Fique por dentro: Cubos de urânio revelam por que a Alemanha nazista fracassou na corrida nuclear
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Consulte formatos e valores disponíveisCubos de urânio revelam por que a Alemanha nazista fracassou na corrida nuclear Novo estudo mostra que o último reator experimental alemão precisaria de muito mais urânio e água pesada do que o país tinha disponível durante a Segunda Guerra Mundial Urânio: cubos preservados do programa nuclear alemão ajudaram pesquisadores a reavaliar o último reator experimental nazista (John T. Consoli, Universidade de Maryland, College Park, MD)
Publicado em 18 de outubro de 2026 às 17h06 .
Priorizar nos meus resultados Google Tudo sobre Acompanhe tudo sobre Alemanha Saiba mais Durante a Segunda Guerra Mundial , a possibilidade de a Alemanha nazista desenvolver uma bomba atômica antes dos Estados Unidos era uma das preocupações que impulsionavam a corrida nuclear. Mais de 80 anos depois, uma nova pesquisa revela que o programa alemão estava muito mais distante de alcançar esse objetivo do que se acreditava.
Ao analisar cubos de urânio utilizados pelos cientistas nazistas e documentos históricos, pesquisadores descobriram que o último reator experimental da Alemanha não tinha material suficiente para funcionar. Segundo os cálculos, seriam necessárias quantidades de urânio e água pesada muito superiores às disponíveis no país durante a guerra.
O estudo, publicado na revista científica PNAS Nexus , contesta a avaliação do físico Werner Heisenberg , responsável pelo projeto, que afirmava que o equipamento precisava apenas de uma quantidade relativamente pequena de urânio adicional para operar.
A investigação foi conduzida por uma equipe liderada por Timothy Koeth, com a participação de pesquisadores que examinaram materiais preservados do programa nuclear alemão e registros da época.
A pesquisa se concentrou no B8 , último reator nuclear experimental construído pela Alemanha nazista , em 1945, sob a direção de Heisenberg. O equipamento utilizava cubos de urânio natural suspensos em água pesada, substância necessária para ajudar a manter uma reação nuclear em cadeia.
Quando as forças americanas localizaram e desmontaram o reator, em 1945, ele ainda não havia atingido a chamada criticidade , condição em que uma reação nuclear em cadeia consegue se sustentar sem depender de uma fonte externa de nêutrons.
Heisenberg defendia que o B8 estava próximo desse estágio. Para verificar essa afirmação, os pesquisadores examinaram dois cubos de urânio sobreviventes do programa alemão e reuniram informações de relatórios técnicos, correspondências e documentos históricos.
A análise indicou que o reator precisaria de aproximadamente o dobro de urânio e mais que o dobro de água pesada em relação às quantidades que continha para alcançar uma reação nuclear sustentada. Esses materiais, porém, não estavam disponíveis em quantidade suficiente para os cientistas alemães.
O funcionamento de um reator nuclear depende de uma reação em cadeia. Nesse processo, núcleos de átomos de urânio se dividem, liberando energia e partículas chamadas nêutrons .
Quando esses nêutrons provocam novas fissões, a reação pode continuar. Para isso, é necessário que o reator tenha uma configuração adequada e materiais capazes de controlar o comportamento das partículas.
No projeto alemão, a água pesada desempenhava um papel fundamental. Embora seja semelhante à água comum, ela contém deutério , uma forma de hidrogênio cujo núcleo possui um próton e um nêutron.
Essa característica permite que a substância atue como moderadora de nêutrons, reduzindo a velocidade dessas partículas e aumentando a possibilidade de novas reações de fissão no urânio natural. O problema era a dificuldade de obter água pesada em quantidade suficiente.
Durante a guerra, o principal fornecimento alemão dependia da instalação da Norsk Hydro , em Vemork , na Noruega , ocupada pelos nazistas em 1940.
A importância da fábrica para o programa nuclear levou os Aliados a realizar operações de sabotagem e bombardeios contra a instalação. Um ataque aéreo americano, em novembro de 1943, contribuiu para interromper a produção no local.
Com o abastecimento comprometido, a Alemanha enfrentava dificuldades para reunir o material necessário ao funcionamento do B8.
Os pesquisadores também investigaram se a Alemanha poderia ter utilizado grafite , uma forma de carbono capaz de desempenhar a mesma função de moderador de nêutrons em determinados reatores.
A alternativa já havia sido utilizada pelos Estados Unidos em 1942, quando cientistas conseguiram produzir a primeira reação nuclear em cadeia controlada e autossustentável do mundo.
No entanto, o grafite disponível em territórios controlados pela Alemanha apresentava impurezas que comprometiam seu desempenho. Entre elas estava o boro, elemento capaz de absorver nêutrons que seriam necessários para manter a reação nuclear. Isso tornava o material inadequado para substituir a água pesada nas condições disponíveis aos pesquisadores alemães.
Assim, além da escassez de urânio, o programa nazista enfrentava limitações nas duas alternativas de materiais moderadores consideradas para seus reatores.
O programa nuclear alemão, conhecido como Uranprojekt , buscava investigar aplicações da fissão nuclear durante a Segunda Guerra Mundial .
Uma das possíveis rotas para a produção de armas nucleares envolvia a construção de um reator capaz de gerar plutônio , material que pode ser utilizado em bombas atômicas . Por isso, desenvolver um reator funcional representava uma etapa importante para essa possibilidade.
Os resultados do novo estudo mostram, porém, que o B8 estava longe de atingir esse objetivo. A equipe concluiu que as quantidades necessárias de urânio e água pesada ultrapassavam os recursos disponíveis à Alemanha durante o conflito. A alternativa com grafite também enfrentava obstáculos relacionados à qualidade do material.
As descobertas contradizem a avaliação de Heisenberg de que bastaria um aumento relativamente modesto na quantidade de urânio para tornar o reator operacional.
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