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Consulte formatos e valores disponíveisArrascaeta, do Flamengo, e Iago Machado, do Corinthians, durante jogo válido pelo Brasileirão Imagem: Ruano Carneiro/Getty Images Flamengo, Corinthians e Palmeiras tiveram os maiores impactos em suas receitas devido ao veto às bets no Brasil, segundo levantamento produzido pelo economista Cesar Grafietti a pedido do UOL.
O Flamengo lidera a lista, com queda de 26% nas receitas. O clube tinha R$ 1,3 bilhão e, com a perda de R$ 334,5 milhões em patrocínio e placas, a receita ajustada ficou em R$ 967,2 milhões. Na sequência está o Corinthians (-23%), que baixou de R$ 879,4 milhões para R$ 681,4 milhões, com perdas de R$ 198 milhões, ao todo. O Palmeiras perde 22%: de R$ 733 milhões para R$ 570 milhões, após deixar de ganhar R$ 163 milhões em patrocínio e placas.
Responsável pelo levantamento, Grafietti observa que o cenário é de despreparo diante de tamanhas perdas de receita, não só para aqueles com as reduções mais drásticas.
Os clubes não estão prontos para lidar com o corte abrupto. Estamos discutindo a proibição absoluta e o encerramento da indústria do dia para a noite. Nenhuma indústria estaria preparada para isso. Não existe a possibilidade de qualquer indústria que tem um perfil de receita perder esse valor e não ter impacto Cesar Grafietti, economista
O levantamento feito por Grafietti calcula também um segundo cenário. Nele, se considera que o veto às bets valha apenas até o fim do ano. Ou seja, considerando só as perdas de receita de outubro até dezembro de 2026. Esse cenário só será possível se a MP que vetou as bets for derrubada no Congresso.
Nesta conjuntura, Flamengo, Corinthians e Palmeiras perderiam 6% de suas receitas anuais em 2026. Em seguida estão Vasco (5%), São Paulo (5%), Botafogo (4%), Atlético-MG (4%), Fluminense (4%), Santos (3%) e Cruzeiro (2%).
Quase um mês após o veto do governo federal, o cenário permanece de incerteza e apreensão entre os clubes ouvidos pelo UOL: as preocupações variam entre se preparar para uma queda abrupta nos ganhos a partir de janeiro, encontrar patrocinadores pontuais e, principalmente, esperar pela aprovação - ou não - da MP na Câmara. "Claro que dá pra se adaptar, [o futebol] não vai acabar, mas teria que haver uma ruptura mais lenta. Tem clube que não sustenta. Se não tivermos [patrocínios de] bets de jeito nenhum, óbvio que vamos retomar com outros setores, mas entendendo que são valores muito inferiores", afirmou o executivo de marketing de um grande clube da Série A.
Há outros, como Santos e Corinthians, que anunciam patrocínios pontuais - o primeiro, até o fim do ano, e o segundo, por jogo. Já o Palmeiras mantém vigente seu contrato com a Sportingbet, embora não a utilize no patrocínio.
Institucionalmente, o Flamengo é um dos clubes que mais se opõem ao veto: logo após o anúncio da MP, o Rubro-Negro emitiu um comunicado contra o veto integral, o qual considera atingir todo o esporte, não apenas os clubes mais ricos. "O jogo não vai acabar com uma canetada", argumentou o clube, que acionou o STF para derrubar a proibição.
O diretor de outro clube de relevância nacional vê o cenário como de "caos financeiro" no futebol brasileiro: "Ninguém sabe o que vai acontecer. O caminho mais razoável por sgora seja o congelamento. E, nesse meio-tempo, explorar alguma oportunidade de patrocínio pontual. Nem rescindir nem ficar pagando algo que não dá pra usufruir. Vai ser caótico, é muita gente buscando patrocínios ao mesmo tempo. Tem muito desespero."
Um estudo recente do Ibope apontou que, sobretudo devido ao ajuste regulatório do setor, houve um recuo de 18% nos patrocínios de casas de aposta aos clubes brasileiros entre 2024 e 2026, caindo de 17 para 14 contratos - anterior ao veto do mês passado. "É um ajuste natural, já que se trata de um mercado relativamente novo", afirmou Danilo Amâncio, autor do estudo.
Para além dos números, especialistas ouvidos pelo UOL também abordaram uma queda natural do patrocínio das bets no Brasil, anterior ao veto e independente dele.
"Quando a Caixa saiu na década passada, houve uma redução. Agora vai ser muito maior. O downsize já ocorria com as bets ativas, inclusive. No começo do ano havia clubes sem bets e sem conseguir patrocínios. Vai ser um caos financeiro", avaliou o executivo de marketing de um clube grande paulista.
Com o veto total ou apenas uma possível redução, não há segmento capaz de igualar os valores das casas de aposta, assegura Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo: "Nenhum setor por pode substituir as casas de aposta. O que elas colocavam é muito fora de qualquer outro segmento de antes. Não há ninguém pronto para substituir as casas de apostas. Nenhum outro na história do futebol brasileiro chegou perto."
No ano passado, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as apostas esportivas (bets), registrando uma média de R$ 4,7 bilhões mensais entre outubro de 2024 e março de 2026, segundo o Boletim Fiscal dos Estados do Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda). Nesse período, as transações via Pix movimentadas pelas casas de apostas somaram quase R$ 351 bilhões. Esse prejuízo financeiro para a população representa 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias brasileiras.
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