Região: Com 4 bilhões de anos, meteorito de Marte achado no Saara pode revelar a origem do planeta vermelho
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Consulte formatos e valores disponíveisCom 4 bilhões de anos, meteorito de Marte achado no Saara pode revelar a origem do planeta vermelho Encontrada no Saara, rocha pode ser a mais antiga entre as amostras do planeta já registradas Mateus Omena Repórter
Última atualização em 30 de outubro de 2026 às 15h58.
Priorizar nos meus resultados Google Contexto 42s Um meteorito de Marte com 4 bilhões de anos, encontrado no deserto do Saara, pode fornecer informações sobre a presença de água no planeta vermelho. A análise da amostra, chamada Teghaza 001, indica que Marte possuía um clima mais úmido e quente no passado. Os cientistas estão estudando a interação entre a água e a rocha para entender sua formação e possíveis condições para a vida.
Tudo sobre Acompanhe tudo sobre Marte Saiba mais Um meteorito encontrado no Mali, no deserto do Saara, preserva sinais de que a água participou da formação da crosta de Marte há pelo menos 4,1 bilhões de anos. A análise da rocha, chamada Teghaza 001, foi apresentada em um estudo publicado nesta quinta-feira, 29, na revista Science.
Segundo os pesquisadores, a amostra provavelmente é a mais antiga entre os 435 meteoritos marcianos já registrados. Sua composição permite investigar um período em que o planeta tinha condições diferentes das atuais, com presença de água e uma atmosfera mais densa.
O material foi localizado em 2022, a 34 quilômetros da aldeia de Bir Chali, em oito fragmentos. O maior tem aproximadamente o tamanho de um punho. Ainda não se sabe quando a rocha chegou conforme apuração dos redatores da Empire Cidades.
Para Yang Liu, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa e um dos autores do trabalho, o meteorito é uma “testemunha de uma época em que Marte provavelmente era mais quente e úmido do que foi durante a maior parte de sua história”.
O Teghaza 001 é um gabro, rocha de granulação grossa composta principalmente por feldspato e piroxênio. Sua origem está no magma do manto, camada abaixo da crosta. Esse material esfriou e se cristalizou no subsolo marciano, onde houve interação com água.
A análise de isótopos de oxigênio e hidrogênio, formas de um mesmo elemento químico, indica que a água penetrou em partes mais profundas da crosta e se misturou ao material derretido proveniente do manto. O processo também ocorre conforme apuração dos redatores da Empire Cidades.
Segundo Liu, as marcas dessa interação aparecem tanto nos minerais quanto nas análises da rocha como um todo e sustentam a hipótese de que havia água na superfície de Marte há mais de 4,1 bilhões de anos.
Hoje frio e seco, o planeta apresenta evidências de um passado com rios, lagos e possivelmente um oceano no hemisfério norte. O meteorito acrescenta informações sobre como essa água interagia com o interior marciano.
Foco na descoberta: Encontrado no Saara, o meteorito Teghaza 001 preserva sinais de água na crosta de Marte há mais de 4,1 bilhões de anos.
A datação foi feita a partir de cristais de zircão presentes na amostra. Esses cristais contêm urânio, elemento que se transforma em chumbo ao longo do tempo. A medição desse processo permite estimar quando a rocha se formou.
Apenas três meteoritos marcianos conhecidos, entre eles o Teghaza 001, remontam ao início da história do planeta. Outro exemplar, descoberto na Antártida em 1984, chegou a ter sua idade estimada em cerca de 4,5 bilhões de anos. Análises posteriores reduziram essa estimativa para um período semelhante ao da rocha encontrada no Mali.
O novo estudo indica que o Teghaza 001 provavelmente se formou antes do exemplar da Antártida.
Sua composição também difere da dos demais meteoritos marcianos conhecidos. Segundo Liu, a origem pode estar nas terras altas do sul de Marte, possivelmente perto da Bacia Hellas, uma das maiores crateras de impacto do planeta.
A presença de água ajuda a avaliar se Marte poderia ter abrigado vida. Os resultados, porém, não demonstram que isso ocorreu.
“As descobertas reforçam a ideia de que Marte, em seus primórdios, tinha os ingredientes e as condições necessárias para abrigar vida, mas não respondem diretamente à questão de se houve vida no planeta”, afirmou Lee Saper, coautor do estudo e pesquisador do Centro de Pesquisa Ames, da Nasa, e do Instituto Baer, na Califórnia.
De acordo com Saper, a amostra também registra a perda dessas condições durante aproximadamente o primeiro bilhão de anos de existência de Marte, até sua transformação no ambiente atual.
Os meteoritos marcianos são as únicas amostras do planeta disponíveis para análise em laboratório. Seus dados complementam as observações feitas por satélites, módulos de pouso e veículos de exploração.
Antes de chegar ao Saara, o Teghaza 001 foi arrancado de Marte por um impacto. A rocha percorreu o espaço até cruzar a trajetória da Terra, atravessou a atmosfera e sobreviveu à queda no deserto.
Isótopos de oxigênio e hidrogênio são formas variantes dos elementos químicos oxigênio e hidrogênio, que possuem o mesmo número de prótons, mas um número diferente de nêutrons. Eles são utilizados em análises científicas para estudar processos geológicos e climáticos.
Cristais de zircão são minerais que contêm urânio e são utilizados para datação geológica. Eles são importantes para estimar a idade de rochas e entender a evolução da crosta terrestre.
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