Região: Empresa chinesa que atraiu US$ 2,2 bilhões do Alibaba chega ao Brasil
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Consulte formatos e valores disponíveisPriorizar nos meus resultados Google Tudo sobre Acompanhe tudo sobre China Saiba mais Depois das montadoras de carros elétricos e dos aplicativos de delivery, mais uma gigante chinesa decidiu apostar no mercado brasileiro. Desta vez, o negócio não está nas ruas ou nos smartphones, mas dentro dos elevadores de prédios residenciais e comerciais.
“O Brasil é um dos mercados mais verticalizados do mundo, com um dos maiores parques de elevadores do planeta e um público urbano que vive uma rotina muito parecida com a das grandes cidades asiáticas. Chegamos com um modelo testado em escala, mas não para simplesmente replicá-lo: queremos unir a experiência construída globalmente ao mercado brasileiro", afirma Jacky Cheng, CEO da Focus Media Brasil.
O plano é ambicioso. A empresa pretende alcançar 100 mil telas em até 18 meses no Brasil e, em um horizonte de cinco a sete anos, atingir ou superar o tamanho da operação da Coreia do Sul, atualmente seu segundo maior mercado.
Em entrevista à EXAME, Freddy Marcos, diretor-geral da Focus Media Brasil, afirma que o país foi escolhido por reunir características semelhantes às de grandes centros urbanos asiáticos, como a concentração de edifícios, a quantidade de elevadores e o potencial de expansão do mercado publicitário.
"O nosso objetivo é que o Brasil seja, em alguns anos, o segundo principal mercado depois da China", diz Marcos.
A chegada da Focus Media ocorre em um momento de expansão das marcas chinesas no Brasil, especialmente no setor automotivo, com BYD, GAC e GWM; no de tecnologia, com Huawei, Xiaomi e Lenovo; e no de delivery, com a Keeta, plataforma de entregas do grupo chinês Meituan, e com a 99, empresa criada no Brasil, mas adquirida pela gigante chinesa de transporte DiDi Chuxing.
Freddy Marcos, diretor-geral da Focus Media Brasil e Jacky Cheng, CEO da Focus Media Brasil: "Você vê cada vez mais marcas chinesas vindo para o Brasil. E, obviamente, isso também atrai a Focus Media" (Focus Media/Divulgação)
A ideia era transformar esses poucos segundos de espera em um canal de comunicação para empresas interessadas em alcançar consumidores durante sua rotina.
"Ele entendeu que tinha um momento do dia das pessoas em que elas estavam, de certa forma, ociosas. Uma espera forçada, dentro do elevador. Então tinha um espaço para você ter um entretenimento, uma mídia, uma comunicação com aquela pessoa", afirma Marcos.
O modelo ganhou escala rapidamente. Em 2005, apenas dois anos depois da fundação, a Focus Media abriu capital na Nasdaq, bolsa americana conhecida por concentrar empresas de tecnologia. Posteriormente, passou a ser negociada na Bolsa de Shenzhen, na China.
Hoje, a Focus Media opera uma rede de mais de 3 milhões de telas em mais de 15 países, alcançando diariamente mais de 400 milhões de pessoas, segundo dados da própria companhia.
Entre os mercados atendidos estão Japão, Coreia do Sul, Singapura, Tailândia, Indonésia, Malásia, Vietnã e Emirados Árabes Unidos – e agora o Brasil.
A companhia também movimenta bilhões em receita. Em 2025, a Focus Media registrou faturamento global de 12,76 bilhões de yuans, equivalente a aproximadamente US$ 1,77 bilhão, crescimento de 4,05% em relação ao ano anterior.
No primeiro semestre de 2026, a receita foi de 5,99 bilhões de yuans, enquanto o lucro líquido atribuível aos acionistas alcançou 3,13 bilhões de yuans, segundo os resultados divulgados na China.
A expansão internacional ganhou força à medida que a empresa passou a buscar novas oportunidades de crescimento fora da Ásia. Foi nesse contexto que o Brasil entrou no radar.
"São Paulo é quase uma cidade irmã de Xangai. Tem uma população parecida, um número de prédios muito grande. Se em Xangai temos mais de 150 mil telas, por que São Paulo ainda tem tão poucas?", diz o executivo.
