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Entenda: Brasil precisará de energia nuclear para data centers, diz setor

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 27 de outubro de 2026 às 09:00
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Entenda: Brasil precisará de energia nuclear para data centers, diz setor
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Presidente da Associação de Atividades Nucleares defende que fonte é a melhor forma de assegurar fornecimento nos centros de processamento

> copiar link --> O presidente da Abdan (Associação Brasileira para o Desenvolvimento De Atividades Nucleares), Celso Cunha, concedeu entrevista ao Poder360 Divulgação/Abdan Leo Garfinkel de Brasília 27.out.2026 (terça-feira) - 6h00 Priorize o Poder no Google O Brasil não conseguirá absorver toda a demanda energética de data centers que deve chegar ao país nas próximas décadas sem considerar a geração de energia nuclear, afirma Celso Cunha, presidente da Abdan (Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares).

Em entrevista ao Poder360, o executivo disse que a energia nuclear “explodiu” no mundo inteiro, sobretudo por causa das aplicações em data centers, e é reconhecida como a melhor forma de assegurar o fornecimento ininterrupto de energia elétrica nos centros de processamento de dados.

Executivos e representantes dos setores de infraestrutura digital e de energia elétrica vêm defendendo nos últimos meses que o Brasil tem capacidade de se tornar o principal destino de data centers na América Latina diante de um cenário de investimentos globais em inteligência artificial, computação em nuvem e capacidade computacional. Estimativas da Moody’s falam em um mercado que pode movimentar até US$ 3 trilhões no país nos próximos 5 anos.

Na disputa por investimentos estrangeiros crescentes no segmento, o Brasil larga na frente dos seus vizinhos sul-americanos por causa da matriz predominantemente renovável e do potencial para combinar diferentes fontes de energia. Porém, é consenso no setor elétrico que a elevada demanda por energia desses empreendimentos ainda é um obstáculo a ser superado.

Data centers são intensivos em consumo energético e precisam operar 24 horas por dia, 7 dias por semana. Demandam, portanto, energia contínua, confiável e a preços competitivos. “Alguns milissegundos sem energia em um data center custam mais caro do que uma usina nuclear inteira”, diz Cunha.

Segundo o dirigente da Abdan, a geração nuclear oferece todas as características necessárias para abastecer os centros de processamento de dados: é firme, ou seja, consegue gerar energia de forma ininterrupta, e mais limpa do que renováveis como eólica e solar, as principais fontes usadas por data centers.

“O Brasil tem um potencial enorme para atrair data centers e se fala em até 70 gigawatts até 2050, mas é humanamente impossível atender uma demanda dessa sem considerar a energia nuclear. O mundo todo está usando”, disse durante participação no Poder Entrevista, o programa de entrevistas do Poder360.

O Brasil fechou o 1º semestre com cerca de 706 MW (megawatts) de capacidade instalada em data centers.

“É tanta energia que se precisa que nós vamos precisar de todas as fontes. Não vai ser só do gás ou só do nuclear. Se nós quisermos atender aos data centers, nós vamos precisar usar toda a nossa criatividade, nossa capacidade”, diz o executivo.

Para Cunha, a introdução da energia nuclear nos data centers passa pela utilização dos SMRs (Pequenos Reatores Modulares, na sigla em inglês), uma das tecnologias em ascensão no setor.

São equipamentos com potência típica de 50 MW a 300 MW por unidade, bem menores que as usinas nucleares tradicionais. A principal vantagem dessa tecnologia é a fabricação modular. Os reatores são construídos em série dentro de fábricas e montados no local de operação, o que reduz custos e prazos de instalação.

“Você pode comprar como se fossem geladeiras. Ele já sai certificado e você compra o 1º, o 2º, o 3º e vai colocando em paralelo no data center. Ele não entra todo de uma vez, você pode botar esses SMRs de forma fracionada, de acordo com a necessidade do cliente do projeto”, diz Cunha.

O setor de energia nuclear, segundo o presidente da Abdan, tem interesse em atender projetos que venham a ser habilitados pelo Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter), lei recém-sancionada pelo governo federal que institui benefícios fiscais para instalação de data centers no Brasil.

O texto aprovado pelo Congresso e promulgado pelo governo ainda tem uma série de pontos pendentes de regulamentação, como a definição das fontes de energia que serão exigidas para empreendimentos interessados nos incentivos do programa.

O projeto original estabelecia que só data centers abastecidos por energia 100% limpa poderiam receber os incentivos fiscais, mas uma alteração no Senado incluiu também fontes “consideradas de baixa emissão”. Como mostrou o Poder360, a mudança abriu espaço para o uso de gás natural, defendido pela indústria e pelo Ministério de Minas e Energia.

Segundo Cunha, a discussão atualmente em curso sobre o gás natural não preocupa. A avaliação do executivo é que o texto considera o uso de energia nuclear, apesar de não citá-la diretamente.

Uma portaria ministerial com a definição das fontes permitidas deve ser publicada nas próximas semanas.

#Belém#Brasil#Política
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