seriam necessárias para recriar a ave. As alterações ainda precisam ser avaliadas em laboratório.

Um dos principais desafios para estudar espécies extintas é a quantidade limitada de material genético disponível. No caso do dodô, a Colossal Biosciences dispõe de apenas um genoma para suas pesquisas.

Essa escassez dificulta a comparação entre indivíduos, método utilizado pelos cientistas para identificar quais diferenças no DNA estão associadas a determinadas características físicas.

Para enfrentar essa limitação, a GenoMorph reúne informações de aves atuais e utiliza inteligência artificial para investigar a relação entre genes e estruturas anatômicas.

A plataforma combina três áreas de estudo: a genômica comparativa , que examina semelhanças e diferenças entre genomas; a morfologia tridimensional , voltada à forma dos organismos; e a biologia do desenvolvimento , que investiga como as estruturas do corpo se formam.

Para desenvolver o sistema, os pesquisadores analisaram informações genéticas e medidas tridimensionais de crânios de mais de 70 espécies de aves, incluindo galinhas, codornas, patos e pombos .

A partir desses dados, a IA identifica regiões do DNA potencialmente relacionadas ao desenvolvimento de características como o formato do bico e do crânio .

As análises permitiram selecionar aproximadamente 2.300 alvos genéticos promissores associados à morfologia craniana e facial do dodô. Esses alvos representam regiões do DNA que podem estar envolvidas na formação das características físicas da espécie e que merecem investigação adicional.

A seleção é importante uma vez que estruturas como o bico e o crânio não dependem necessariamente de um único gene . Elas podem resultar da interação entre diferentes regiões do DNA e de processos que ocorrem durante o desenvolvimento embrionário.

Com a GenoMorph, os cientistas pretendem reduzir o número de possibilidades que precisam ser examinadas individualmente. No entanto, os 2.300 alvos identificados não correspondem a modificações genéticas já validadas. Será necessário testar quais deles realmente influenciam as características que a empresa pretende reproduzir.

Além da plataforma de inteligência artificial, a Colossal Biosciences anunciou o desenvolvimento de um sistema que utiliza nanopartículas lipídicas para transportar ferramentas de edição genética até embriões de aves em desenvolvimento.

Essas nanopartículas são estruturas microscópicas formadas por moléculas de gordura que podem transportar determinados materiais para o interior das células.

A proposta é permitir que os pesquisadores investiguem os efeitos de alterações genéticas durante o desenvolvimento embrionário, sem precisar esperar que as aves atinjam a maturidade sexual. A estratégia pode reduzir o tempo necessário para avaliar as previsões produzidas pela GenoMorph.

Mesmo assim, as alterações identificadas pela IA ainda precisam passar por testes para verificar seus efeitos e sua segurança antes de serem consideradas em etapas posteriores do projeto.

O dodô ( Raphus cucullatus ) era uma ave incapaz de voar, pertencente à família dos pombos , que habitava a ilha Maurício, no oceano Índico. A espécie desapareceu no final do século XVII, após a caça e a introdução de animais invasores em seu habitat.

Para tentar recriar características do dodô, a Colossal Biosciences também trabalha com o pombo-de-nicobar ( Caloenas nicobarica ), considerado seu parente vivo mais próximo.

A empresa informou que sua colônia chegou a 36 aves e anunciou avanços na produção de células precursoras capazes de dar origem a óvulos e espermatozoides. Essas células são importantes para pesquisas sobre reprodução e desenvolvimento , mas sua obtenção não significa que a empresa já tenha conseguido produzir um dodô.

Ainda será necessário identificar e validar as alterações genéticas, investigar como elas podem ser introduzidas em aves em desenvolvimento e avaliar os resultados.

Há também uma diferença entre produzir um animal com características semelhantes às de uma espécie extinta e recriar integralmente o organismo original. Por enquanto, a GenoMorph é uma ferramenta para orientar a pesquisa genética, e não uma tecnologia que já tenha permitido trazer o dodô de volta à vida.

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