Embora a chegada oficial esteja sendo anunciada agora, a operação brasileira começou a instalar equipamentos em maio de 2026.
Em poucos meses, a empresa alcançou a marca de 20 mil telas e passou a instalar entre 200 e 300 novos equipamentos por dia, segundo Marcos.
A operação está concentrada inicialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, com presença também na Grande São Paulo e na Baixada Santista.
O foco são edifícios residenciais e comerciais com pelo menos dez andares, onde a circulação diária de moradores e funcionários permite que as campanhas publicitárias sejam exibidas repetidamente ao mesmo público.
A companhia já conta com mais de 100 funcionários no Brasil, distribuídos entre áreas comerciais, relacionamento com condomínios, atendimento a anunciantes e operação.
As telas são importadas da China e desenvolvidas especificamente para elevadores. O modelo utiliza vídeos em formato vertical, com imagem em tela cheia e áudio integrado, para reproduzir campanhas publicitárias durante as viagens.
Para acelerar a expansão, a empresa mantém um ritmo de instalação de aproximadamente 4 mil a 5 mil telas por mês.
"A gente vem crescendo nessa velocidade e buscando justamente 100 mil telas nesse primeiro momento", diz Marcos.
O executivo afirma que a escala também será decisiva para conquistar espaço no setor.
"Pode ser que leve cinco, sete ou dez anos, mas a gente vai virar um dos líderes desse mercado. Para a gente, não importa ser o primeiro ou o segundo, desde que seja uma empresa relevante e que traga resultados consistentes para os nossos clientes", diz.
Um dos principais marcos da trajetória da Focus Media aconteceu em 2018, quando o Grupo Alibaba, gigante chinesa do comércio eletrônico, realizou um investimento estratégico de aproximadamente US$ 2,2 bilhões na companhia.
A parceria, segundo Marcos, também mudou a ambição internacional da Focus Media.
"O Alibaba chega para o fundador da Focus Media e fala: a Focus Media é muito relevante na Ásia, na China, mas ela não é uma empresa global ainda. Para que seja uma empresa global, precisa estar em todos os mercados", diz Marcos.
O executivo afirma, porém, que a expansão brasileira não depende diretamente dos recursos aportados pelo Alibaba. Segundo ele, a Focus Media já possui capacidade financeira própria para sustentar seus investimentos.
"O ponto principal é que existe uma sinergia estratégica do ponto de vista de anunciantes, de informações, de dados e, principalmente, na ambição de ser uma empresa global", diz.
Grupo Alibaba, gigante chinesa do comércio eletrônico, realizou um investimento de aproximadamente US$ 2,2 bilhões na Focus Media em 2018 (Aly Song/File Photo/Reuters)
Mesmo antes do anúncio oficial de sua chegada ao país, a Focus Media começou a conquistar clientes no mercado publicitário brasileiro.
Entre as empresas que já utilizam suas telas estão Amazon, Mercado Livre, OpenAI, GAC, LATAM, BMW, Nissan, Honda, Skechers e Bradesco, além de outras marcas nacionais e internacionais.
A Focus Media instala os equipamentos sem custo para os edifícios e disponibiliza um sistema para que síndicos e administradoras publiquem comunicados, avisos de manutenção e informações relevantes para moradores.
Dependendo do contrato, o condomínio também recebe um repasse financeiro mensal pela instalação das telas.
Assim, a companhia procura criar uma relação comercial com dois públicos: os anunciantes, que pagam pela veiculação das campanhas, e os edifícios, que disponibilizam o espaço.
O plano da Focus Media não termina no mercado brasileiro.
A companhia pretende utilizar a operação nacional como ponto de partida para sua expansão pela América Latina, mas a prioridade dos próximos anos será consolidar sua presença no país.
"O Brasil é a porta de entrada para a América Latina. A ideia é que o Brasil represente pelo menos 50% do tamanho da América Latina. Queremos crescer fortemente nos próximos três a cinco anos no Brasil e depois começar a expansão para o restante da região", afirma Marcos.
A aposta acompanha um movimento mais amplo de internacionalização das companhias chinesas, que vêm ampliando investimentos e presença comercial no Brasil.
"Você vê cada vez mais marcas chinesas no segmento automobilístico, de delivery e de outros setores vindo para o Brasil. E, obviamente, isso também atrai a Focus Media", diz.
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