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Potencial mira R$ 15 bilhões em 2027 — De um posto no Paraná ao Nordeste

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Exame 19 de outubro de 2026 às 15:31
Via Exame
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De um posto no Paraná ao Nordeste: Potencial mira R$ 15 bilhões em 2027 Grupo paranaense abre operação na Bahia, prepara frentes no Sul e em Minas e aposta, ainda mais, na soja para crescer Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente de novos negócios, relações institucionais e comercial do grupo: empresa prepara sua primeira operação no Nordeste, em São Francisco do Conde, na Bahia, prevista para começar ainda em outubro. (Leandro Fonseca/Exame)

César H. S. Rezende Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 19 de outubro de 2026 às 12h20 .

Priorizar nos meus resultados Google O Grupo Potencial, companhia paranaense de combustíveis e agroenergia, quer aumentar o faturamento de R$ 13 bilhões, estimados para 2026, para R$ 15 bilhões em 2027. Para avançar na distribuição, a empresa prepara sua primeira operação no Nordeste, em São Francisco do Conde, na Bahia, prevista para começar ainda em outubro.

A chegada à região abre uma nova frente comercial para um grupo que construiu sua presença principalmente no Sul e no Sudeste. A estratégia, por enquanto, é conhecer o mercado nordestino antes de definir até onde a expansão poderá chegar.

“A gente está começando a entrar no mercado do Nordeste para conhecer o mercado, onde a Potencial nunca participou. Então, estamos colocando o primeiro pé lá”, diz Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente de novos negócios, relações institucionais e comercial do grupo, em entrevista à EXAME.

A Bahia é uma das três frentes de expansão comercial da companhia. As outras estão em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde a Potencial pretende ampliar sua cobertura, e em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, onde prepara uma nova operação.

As áreas de influência das três localidades representam um mercado potencial de até 4,98 bilhões de litros de combustíveis por ano . O número dimensiona a oportunidade comercial, mas não corresponde a uma previsão de vendas da Potencial — a companhia não divulgou metas de volume ou participação de mercado para as novas operações.

O projeto integra um pacote de R$ 6,2 bilhões em investimentos até 2032 , que também prevê a construção de uma usina de etanol de milho e a ampliação da produção de biodiesel.

A expansão ocorre mais de sete décadas depois de a família Hammerschmidt entrar no comércio de combustíveis. Em 1954, Eduardo Pedro Hammerschmidt, avô do atual vice-presidente, inaugurou um posto no distrito de Mariental, na Lapa, no Paraná.

Quatro décadas depois, Arnoldo Hammerschmidt, pai de Eduardo, fundou a Potencial Petróleo, em Araucária, na região metropolitana de Curitiba.

O negócio começou na distribuição e avançou para o transporte, a comercialização e a produção de combustíveis. Hoje, Arnoldo preside o conselho do grupo, enquanto Eduardo conduz os novos negócios.

A companhia comercializa aproximadamente 100 milhões de litros de gasolina, diesel e etanol por mês e atende cerca de 2 mil postos. A rede Potencial Combustíveis possui 150 unidades bandeiradas, distribuídas entre Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Embora a abertura de novos mercados faça parte da estratégia de crescimento, a maior contribuição identificada para a meta de faturamento de 2027 deverá vir da indústria.

Segundo Hammerschmidt, a esmagadora de soja em construção no complexo da Lapa poderá acrescentar cerca de 2 bilhões de reais à receita anual do grupo. O valor corresponde à diferença entre o faturamento projetado para 2026 e a meta de 2027.

A unidade permitirá que a Potencial produza parte do óleo vegetal utilizado na fabricação de biodiesel . Na primeira fase, prevista para 2027, a esmagadora deverá produzir entre 24 mil e 25 mil toneladas de óleo por mês, suficientes para atender cerca de 30% da demanda da companhia por essa matéria-prima.

O investimento faz parte da estratégia de verticalização do grupo, que busca integrar diferentes etapas da cadeia produtiva, do processamento dos grãos à fabricação e distribuição de combustíveis.

A lógica é reduzir a dependência da compra de óleo vegetal de terceiros e aumentar a segurança de abastecimento. Mesmo com a esmagadora, porém, a Potencial continuará recorrendo ao mercado para suprir parte de suas necessidades.

A capacidade instalada de biodiesel, atualmente de 900 milhões de litros por ano, deverá chegar a aproximadamente 1,65 bilhão de litros anuais com a expansão.

A expansão da Potencial não se limita aos combustíveis. O grupo também estrutura um projeto para criar um banco voltado ao agronegócio , com o objetivo de financiar produtores rurais e fortalecer sua presença na comercialização de grãos.

“Eu não sou somente o financiador daquela operação, mas também sou o comprador do grão”, afirma Hammerschmidt.

O movimento acompanha a diversificação de um grupo que reúne sete empresas: Potencial Combustíveis, Potencial Agro, BWI Trading, BWT Transporte, Jeta Combustível, BWSP Serviços Portuários e BWS Potencial Corretora de Seguros.

A estrutura reflete uma mudança no perfil do negócio. Enquanto parte das grandes empresas de biocombustíveis nasceu no agronegócio e depois avançou para a fabricação de combustíveis, a Potencial percorre o caminho contrário.

“Eu sempre brinco que a Potencial fez o caminho inverso. Ela entrou no mercado de biocombustível não se originando do agronegócio”, afirma o executivo.

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