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Em destaque: Espanhol lidera plano de IA do COI que promete transformar os Jogos Olímpicos

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 30 de outubro de 2026 às 20:25
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Em destaque: Espanhol lidera plano de IA do COI que promete transformar os Jogos Olímpicos
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Espanhol lidera plano de IA do COI que promete transformar os Jogos Olímpicos Alejandro Merino-Madrid coordena projetos que usam inteligência artificial para auxiliar árbitros, proteger atletas de ataques virtuais e identificar novos talentos Inteligência artificial: tecnologia pode revolucionar Olimpíadas (Adobe Stock)

Priorizar nos meus resultados Google Tudo sobre Acompanhe tudo sobre Inteligência artificial Saiba mais Um engenheiro espanhol está à frente de um projeto que pretende ampliar o uso da inteligência artificial no esporte olímpico. Alejandro Merino-Madrid, de 39 anos, é o responsável pela área de IA do Comitê Olímpico Internacional (COI) e coordena iniciativas que vão desde o auxílio à arbitragem até a identificação de jovens talentos e a proteção de atletas contra ataques nas redes sociais.

Contratado pelo COI em 2024, Merino trabalha na implementação da Agenda Olímpica de IA, estratégia lançada pela entidade para explorar as possibilidades da tecnologia e estabelecer diretrizes para seu uso responsável. A proposta é fazer com que a inteligência artificial ajude a melhorar o desempenho esportivo, a organização das competições e a experiência de atletas e torcedores, sem retirar o protagonismo humano.

“Meu trabalho é preparar o movimento olímpico para a chegada da inteligência artificial: mitigar os riscos, aproveitar as oportunidades e garantir que a IA apoie os atletas e o esporte”, explicou Merino em entrevista ao jornal espanhol Marca.

Segundo o Marca, uma das aplicações mais promissoras está na análise de movimentos e no apoio às decisões de juízes e árbitros. Na patinação artística, por exemplo, sistemas desenvolvidos pela Omega utilizam câmeras e inteligência artificial para acompanhar os movimentos dos atletas e gerar informações sobre altura, distância e rotação dos saltos.

Nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, a tecnologia foi utilizada para oferecer dados mais precisos sobre as apresentações. O sistema pode identificar detalhes difíceis de perceber em tempo real, como diferenças no ângulo de execução de um salto. A ferramenta, porém, não substitui a avaliação dos juízes, especialmente em elementos que envolvem interpretação artística.

Na ginástica artística, outra possibilidade é utilizar recursos de visão computacional para identificar infrações difíceis de observar, como quando o pé ou os dedos de uma atleta ultrapassam os limites do tablado. A ferramenta poderia indicar o momento exato e o melhor ângulo para a revisão, deixando a decisão final com a arbitragem.

A tecnologia já tem aplicações concretas na modalidade. A Federação Internacional de Ginástica e a Fujitsu desenvolvem desde 2017 o Judging Support System, sistema que utiliza inteligência artificial e análise de movimentos para reconhecer elementos, fornecer dados numéricos e permitir revisões por diferentes ângulos. A decisão oficial continua sendo dos juízes.

De acordo com o Marca, outra frente de atuação do COI é o combate ao cyberbullying. A entidade utiliza inteligência artificial para monitorar publicações direcionadas a atletas e integrantes das delegações durante os Jogos Olímpicos.

Na edição de Paris 2024, o sistema analisou 2,4 milhões de publicações e comentários em contas de aproximadamente 20 mil atletas e oficiais, em mais de 35 idiomas. A tecnologia identificou 152 mil conteúdos potencialmente abusivos para análise e, após verificação, 10,2 mil foram confirmados como mensagens abusivas e encaminhados às plataformas para remoção.

A proposta não é censurar críticas esportivas, mas identificar ameaças, ataques racistas, sexistas e outras manifestações que violem as regras das redes sociais. A combinação entre monitoramento automatizado e análise humana permite que os casos sejam encaminhados às plataformas com mais rapidez.

O trabalho foi ampliado nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina 2026. Somados os dois eventos, o serviço de proteção do COI analisou 4,3 milhões de publicações e comentários e identificou aproximadamente 24,7 mil mensagens abusivas.

A inteligência artificial também pode ajudar a encontrar atletas em regiões que não contam com uma estrutura esportiva ampla. Um dos projetos do COI em parceria com a Intel foi testado no Senegal, país que recebeu os Jogos Olímpicos da Juventude de 2026.

A iniciativa utilizou uma plataforma com inteligência artificial para avaliar capacidades físicas de crianças e adolescentes. Mais de mil jovens participaram de testes que incluíam corrida, saltos e exercícios de agilidade. A tecnologia analisou mais de mil indicadores biomecânicos, como velocidade, aceleração, força explosiva e capacidade de mudar de direção.

A partir dos resultados, o sistema ajudou a identificar 40 jovens com desempenho de destaque, que poderiam ser acompanhados pelo Comitê Olímpico Senegalês. A intenção é ampliar as oportunidades de descoberta de talentos, inclusive em localidades distantes dos centros tradicionais de formação esportiva.

O uso da tecnologia não se limita ao movimento olímpico. No futebol, por exemplo, a Fifa utiliza inteligência artificial na tecnologia semiautomatizada de impedimento. O sistema combina câmeras de rastreamento, dados da bola e informações sobre a posição dos jogadores para identificar possíveis irregularidades e enviar alertas à equipe de arbitragem.

Na Copa do Mundo de 2026, a versão avançada da ferramenta passou a permitir que situações claras de impedimento sejam comunicadas diretamente aos árbitros em campo. Ainda assim, a arbitragem humana continua responsável por validar decisões e avaliar situações que dependem de interpretação, como a interferência de um jogador em uma jogada.

No próprio COI, a tecnologia também está sendo explorada para facilitar o acesso à informação. Entre os projetos estão assistentes virtuais capazes de responder a dúvidas de atletas e dirigentes sobre serviços, procedimentos e regras, além de ferramentas para ajudar torcedores a compreender modalidades menos conhecidas.

A inteligência artificial também pode ser utilizada na produção de conteúdo audiovisual, na geração automática de melhores momentos e na criação de modelos digitais de instalações esportivas para planejar transmissões e operações dos eventos.

Apesar das possibilidades, o COI defende que a expansão da tecnologia precisa ser acompanhada de regras para proteger dados pessoais, garantir transparência e evitar discriminação algorítmica. Em setembro de 2026, a entidade lançou um conjunto de diretrizes para orientar o uso responsável da inteligência artificial em todo o movimento olímpico.

A ideia que orienta os projetos é que a tecnologia sirva ao esporte, e não o contrário. Como resumiu Merino, o objetivo é preparar o movimento olímpico para aproveitar as oportunidades da inteligência artificial sem abrir mão dos valores e da participação humana nas competições.

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