EA FC 27 mostra que franquia estagnou e precisa urgentemente de melhorias radicais — REVIEW
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

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Consulte formatos e valores disponíveisFIFA de mundo aberto? Confira gameplay de EA FC 27 no modo The Grounds
5:15 Novo jogo da EA Games traz experiência tradicional de futebol nos jogos, mas também inclui o The Grounds. Crédito: EA Sports
EA FC 27 é o novo jogo da franquia de futebol mais famosa do mundo. Lançado no dia 25 de setembro para PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series S/X, Nintendo Switch 1/2 e PC, o título tem como principal novidade o modo The Grounds, que coloca os jogadores em um mundo aberto repleto de atividades futebolísticas a serem praticadas de forma individual ou com outras pessoas de todas as partes do mundo.
Ele também traz novidades pontuais em suas principais vertentes, como uma galeria de cards no Ultimate Team e elementos mais realistas no Modo Carreira. Mas será que isso é o suficiente? Confira o review completo!
Como de praxe, todo ano somos bombardeados por vídeos de divulgação do game que mostram uma série de novidades em relação à jogabilidade. Mais uma vez, na prática, elas não são tão radicais como a empresa promete. No caso do EA FC 27 , o desafio continua sendo emplacar algo que realmente faça diferença em relação à versão anterior, de modo que não desagrade sua legião de fãs e amplie ainda mais seu público.
Pelo menos nessa versão o feito ainda não foi alcançado. Mais uma vez, me deparei com um game no qual qualquer jogador casual não saberia identificar de que versão se trata apenas pela jogabilidade. Em outras palavras, as arestas foram aparadas, mas sem tanto capricho assim. Isso quer dizer que não mudou nada em relação ao EA FC 26 ? Mais ou menos. Vou começar com o que de fato está diferente, seja um bom ou um mau sinal.
O principal foco da divulgação de EA FC 27 foi o de um jogo menos automatizado. E isso realmente foi cumprido, principalmente no que diz respeito à sua defesa, um setor que exige o auxílio da IA, já que sozinho é impossível controlar todos os atletas. Logo nos primeiros minutos de bola rolando, é possível perceber que não há mais aquela corrida louca, clássica de peladas de fim de semana, dos seus zagueiros atrás da bola quando não há controle manual sobre eles. Agora há uma ênfase maior no posicionamento, fazendo com que fiquem mais preocupados em não dar espaço do que em tirar a bola do adversário.
E ainda sobre tirar a bola, agora não há necessidade de apertar um botão para isso. Basta chegar no momento certo para que seu jogador execute um movimento para tomar o controle do oponente. Embora mais eficiente, visualmente ficou um tanto estranho, uma vez que isso acarreta uma série de “encontrões” distantes da realidade do futebol, o que deixa tudo um pouco mais engraçado quando não deveria.
Outro ponto que merece destaque é a forma como eles se comportam nos cruzamentos e jogadas de bola parada. Agora, é preciso que você tenha o controle do jogador de defesa. Caso contrário, o adversário vai subir sozinho para cabecear ou dominá-la sem grandes dificuldades. Embora tenha estranhado no começo, esse recurso faz com que você se mantenha mais atento a algo que nas versões anteriores não dava tanta dor de cabeça, já que os zagueiros sempre tomavam decisões mais precisas de forma automática.
E por falar em bolas paradas, outra grande novidade é em relação aos escanteios. Agora é possível ter um tempo maior entre fazer o direcionamento do cruzamento e o posicionamento de seus jogadores para receber a bola na área. Embora seja bem complexo no início, com muita prática e criando um bom leque de jogadas ensaiadas, é possível fazer com que isso seja uma das principais armas do seu time, além, é claro, de criar uma dinâmica para algo que, até o game anterior, era mais uma loteria do que realmente habilidade dos jogadores.
Sobre o ataque, o que mais me chamou atenção foram os dribles, mais precisamente a efetividade deles. Agora é possível abusar da jogada individual para levar vantagem em relação aos zagueiros adversários, sem precisar de um catálogo de movimentos para isso. Ou seja, basta um simples movimento de fingir um chute e cortar para que o oponente fique para trás ou que você tenha condições mais claras de gol.
A parte ruim disso é que aqueles que possuem mais facilidade para executar um leque extenso de movimentos levam ainda mais vantagem nas partidas online. Portanto, se você é do tipo que se estressa facilmente nas partidas ranqueadas, no EA FC 27 você terá ainda mais pesadelos com isso.
Também merece destaque o famoso “um dois”, que é um movimento no qual um jogador toca para outro e passa para receber a bola na sequência. Agora o movimento deixa de ser tão automático e permite até mesmo que o atleta a receber a bola desvie de zagueiros e procure um espaço melhor para a devolução do passe. Já os cruzamentos exigem uma precisão maior, tanto do seu direcionamento no joystick como, principalmente, das habilidades do jogador para fazer o movimento.
