Entenda: Meta diz não interferir em eleições no Brasil e descreve problemas como 'incidentes técnicos'
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16.out.2026 às 19h13 Diminuir fonte Aumentar fonte Patrícia Campos Mello São Paulo Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (16), a Meta afirmou que não está interferindo nas eleições brasileiras e disse que os episódios relatados em reportagem da Folha foram "incidentes técnicos".
Em mensagens internas da Meta obtidas pela Folha , funcionários da empresa admitiram restrições que prejudicaram as contas do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Instagram e recomendação algorítmica do perfil de Flávio Bolsonaro (PL) na plataforma e no canal do candidato no WhatsApp, prática vedada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Em uma das mensagens, um funcionário da Meta afirmou que a conta de Lula estava "limitada" em comparação à de Flávio e que isso seria negativo pela "alta chance" de haver ação jurídica.
A mensagem se refere a episódio do dia 9 de outubro, quando o perfil oficial de Lula ficou impossibilitado de impulsionar postagens feitas no feed do Instagram por quase 24 horas.
A campanha conseguia impulsionar novos conteúdos nos chamados "dark posts", bem como os impulsionamentos antigos continuavam no ar. Estava impedida, porém, de pagar para aumentar o alcance de postagens que estavam no feed, que é a forma mais usada de impulsionamento e de maior eficiência para o treinamento do algoritmo.
Em seu comunicado, a Meta afirmou que o problema na criação de anúncios afetou apenas conteúdo do feed e impactou "anunciantes em todo o mundo."
"Em 9 de outubro, a Meta identificou uma falha global no gerenciador de anúncios, causada por uma atualização de código, que impediu temporariamente anunciantes de criar anúncios a partir de publicações já feitas no Instagram", disse.
Segundo a empresa, os anúncios diretos pelo gerenciador de anúncios continuaram funcionando para a criação de novos anúncios, e a campanha de Lula nunca foi impedida de fazer anúncios desta maneira nesse período. "O incidente afetou milhares de anunciantes em diferentes países e terminou depois que a atualização de código foi revertida, nas primeiras horas de 10 de outubro."
A empresa não informa, no entanto, que a campanha de Flávio Bolsonaro não foi afetada pelo problema no gerenciador de anúncios e pôde postar anúncios do feed normalmente.
O comunicado da Meta não aborda outros dois problemas apontados pela reportagem: a recomendação algorítmica de Flávio na busca do Instagram e do grupo "Tropa do Flávio" nos canais de WhatsApp, quando usuários buscavam Exército do Lula.
A Meta confirmou que, como relatado pela Folha , a conta de anúncios da campanha de Lula foi desativada por engano por pouco mais de uma hora.
A empresa culpa a regulação digital adotada durante o governo Lula, como a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o Marco Civil da Internet, pelo erro.
"Há muito tempo, a Meta alerta que as regras rígidas do Brasil para conteúdo digital aumentam o risco de aplicação excessiva e ameaçam a liberdade de expressão", diz a empresa. "Desde 2025, essas regras ampliaram a possível responsabilidade das plataformas por conteúdo e anúncios gerados por terceiros", afirma, referindo-se à decisão do STF.
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A empresa afirma se tratar de "uma lacuna específica em nossas proteções, e não de viés político". Segundo a plataforma, para cumprir as regras eleitorais, a Meta proibiu temporariamente a Meta AI de recomendar candidatos ou gerar imagens deles no Brasil.
Ela afirma que os sistemas bloqueavam prompts no Brasil que mencionavam claramente qualquer um dos candidatos —incluindo "Lula", "Luiz Inácio Lula da Silva", "Bolsonaro" e "Flávio Bolsonaro" —, mas, por falha, nem sempre reconheciam um candidato quando um primeiro nome comum era combinado com um número eleitoral. Como resultado, alguns prompts que usavam "Flávio" com seu número podiam gerar imagens de cartazes.
Ainda segundo a Meta, a mesma lacuna afetava o outro candidato: prompts que usavam "Luiz" com o número de Lula também podiam gerar imagens de cartazes. "Bloquear isoladamente nomes comuns como ‘Flávio’ ou ‘Luiz’ impediria muitas solicitações cotidianas de geração de imagens e não políticas. Corrigimos essa lacuna no mesmo dia."
No comunicado, a empresa disse que não toma partido em nenhuma eleição e que são "falsas e infundadas as alegações de que estamos favorecendo ou interferindo em nome de qualquer candidato ou grupo político". "Nossos sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política, e nossas regras e sua aplicação valem igualmente para todos", disse. "Não suprimimos conteúdo para prejudicar um lado nem damos tratamento preferencial a qualquer lado."
A empresa afirma lamentar a ação judicial da campanha de Lula que acusa Meta de favorecer Flávio Bolsonaro. Segundo a Meta, a ação "acaba introduzindo incertezas e dúvidas injustificadas no debate público sobre a integridade do processo eleitoral brasileiro".
Nesta sexta, brasileiros que vivem na Europa protestaram diante de escritórios da Meta em Paris e em Dublin, na Europa, acusando a empresa de interferir nas eleições do Brasil e cobrando auditoria independente do funcionamento dos algoritmos da big tech no pleito.
Em Paris, a manifestação foi organizada pelo coletivo Brasileiros na França pela Integridade Eleitoral. Eles divulgaram uma carta aberta em que pedem que a Comissão Europeia analise as denúncias de restrição de alcance de contas de Lula em redes sociais da Meta.
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