Entenda: Por que aviões dão voltas antes de pousar? ONU prepara plano para reduzir esperas no ar
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Consulte formatos e valores disponíveisPor que aviões dão voltas antes de pousar? ONU prepara plano para reduzir esperas no ar Nova estratégia de gestão do tráfego aéreo coordena decolagens antes de congestionamentos e já poupou milhares de horas de voo nas Américas Aviões: congestionamento no tráfego aéreo pode obrigar aeronaves a aguardar no ar antes de receber autorização para pousar (Freepik)
Priorizar nos meus resultados Google Tudo sobre Acompanhe tudo sobre Aviões Saiba mais Um avião que fica dando voltas antes de pousar nem sempre enfrenta problemas técnicos ou condições meteorológicas adversas. Em muitos casos, a aeronave está realizando uma manobra de espera, enquanto aguarda autorização para aterrissar.
O procedimento pode ocorrer quando o aeroporto está congestionado e não há espaço disponível para receber novos voos. Para reduzir essas situações, a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), agência especializada da Organização das Nações Unidas ( ONU ), defende a ampliação de um sistema que permite antecipar congestionamentos e coordenar o tráfego aéreo entre diferentes países.
A proposta foi apresentada em um comunicado da ONU nesta terça-feira, 27, com informações do secretário-geral da OACI, Juan Carlos Salazar. Funciona como uma espécie de semáforo de aviões.
O congestionamento aéreo é uma das razões pelas quais aeronaves precisam permanecer no ar antes de aterrissar. Tempestades, emergências e fechamento de rotas também podem provocar atrasos que afetam aeroportos a milhares de quilômetros de distância.
Segundo a Eurocontrol, organização responsável pela gestão da navegação aérea na Europa, os atrasos relacionados ao tráfego aéreo custaram mais de US$ 2,3 bilhões em 2025 no continente.
O problema também afeta voos posteriores. Quando ocorre uma interrupção, a recuperação das operações pode demorar, ampliando os atrasos ao longo do dia.
A proposta envolve ampliar o gerenciamento do fluxo de tráfego aéreo, sistema que permite compartilhar informações entre aeroportos, companhias aéreas, controladores de voo e serviços meteorológicos. O objetivo é identificar possíveis congestionamentos antes que as aeronaves cheguem aos destinos.
Se um aeroporto sabe que não poderá receber novos aviões durante determinado período, por exemplo, pode coordenar com outros aeroportos o adiamento das decolagens.
Dessa forma, as aeronaves evitariam permanecer circulando no ar enquanto aguardam espaço para pousar. Em entrevista à ONU News, Salazar comparou o funcionamento do tráfego aéreo ao sistema de semáforos de uma cidade.
“Se os semáforos funcionarem independentemente, o trânsito vira um caos e há engarrafamentos em todas as esquinas”, afirmou. O secretário-geral acrescentou que a falta de coordenação entre diferentes regiões provoca problemas semelhantes na aviação.
Embora diversos países já utilizem sistemas de gerenciamento de fluxo, os benefícios são limitados quando as informações não são compartilhadas internacionalmente.
Após cinco dias de negociações em Montreal, governos e representantes da indústria declararam apoio à aceleração da implementação global desse modelo.
Experiências apoiadas pela OACI já apresentaram resultados nas Américas e na Europa. De acordo com o anúncio, nas Américas, testes colaborativos realizados neste ano permitiram economizar:
Na Europa, um programa da Eurocontrol que antecipa condições meteorológicas e congestionamentos evitou aproximadamente 3,1 milhões de minutos de atrasos entre maio e agosto de 2026.
A iniciativa também gerou uma economia estimada em US$ 448 milhões e aumentou em 14% a estabilidade da rede nos dias de maior dificuldade operacional. Os resultados estão associados aos esforços para alcançar emissões líquidas zero de carbono na aviação internacional até 2050.
O Brasil e a Colômbia já utilizam sistemas de gerenciamento do fluxo de tráfego aéreo há anos, segundo Salazar. Entretanto, a operação ocorre principalmente em âmbito nacional, sem abranger plenamente os voos internacionais que atravessam diferentes regiões.
O secretário-geral da OACI destacou que a troca de informações entre países ainda enfrenta dificuldades, seja pela falta de disposição para compartilhar dados, seja pela ausência de meios para transmiti-los em tempo real.
Um voo entre a Europa e a Austrália ou a Nova Zelândia, por exemplo, pode atravessar quatro ou cinco regiões, exigindo coordenação entre diferentes sistemas.
A OACI, que reúne 193 Estados-membros, prevê novas regras internacionais sobre gerenciamento do fluxo de tráfego aéreo para novembro de 2030. Antes disso, estão previstas oficinas regionais em 2027 para apoiar a implementação do sistema.
A agência também considera os desafios provocados por conflitos armados, que obrigam aeronaves a desviar de determinadas regiões e podem criar novos congestionamentos.
Para os passageiros, a ampliação da coordenação deve permitir avisos mais antecipados sobre atrasos e cancelamentos, além de uma recuperação mais rápida das operações.
A iniciativa ocorre diante da perspectiva de crescimento do transporte aéreo. Segundo a OACI, o setor poderá atingir 12,4 bilhões de passageiros até 2050.
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