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Região: A guerrilha digital mostrou sua força. E a presença digital explica por quê.

Jornal da Paraíba O protagonismo de André Janones na campanha de Lula revela como identidade, compreensão do público, engajamento e mobilização se tornaram elem

Por Redatores da Empire Cidades 28 de outubro de 2026 às 15:05
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Região: A guerrilha digital mostrou sua força. E a presença digital explica por quê.
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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O deputado federal André Janones (Avante) e o presidente Luiz Inácío Lula da Silva — Foto: reprodução. Jornal da Paraíba O protagonismo de André Janones na campanha de Lula revela como identidade, compreensão do público, engajamento e mobilização se tornaram elementos importantes da comunicação política.

Quando vi a charge do cartunista Quinho, com André Janones no centro de uma explosão de personagens e referências políticas, pensei imediatamente na força que a comunicação de guerrilha alcançou nas eleições de 2026. Como jornalista e especialista em Presença Digital e Consumo de Informação, vejo nessa atuação um exemplo de como a disputa política também acontece pela atenção, pelo reconhecimento e pela capacidade de mobilizar pessoas.

André Janones foi o grande protagonista da comunicação de guerrilha de Lula, a ponto de virar meme nas redes sociais. Expressões como “Posso dormir, Janones?” e “Posso jantar, Janones?” revelavam mais do que o humor dos apoiadores. Demonstravam o envolvimento de pessoas que acompanhavam a campanha quase em tempo real e se sentiam participantes de uma mobilização permanente.

Janones não se limitou a publicar conteúdos ou reagir aos adversários. Conseguiu manter Lula em evidência, estimular conversas e transformar seguidores em multiplicadores de mensagens. Sua atuação ajuda a compreender quatro elementos que considero fundamentais para uma presença digital relevante.

Janones construiu uma comunicação com personalidade própria, linguagem popular, provocações e um estilo facilmente reconhecido pelos seguidores. Em um ambiente onde milhares de conteúdos disputam atenção a cada segundo, essa identidade tornou suas publicações identificáveis e criou expectativas sobre suas próximas ações. As pessoas não acompanhavam apenas o que ele dizia, mas também a maneira como dizia.

A estratégia demonstrou conhecimento sobre o comportamento dos públicos e seus hábitos de consumo de informação. Janones compreendeu que as conversas políticas não acontecem somente nos discursos oficiais, mas também nos grupos de WhatsApp, nos memes, nos comentários e nos vídeos compartilhados. Adaptou a linguagem a esses ambientes e aproveitou a velocidade das redes para inserir suas mensagens nas conversas que já estavam acontecendo.

As expressões que viraram memes também revelaram um sentimento de pertencimento. Os apoiadores não queriam apenas receber informações, mas participar da disputa. Comentavam, reagiam, compartilhavam e aguardavam novas orientações. A comunicação deixou de ser uma transmissão da campanha para o público e passou a funcionar como uma atividade coletiva, alimentada pelas próprias pessoas que se identificavam com ela.

Talvez esse tenha sido o resultado mais expressivo da estratégia: transformar atenção em ação. Cada publicação compartilhada, cada comentário e cada meme ajudavam a ampliar a circulação das mensagens. A campanha não dependia exclusivamente de seus canais oficiais, pois contava com uma rede de apoiadores dispostos a distribuir conteúdos e manter determinados assuntos em evidência. É uma demonstração de que presença digital não se resume ao alcance de uma publicação, mas também ao que as pessoas fazem depois de recebê-la.

É importante reconhecer, entretanto, que eficiência na comunicação não significa necessariamente responsabilidade com a informação. Estratégias baseadas em confronto, velocidade e repercussão também podem favorecer exageros, descontextualizações e conteúdos enganosos. Da mesma forma, não seria correto atribuir a uma única estratégia o resultado das urnas. Uma eleição envolve inúmeros fatores, personagens e circunstâncias.

A comunicação de guerrilha mostrou sua força, mas deixou uma lição que ultrapassa a política. *Presença digital não é apenas publicar, conquistar seguidores ou acumular visualizações. É construir uma identidade, compreender as pessoas, gerar envolvimento e transformar relacionamentos em ações.* Janones demonstrou a força desses mecanismos em uma campanha eleitoral. Cabe a nós compreender também seus limites e suas responsabilidades.

#João Pessoa#Política
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