Por fim, o tão prometido balanceamento dos Estilos de Jogo não surtiu tanto efeito. Em outras palavras, ainda achei que há um abismo entre jogadores com habilidades mais apuradas do que os outros. Reconheço que realmente há um nivelamento maior em relação ao EA FC 26 , no qual certos jogadores pareciam ETs perto dos atletas comuns. Mas, ainda assim, há uma discrepância entre os grandes astros. Por mais que eles mereçam, tratando-se de um jogo que visa ser cada vez mais realista, ainda é preciso rever essa diferenciação visando um game mais justo e competitivo.
Desde 2006 faço análises da franquia de futebol da EA e, depois de duas décadas, finalmente encontrei uma versão do game com goleiros realmente eficientes. Quem acompanha meus textos e vídeos sobre o jogo sabe da minha revolta anual ao me deparar com arqueiros falhos e longe da realidade. Porém, em EA FC 27 , o jogo virou.
Logo nas primeiras partidas pude notar o quanto ficou mais complexo vencer os goleiros em partidas com um grau de dificuldade moderado. Além de precisar de uma mira e de uma força excepcionais para marcar de fora da área, é preciso saber contornar os arqueiros, que também crescem rapidamente quando você invade a área. Nos cruzamentos, também há uma maior antecipação para sair na bola e, ao mesmo tempo, um volume maior de erro. E acredite: isso é algo bom.
O motivo é que essas falhas ocasionais dão um ar de realismo ao jogo, que é justamente a proposta da franquia em seu novo capítulo. Durante horas e horas de jogatina, pude presenciar desde goleiros saindo errado em cruzamentos até cometerem outros erros comuns, como deixar passar um chute fraco ou espalmar a bola para a entrada da área, sendo esse um dos erros mais graves que se pode cometer no futebol de verdade.
Sendo assim, agradou-me demais que a EA finalmente tenha acertado a mão em uma das posições mais importantes dentro de campo. Entretanto, vale lembrar que ainda há espaço para melhorar muito, principalmente na parte estética, mais precisamente nos saltos, já que alguns ainda destoam bastante da realidade, seja pela plasticidade exagerada ou pela falta de capricho.
A parte visual de EA FC 27 também não traz grandes novidades quando comparada com a da versão anterior. Como de praxe, grandes astros receberam um capricho maior, com tatuagens e penteados atualizados, mas com algumas exceções, como Erling Haaland, que cortou sua cabeleira pouco antes de o jogo ser lançado, sem dar tempo para atualizações até o momento.
Já os jogadores menos populares continuam sofrendo com uma caracterização genérica. Como os atletas de Bahia e Botafogo, que, embora estejam com seus elencos originais, boa parte deles não se parece em nada com os profissionais de verdade.
Com a bola rolando, pouca coisa foi alterada. Há um capricho maior na reprodução dos movimentos, como pulos, chutes e até as famosas pontes dos goleiros. Porém, não existem grandes saltos de qualidade, pelo menos na versão para consoles.
Isso porque, depois de muitos pedidos, finalmente houve um capricho maior na versão para PC. Com um hardware mais potente, é possível desfrutar de partidas com gráficos mais realistas e, principalmente, um desempenho maior. Isso fica mais nítido em modos na visão em terceira pessoa, como The Grounds e Carreira de Jogador, nos quais não há tantas quedas de frames como no PS5 e Xbox Series S/X. O mesmo vale para as animações antes da partida, nos gols, em lances importantes e após o apito final.
Além disso, a versão para PC também permite jogar em resoluções muito maiores e diferenciadas, como a de monitores ultrawide que possibilita visualizar todo o campo. Arrisco-me a dizer que isso poderia até trazer uma vantagem nas partidas, mas, como ainda não tive a oportunidade de jogar desta forma, por enquanto fica apenas o meu achismo.
O modo mais popular da franquia ganhou uma série de novidades nesta nova versão. A principal delas é a Galeria que, como o nome sugere, permite que você colecione cards conquistados e preencha grupos em busca de bonificações. Para isso, você não precisa manter a carta no seu inventário, ou seja, basta tirá-la em algum pacote ou comprá-la no Mercado de Transferências para que ela já entre na sua coleção.
Dentro do modo, você deve juntar esses cards em grupos como ligas, times e categorias de cartas para subir de ranking. Além disso, também é possível ganhar tokens da galeria para trocar por pacotes e até mesmo jogadores exclusivos, entre eles os brasileiros Hulk, David Luiz e Pato.
