Região: Seminário de Economia da Cultura mobiliza Paracatu (MG)
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Consulte formatos e valores disponíveisCom propostas práticas e mobilização da comunidade para pensar o futuro da cidade, aconteceu, no dia 12 de setembro, a etapa Diálogos do 3º Seminário de Economia da Cultura de Paracatu - "Olhares para o Futuro". Organizado pela Guiastur (Associação de Guias de Turismo de Paracatu) sob o selo do Projeto CUTUCAR, o encontro aconteceu na Câmara de Vereadores e marcou a etapa dos painéis e rodas de conversa desta edição. O Seminário continua em andamento com os desdobramentos práticos e próximas ações previstas como a visita ao Museu do Amanhã e a revitalização de um córrego que faz parte da memória afetiva da cidade.
A proposta central do evento para a cidade é envolver ativamente a comunidade na construção de caminhos para o amanhã, interligando cultura, trabalho, meio ambiente e qualidade de vida. Um exemplo claro de como essa reflexão coletiva pode se transformar em melhoria concreta é a proposta de recuperação do Córrego Pobre, que corta a cidade e hoje está degradado, mas é historicamente muito relevante para a comunidade e corta vários bairros da cidade, inclusive o centro. A iniciativa, idealizada como uma proposta estruturada a partir dos debates, demonstra a força do seminário em tirar as ideias do papel.
Para um dos curadores do evento, Rubem dos Reis, o seminário superou as expectativas. "Não foi um seminário unicamente conceitual. Ele trouxe propostas práticas e, pelo que percebemos, a sociedade civil de Paracatu já está se organizando. Teremos, em pouco espaço de tempo, notícias de ações concretas em relação à cidade e ao meio ambiente", comemora.
A principal mudança desta edição foi estrutural. Em vez de um encontro único, o seminário foi dividido em etapas: o Laboratório de Alfabetização em Futuros, com metodologia do Museu do Amanhã, em agosto; o Bootcamp "Construir o Futuro na Prática", realizado com o Sebrae, no início de setembro; e os Diálogos, em setembro, abertos à comunidade.
A curadora e historiadora Helen Ulhôa explica que a mudança respondeu a uma crítica das edições anteriores. "A comunidade reclamava que nos seminários anteriores tínhamos trazido muito assunto, muito debate, muita novidade, mas que não tínhamos tido tempo para o debate. Este ano, diminuímos o número de pessoas falando e deixamos mais tempo para as pessoas se manifestarem." Para ela, o percurso em três etapas também amadureceu a discussão. "O Laboratório começou a nos fazer pensar que futuro nós queremos para Paracatu, e como enxergar um futuro que ainda não foi pensado - tirar de dentro de nós coisas que não são aquelas que a mídia nos coloca."
Clima, cuidado, trabalho e Cerrado na mesma conversa
Os Diálogos reuniram áreas de saber que raramente dividem o mesmo palco. O Painel 1, "Economia Criativa: o Futuro que Já Existe", colocou Cláudia Leitão, Helen Ulhôa e Lala Deheinzelin diante das vocações de Paracatu - patrimônio histórico, meio ambiente, culinária, saberes e projetos de vida - e do panorama nacional da economia criativa. No Painel 2, "Trabalhos para um mundo em transformação", Rômulo Avelar, Evanir da Costa Filgueiras e Renata Moraes trataram de arte e cultura, cuidado e saúde mental, e clima e educação como frentes de trabalho em expansão.
A manhã de sábado trouxe a Cena Documental, com os biólogos Frederico Gemésio Lemos e Fernanda Cavalcanti, do Programa de Conservação Mamíferos do Cerrado, que apresentaram em vídeo e performance o mapeamento das rotas dos mamíferos do bioma. O encerramento ficou com Fábio Scarano, cientista, curador do Museu do Amanhã e professor da UFRJ, na conferência "Olhares para o Futuro: da Reflexão à Ação".
De Belo Horizonte, o gestor cultural Rômulo Avelar, autor de "O Avesso da Cena", deixou na cidade uma pauta específica: "Temos uma diversidade cultural incrível no país, mas falta muito a área meio, a que dá suporte a toda a existência da área cultural, que é a gestão. Precisamos urgentemente formar produtores e gestores culturais."
A instalação interativa Cápsula dos Sonhos, assinada por Qiah Salla, ficou montada ao longo dos três dias na Câmara Municipal. Ela coletou os sonhos do público para a cidade e extrapolou o evento: foi levada à Escola Estadual Antônio Carlos pela equipe da Guiastur.
"Foi um momento extremamente importante, porque fez com que os nossos alunos percebessem que eles têm sonhos, que podem realizar e que podem pensar além", relatou Maria Inês, diretora da Escola Estadual Antônio Carlos. "Foram produzidos textos que me surpreenderam - meninos de 14 anos pensando no futuro que esperamos para Paracatu em 2036."
As ações com os jovens também ganharam os palcos e as salas de aula com a oficina de teatro "Ensaiando Futuros", ministrada por Katia Lou. A atividade mobilizou estudantes da Escola Estadual Antônio Carlos, criando um espaço de expressão artística e reflexão para que os jovens pudessem pensar sobre si mesmos, suas identidades e o tipo de futuro que desejam construir na cidade. Além disso, o seminário também realizou uma oficina dedicada à Guarda Mirim de Paracatu.
Para a futurista Lala Deheinzelin, na terceira participação consecutiva no seminário, esse é exatamente o ponto. "O futuro não acontece sozinho. A gente semeia futuros - precisa sonhar futuros para que eles possam acontecer. Se a gente não sonhar, se não desenhar, como é que vai ser?"
A presidente da Guiastur, Edina Sueli das Dores, avalia que a edição cumpriu o que prometeu e abriu mais perguntas do que respostas. "Reunimos a comunidade com pessoas extremamente capacitadas, com trabalho reconhecido no Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Minas, para pensar o futuro do nosso território. Ficam muitas perguntas, e a própria Guiastur vai buscar outros desdobramentos deste seminário", diz.
As próximas ações do percurso já estão traçadas. Além disso, os participantes que concluíram todas as etapas do seminário serão contemplados com uma viagem ao Rio de Janeiro para conhecerem de perto o Museu do Amanhã e articular novos desdobramentos para a região.
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