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amigo de Flávio, Willer Tomaz foi em 2025 o maior apostador do país — Quase R$ 5 bilhões

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 20 de outubro de 2026 às 14:12
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amigo de Flávio, Willer Tomaz foi em 2025 o maior apostador do país — Quase R$ 5 bilhões
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Administradora de escritório de Flávio Bolsonaro teria sido indicada por Willer Tomaz. Advogado é conhecido em Brasília por atuar para diversos políticos Imagem: Divulgação Willer Tomaz Advogados Associados O advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), é a pessoa física que mais botou dinheiro em empresas de apostas em 2025, segundo uma nota técnica do Ministério da Fazenda obtida pelo UOL .

Willer depositou mais de R$ 258 milhões na Foggo, dona da Blaze, quase o dobro do segundo colocado no Brasil. Ele apostou cerca de R$ 5 bilhões no ano e sacou quase R$ 200 milhões.

A Polícia Federal suspeita que se trate de uma simulação, e não de apostas reais.

O valor apostado é maior que o depositado porque os ganhos voltam a ser apostados. Assim, o mesmo dinheiro circula várias vezes.

A PF (Polícia Federal) investiga o advogado por lavagem de dinheiro e suspeita que ele seja sócio oculto da bet onde aplicou o dinheiro, a Blaze. O inquérito está no STF (Supremo Tribunal Federal).

A defesa afirma que os recursos usados por Willer Tomaz "têm origem lícita, são compatíveis com seus rendimentos e constam de sua declaração à Receita Federal" e que o "volume apostado" soma "reapostas sucessivas de um mesmo montante e, por isso, não representa dinheiro novo".

A SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas) da Fazenda concluiu, em uma nota técnica, que a Blaze nunca analisou as operações de Willer para prevenir lavagem de dinheiro.

Segundo a nota, os valores movimentados pelo advogado "claramente enquadrariam" as operações entre as que precisam ser analisadas. O documento afirma ser "praticamente impossível" a empresa não perceber movimentações "na ordem dos bilhões de reais".

Para a secretaria, há "indícios de culpa ou dolo" da Blaze, numa "negligência que poderia estar respaldada na intenção de que não se percam as receitas obtidas" com as apostas.

A secretaria não afirma que houve lavagem, mas aponta padrões que a empresa deveria ter investigado, como o fracionamento de depósitos e saques e o possível uso de ferramenta automatizada para apostar.

Num único dia, 30 de outubro de 2025, Willer depositou R$ 7 milhões em 14 transferências de R$ 500 mil. No dia seguinte, sacou R$ 6 milhões em 18 minutos.

Em 11 de novembro, ele fez 12 apostas em cinco minutos, que somaram mais de R$ 5 milhões. Ao longo do ano, foram 629 apostas de R$ 500 mil ou mais.

A nota questiona "em que medida se pode considerar 'típico' que uma pessoa deposite R$ 7 milhões num dia, saque R$ 6 milhões em 18 minutos ou aposte R$ 5 milhões em cinco minutos.

Segundo a Fazenda, um volume alto de apostas pode indicar lavagem mesmo quando o apostador perde dinheiro.

Segundo sua defesa, Willer nunca recorreu a ferramenta automatizada nem fracionou operações para contornar qualquer controle, diz a defesa.

Os recursos do advogado, segundo ele mesmo, eram aplicados em apostas do tipo cassino ao vivo — bacará. Uma dessas mesas permitia apostas de R$ 5,00 a R$ 125.000,00 por mão, em rodadas de cerca de trinta segundos.

O apostador passou, na sequência, para o blackjack ao vivo, numa mesa exclusiva criada para ele, a "Blaze VIP Blackjack", segundo Willer conta em ação judicial contra a Blaze.

A Blaze classificou Willer como cliente de risco "médio" durante todo o ano. A Fazenda frisa que, pelos critérios da própria empresa, ele poderia estar no nível máximo por já ter sido preso sob suspeita de corrupção, segundo a Fazenda.

A própria Blaze trata como fator de risco depósitos acima de R$ 50 mil. Os de Willer somaram "mais de cinco mil vezes" esse valor, diz a nota.

Em 2025, a Blaze avisou o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) de apenas sete operações suspeitas, todas de apostas abaixo de R$ 1.000.