Outra grande novidade é em relação aos DMEs. Agora, grande parte deles não necessita que você cumpra aqueles objetivos chatos e comuns, como tantos jogadores de uma nacionalidade ou liga, um determinado número de entrosamento e assim por diante. É possível enviar a carta, que vale uma quantidade de pontos, e ir somando até alcançar um total, com a vantagem de poder enviar cards repetidos quantas vezes quiser. Porém, como nem tudo são flores, pelo menos nos desafios iniciais, esse valor total é bem alto, com alguns chegando à casa dos 30.000 pontos.
Já o sistema de evolução agora está mais flexível, permitindo que você escolha como as cartas irão ficar a cada nível antes mesmo de começar o processo. Há também um novo modo chamado Acampamento de Treinamento, onde você pode deixar uma carta inativa por algumas horas para que ela evolua sozinha, sem necessitar do jogador em campo para isso.
Agora há mais modos offline além do Squad Battles. Nesse primeiro momento do jogo, há o Fique de Olho, onde é possível disputar partidas em vários níveis de dificuldade e desbloquear prêmios distintos. Também há esse estilo de partida na versão online, porém, por ser muito menos povoada, demorei muito para encontrar adversários.
E para completar, vale ressaltar também uma dificuldade maior do game para que cartas mais poderosas e valiosas saiam com facilidade. Além da diminuição de pacotes vantajosos à venda por FC Points, que por sua vez podem ser adquiridos através de microtransações, os próprios DMEs e cartas de objetivos estão mais razoáveis neste começo de vida do jogo. Entretanto, não é difícil encontrar jogadores online com um time repleto de ídolos. Arrisco-me a dizer que para isso fizeram um investimento financeiro maior que em versões anteriores.
Anunciado como a grande novidade de EA FC 27 , o modo The Grounds traz um mapa aberto online, no qual é possível interagir com um mundo virtual e oponentes de diversos países. Ele conta com uma série de minigames, como partidas de 2 contra 2 ou até desafios mais inusitados, como um jogo que mistura elementos de basquete com os de futebol.
Tudo isso no controle de um avatar que é possível personalizar com a aparência que desejar, além de equipar os mais diversos itens, incluindo uniformes de clubes brasileiros.
Mas na prática o modo é algo totalmente descartável. A começar pela dificuldade em achar partidas, uma vez que não é possível jogar contra a inteligência artificial em nenhum minigame.
Além disso, apesar de ser instigante evoluir seu jogador virtual, o modo destoa completamente dos outros mais populares, e sequer há uma integração, como bônus para o modo Carreira ou para o Ultimate Team.
E por falar no modo Carreira, ele também conta com boas novidades. No Carreira de Treinador, há um realismo maior na gestão do clube, principalmente em relação ao elenco. A todo momento você precisa lidar com lesões e até mesmo desentendimentos entre atletas do seu time, seja aplicando multas ou suspendendo-os.
Já na parte de contratações, é preciso ser mais convincente no que você oferece para um determinado jogador. Para isso, vale oferecer um pré-contrato, parcelar um pagamento mais caro e até mesmo inserir uma série de cláusulas no contrato. No começo do jogo, mesmo em equipes de ponta, não são todos os atletas que aceitam a ida para seu clube, exigindo que você administre bem a frustração e o que tem em mãos.
Mas embora todos esses elementos confiram um ar mais realista ao game, ao mesmo tempo quebram o ritmo, fazendo com que você gaste tempo demais em negociações que às vezes nem valem tanto a pena. Já está na hora de o modo ter uma opção no estilo Liga Master, do rival PES, no qual bastava apenas pagar para ter um jogador, sem qualquer burocracia.
E no Carreira de Jogador também há alguns elementos que visam deixar o modo mais real. O principal deles é em relação à sua titularidade. Não basta apenas ir bem em um ou dois jogos, você precisa ter um bom aproveitamento nas oportunidades, caso contrário seu treinador não terá pena em deixar você por uma sequência de jogos na reserva.
EA FC 27 mostra que já passou da hora de a empresa rever seu modelo de distribuição anual e apostar em um formato de atualizações para um jogo base. Isso porque a sensação é a de estar jogando a mesmíssima versão anterior, com pequenos ajustes aqui e ali.
A jogabilidade, que teve tantas melhorias prometidas ao longo da campanha de divulgação do game, no fim das contas não apresenta evoluções radicais. Já os gráficos, pelo menos na versão para PC, avançam no tempo e trazem uma evolução real do visual e no desempenho.
O The Grounds é decepcionante e os outros modos também não têm mudanças impactantes. Ao menos o FUT trouxe novidades agradáveis, mas que, assim como tudo no novo game, não justificam o seu preço, que é de longe um dos mais altos da atualidade.
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Jornalista especializado em games e tecnologia desde 2007, com passagens por TechTudo e Globo Esporte.com. Apresentador com passagens por Rádio Globo, SporTV e Canal Combate.
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