Em destaque: Governo dá garantia de R$ 7 bilhões para empréstimo de bancos aos Correios
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Consulte formatos e valores disponíveisGoverno dá garantia de R$ 7 bilhões para empréstimo de bancos aos Correios A proposta de crédito foi apresentada por um sindicato formado por Citibank, JPMorgan Chase, Deutsche Bank e Banco ABC Brasil (Eduardo Frazão/Exame)
Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + O governo federal concedeu garantia de R$ 7 bilhões a um empréstimo bancário para os Correios, que poderá ser acionada se a estatal não conseguir pagar a dívida. O financiamento, proposto por Citibank, JPMorgan Chase, Deutsche Bank e Banco ABC Brasil, faz parte do plano de reestruturação da empresa, que teve prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026. O governo também prevê um aporte de R$ 6 bilhões para a estatal no Orçamento de 2027. A recuperação dos Correios ocorre sob a gestão de Lula, que descarta a privatização da empresa e defende parcerias com o setor privado.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito neste domingo, 25, garantiu aos bancos que emprestarão dinheiro aos Correios crédito de R$ 7 bilhões caso a estatal não quite sua dívida. A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira, 28, e formaliza a concessão de garantia do Tesouro Nacional ao empréstimo.
A proposta de crédito foi apresentada por um sindicato formado por Citibank, JPMorgan Chase, Deutsche Bank e Banco ABC Brasil. Na prática, a garantia significa que, se a empresa não pagar o empréstimo, a União poderá ser acionada para assumir a dívida.
O financiamento terá prazo de 15 anos, com carência de 36 meses para o início do pagamento de juros e da amortização. O custo efetivo previsto é de 114,26% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), taxa de referência do mercado financeiro que acompanha de perto a Selic, os juros básicos da economia.
A operação dá continuidade a uma estratégia de recuperação que já contou com outro empréstimo de R$ 12 bilhões, avalizado pelo Tesouro em dezembro de 2025. Na ocasião, os recursos foram concedidos por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander e utilizados para recompor o caixa, normalizar as entregas e regularizar compromissos financeiros da estatal.
Além do novo financiamento, o governo prevê um aporte de R$ 6 bilhões de recursos públicos para os Correios no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 202 7.
A recuperação dos Correios e sua manutenção como estatal foi um ponto defendido pelo petista na campanha pela reeleição à Presidência.
Em entrevista à TV Globo no final de agosto, Lula afirmou que os Correios "não se adaptaram aos novos tempos" e que perderam espaço para outras empresas de logística, mas defendeu o seu papel estratégico pela capilaridade em sua rede de serviços no interior do país. "Se for necessário fazer associação com empresa, nós faremos. Com empresa brasileira, estrangeira, porque a gente quer é um Correios prestando serviço" disse Lula.
No início de seu terceiro mandato, em 2023, o presidente retirou os Correios de programas federais de desestatização. A estatal havia sido incluída no Programa Nacional de Desestatização (PND) durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A garantia de crédito ocorre em meio ao agravamento da situação financeira da estatal. Os Correios encerraram 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e registraram resultado negativo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026.
A empresa é atualmente a que mais contribui para o déficit das estatais federais não dependentes. Em junho de 2026, o conjunto dessas companhias acumulava déficit de R$ 1,5 bilhão, segundo dados do Banco Central.
Parte das dificuldades está relacionada à transformação do mercado de entregas. A redução do uso de serviços postais tradicionais, com a substituição de cartas e documentos por meios digitais, diminuiu uma das fontes históricas de receita da empresa.
Outro fator é a redução do chamado subsídio cruzado, mecanismo pelo qual operações mais rentáveis nos grandes centros urbanos ajudavam a financiar a prestação de serviços em localidades remotas. Com o avanço da concorrência privada nas maiores cidades, essa fonte de recursos perdeu força.
A crise levou a estatal a colocar em prática um plano de reestruturação que inclui um programa de desligamento voluntário (PDV), automatização da logística, fechamento de unidades, renegociação de contratos, venda de imóveis e ampliação de parcerias com o setor privado. A meta é voltar a registrar lucro no fim de 2027.
O aporte de R$ 6 bilhões previsto para os Correios integra a proposta de orçamento federal para o próximo ano. O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 estima um orçamento total de R$ 7,45 trilhões, dos quais R$ 3,42 trilhões correspondem a despesas primárias e R$ 3,82 trilhões, a despesas financeiras.
Entre as principais dotações previstas estão R$ 272,2 bilhões para a Saúde, R$ 141,2 bilhões para a Educação e R$ 133,8 bilhões para investimentos. A proposta também prevê salário mínimo de R$ 1.741 e trabalha com um superávit primário efetivo de R$ 18,6 bilhões.
O governo ainda anunciou uma mudança na apresentação dos custos de determinadas políticas de crédito. Pela primeira vez, o PLOA detalhará o subsídio implícito de linhas de financiamento público, permitindo comparar o custo dessas iniciativas para os cofres públicos com o retorno econômico esperado.
O cálculo considera a diferença entre a remuneração dos recursos utilizados nos programas e o custo médio projetado para a emissão da dívida pública federal. A proposta prevê R$ 97,9 bilhões para programas de crédito de seis fundos públicos, incluindo iniciativas habitacionais, de garantia à exportação e de desenvolvimento tecnológico.
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que a avaliação poderá ajudar a identificar políticas cujo retorno não compense o subsídio concedido. Segundo ele, linhas de crédito que não apresentem resultados suficientes poderão ser encerradas.
"A regra para despesas financeiras tem de ser muito simples: elas têm retorno suficiente para pagar esse subsídio implícito? Se sim, elas devem, dentro de limites, prosseguir. Se não, devem ser extintas", afirmou o ministro.
O governo também prevê reduzir a participação das despesas obrigatórias no total das despesas primárias, de 92,4% em 2026 para 91,7% em 2027. A meta fiscal para o próximo ano é de superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a cerca de R$ 73,2 bilhões, sem considerar os abatimentos permitidos pela legislação.
Moretti argumentou que o controle do crescimento das despesas e a avaliação dos resultados das políticas subsidiadas devem contribuir para o cumprimento da meta fiscal, embora não eliminem os desafios de longo prazo das contas públicas.
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