um novo capítulo que redefine o propósito de um smartphone — Review do iPhone Duo
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Consulte formatos e valores disponíveisSAN FRANCISCO — Sempre que pego um avião para viajar, passo a valorizar novamente meu iPad. Sua tela ampla e brilhante faz filmes, livros e quadrinhos parecerem excelentes.
Mas então volto para casa, onde dependo de um laptop e de um celular. O iPad vai para a gaveta. Só ocasionalmente, como quando estou no transporte público, sinto falta do tablet para ler um livro.
A frequência com que você se encontra nessa situação — desejando ter um tablet quando não é prático carregá-lo — deve ser a principal pergunta ao considerar se o iPhone Duo, da Apple, vendido por US$ 2.000 (no Brasil, é vendido a partir de R$ 21.999) e lançado na sexta-feira (23) como o primeiro aparelho dobrável da empresa que combina tablet e smartphone, vale o dinheiro.
Brian Chen, repórter de tecnologia, navega por fotos de seus cães no novo iPhone Duo da Apple, em San Francisco, em 22 de outubro de 2026 (Camille Cohen/The New York Times) Porque esse é justamente o ponto do produto. O Duo é um tablet em miniatura que pode ser dobrado e transformado em um telefone que cabe no bolso, permitindo levá-lo para qualquer lugar. Por isso, o aspecto mais importante a avaliar é sua utilidade como tablet. Todo o resto, incluindo a câmera, fica em segundo plano.
Se ter um tablet sempre à disposição não é algo importante para você, pode parar de ler esta análise e continuar aproveitando seu telefone tradicional, retangular. De qualquer forma, há bastante tempo para pensar nisso. Em um sinal de que este é o iPhone da economia em formato de “K”, consumidores ansiosos por ter toda novidade brilhante da Apple esgotaram os estoques do iPhone Duo minutos após a abertura das vendas online na semana passada. Os pedidos feitos agora só devem ser entregues em 2027.
Tive apenas um dia para testar o iPhone Duo antes do lançamento, então o utilizei principalmente da mesma forma que uso um tablet: para assistir a filmes, ler livros e realizar tarefas leves de trabalho.
Meu veredito é que passageiros que passam muito tempo em trens, ônibus e aviões provavelmente vão gostar do Duo, assim como leitores vorazes e pessoas que assistem muita televisão. Já os demais podem ficar frustrados com o que, no fim das contas, é um smartphone apenas razoável, embora diferente.
O nome Duo faz referência a dois aparelhos em um. Fechado, ele tem uma tela externa de 5,4 polegadas para uso como smartphone convencional. Aberto, revela uma tela interna de 7,6 polegadas e se transforma em um tablet.
Todo telefone dobrável lançado nos últimos oito anos exigiu algum tipo de concessão, e com o Duo não é diferente. Sua tela externa de 5,4 polegadas dá ao aparelho uma aparência elegante e compacta, semelhante a um passaporte. Mas, na prática, ele parece grosso e atarracado, tornando desconfortável o uso com apenas uma mão. Ao tentar digitar uma mensagem, eu não conseguia alcançar algumas letras com o polegar.
A câmera também não conta com lente teleobjetiva, o que significa que não oferece o mesmo nível de zoom do iPhone 18 Pro, vendido por US$ 1.200. Isso não é um problema grave, já que as fotos ficaram muito boas. Mais irritante é a ausência de um sistema de reconhecimento facial para desbloqueio. O Duo depende de um sensor de impressão digital embutido em um botão lateral, tornando o processo mais lento.
Tudo depende, portanto, da frequência com que você usaria o aparelho como tablet para justificar essas limitações. Isso porque o Duo realmente se destaca quando é aberto e sua tela maior entra em ação.
Para assistir a filmes, analisar fotos, ler livros e escrever e-mails, o aparelho se saiu muito bem. Como alguém que possuiu diversos iPads ao longo dos anos, considero o Duo o tablet mais versátil e interessante que já usei.
Assim que configurei o Duo, abri o aplicativo Amazon Prime Video para assistir a alguns filmes e séries. Alguns conteúdos ficaram melhores do que outros. A série The Expanse , por exemplo, foi filmada em uma proporção que ocupava grande parte da tela e tinha ótima aparência. Já filmes em formato widescreen, como Memento , de Christopher Nolan, exibiam faixas pretas espessas, prejudicando a experiência.
Ainda assim, a tela parecia grande o suficiente para assistir a vídeos de forma confortável, algo que raramente tenho vontade de fazer em um iPhone tradicional.
Quando me cansava de segurar o aparelho, bastava dobrá-lo em um ângulo de 90 graus e apoiá-lo como um minilaptop para continuar assistindo sem usar as mãos.
Abri o aplicativo Fotos para percorrer milhares de imagens da minha família, incluindo Homer, um golden retriever, e Max, um corgi. Acostumado a revisar fotos pelo celular, eu havia esquecido o quanto elas ficam melhores em uma tela maior. Percebi detalhes que nunca tinha notado antes, como uma pequena lasca em um dos dentes de Homer.
Livros digitais, que costumam ser pouco agradáveis em uma tela pequena de celular, foram um prazer de ler no Duo. Melhor ainda foi a experiência com quadrinhos. As graphic novels coloridas exibiam imagens nítidas e vibrantes, enquanto o acabamento fosco da tela reduzia os reflexos causados pela luz ambiente.
Embora meu leitor favorito continue sendo o Kindle, eu consideraria ter um Duo se quisesse adquirir o hábito de ler mais, porque ele se transformaria em um leitor de livros que estaria comigo o tempo todo.
Historicamente, tablets nunca foram ideais para produtividade, mas são excelentes para tarefas leves, como responder e-mails. O aplicativo Mail da Apple aproveitou muito bem a interface do Duo. Com o aparelho fechado, a pequena tela externa mostrava uma simples lista de mensagens. Aberto em modo tablet, os e-mails apareciam à esquerda e seu conteúdo à direita.
A principal vantagem para o trabalho é a facilidade de digitar na tela maior. Como tablet, o Duo é fino e compacto o suficiente para escrever e-mails e mensagens no Slack usando os dois polegares, algo bastante difícil em iPads maiores.
Muitos críticos de tecnologia criticaram a tela menor do iPhone Duo por comprometer a experiência de uso como smartphone convencional. Mas, quando o aparelho chegar aos consumidores, acredito que a maioria preferirá abri-lo e utilizá-lo principalmente como tablet.
Este é um novo tipo de dispositivo e deve ser encarado dessa forma. Talvez não seja tão agradável navegar no TikTok com uma única mão, mas isso pode incentivar os usuários a abrir o aparelho e consumir conteúdos mais aprofundados, o que seria algo positivo.
Provavelmente o Duo não é para mim, alguém que se desloca de moto e tenta reduzir o tempo diante das telas. Ainda assim, depois de testar diversos dobráveis nos últimos anos, fui convencido do conceito, porque eles oferecem telas maiores sem aumentar muito o volume do aparelho.
Gosto bastante do meu iPhone retangular, mas gostaria que ele fosse mais fino e compacto no bolso. Para isso, teria de se dobrar e virar um pequeno quadrado. Isso parece ser o próximo passo inevitável para o celular por excelência.
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