Para a Fazenda, a empresa comunicou operações de valores "comparativamente irrisórios", enquanto a atividade de Willer "sequer tenha sido objeto de análise".

A nota também afirma que a Blaze "simplesmente faltou com a verdade para o regulador" ao dizer, em março de 2025, que monitorava as operações de forma automatizada.

Em dezembro, a empresa admitiu não ter essa ferramenta. A secretaria pondera que a informação errada pode não ter sido intencional.

Segundo a nota, a operação da Blaze pode ter sido, "ao longo de um ano inteiro", um "campo aberto para o cometimento de crimes financeiros".

A secretaria recomenda abrir um processo contra a Blaze, com aplicação de multa, e avaliar a suspensão temporária das atividades da empresa.

A defesa de Willer afirmou que "causa estranheza que um documento técnico de órgão federal, contendo dados protegidos por sigilo, chegue à imprensa justamente em período eleitoral".

Willer diz ser viciado em jogo. Na última sexta-feira (16), a Justiça de São Paulo negou o pedido dele para recuperar R$ 133,2 milhões perdidos na Blaze.

Para o juiz, o advogado teve comportamento contraditório, porque pediu à plataforma mesas exclusivas com apostas de até R$ 500 mil.

Na ação, o advogado se apresentava como "o apostador de maior perda da plataforma". Ele afirmou que pediu o bloqueio da conta e que a Blaze não atendeu.

Willer acusou a Blaze de ter pago a ele R$ 6 milhões em 400 transferências de R$ 15 mil. Segundo o advogado, a divisão se parece com uma prática usada para driblar os controles contra lavagem.

Além da Blaze, Willer depositou R$ 1,3 milhão na 7K, do grupo Ana Gaming, que teve R$ 631 milhões bloqueados pela Justiça Federal na Operação Narco Bet, sob suspeita de lavar dinheiro do PCC.

Na 7K, Willer apostou R$ 4,8 milhões em jogos online e sacou R$ 426 mil, segundo dados obtidos pela reportagem.

Sobre a aposta na 7k, a defesa de Willer diz que ele "foi cliente como qualquer outro, sem vínculo societário, comercial ou pessoal com a empresa ou seus controladores, e não é alvo da Operação Narco Bet".

A Ana Gaming, com sede em Nova Lima (MG), opera as marcas 7K, Cassino e Vera e patrocina o Santos. O grupo recebeu da Fazenda a autorização para operar em fevereiro de 2025.

Procurada, a Ana Gaming informou que não comenta processos que tramitam sob segredo de justiça.

A empresa também não se manifesta sobre clientes nem sobre as operações deles. "Os dados de apostadores são protegidos por sigilo e pela Lei Geral de Proteção de Dados. Eventuais comunicações ao Coaf também são sigilosas: a Lei nº 9.613/1998 proíbe dar ciência delas a qualquer pessoa, inclusive àquela a quem se referem", informou a companhia.

A Ana Gaming ainda diz que "sempre atuou de acordo com a legislação, com política clara sobre jogo responsável e a regulamentação do setor de apostas". A empresa afirmou estar à disposição das autoridades. Deflagrada em outubro de 2025, a Narco Bet prendeu 11 pessoas suspeitas de lavar dinheiro do tráfico internacional por meio de criptomoedas e bets. Entre os presos estava o influenciador Buzeira, solto em agosto deste ano.

O TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) manteve o bloqueio dos bens do grupo, controlado pelo empresário Nickolas Ribeiro, ao ver "fortes indícios de lavagem de dinheiro".

Desde 25 de setembro, as apostas esportivas e os cassinos online estão proibidos no Brasil por uma medida provisória do governo federal.

A PF investiga se Flávio Bolsonaro atuou ao lado de Willer em um suposto esquema de lavagem de dinheiro, em um inquérito que está sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, no STF (Superior Tribunal Federal). O senador classificou a investigação como "fake news".

Reportagem do UOL mostrou que os dois chegaram a dividir uma conta no banco Santander, conforme indicam emails apreendidos pela PF. Em maio de 2025, uma funcionária de Willer pede para que a conta "Flávio Bolsonaro" fosse desassociada do "usuário master" ligado ao advogado.

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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