Entenda: Guerra política nas redes incentiva incêndios criminosos na Amazônia, diz presidente do Ibama
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19.out.2026 às 13h16 Diminuir fonte Aumentar fonte Flávio Ferreira Manaus (AM) As acusações nas redes sociais sobre as responsabilidades no combate aos incêndios na Amazônia estão incitando pessoas a colocarem fogo na floresta por motivos ideológicos, afirma o presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Jair Schmitt.
O chefe do órgão ambiental federal foi ao Amazonas na semana passada para acompanhar as ações contra o fogo que vem gerando grandes volumes de fumaça na capital do estado, e falou à Folha na superintendência do instituto em Manaus.
"O que a gente vê é uma guerra política. As pessoas estão se valendo da situação dos incêndios para atacar o governo, quando este governo foi o que mais investiu no combate aos incêndios", disse Schmitt.
Em um dos vídeos que circulam na internet, um homem vestido de brigadista em uma mata queimada critica a falta de contingente e equipamentos para conter fogo. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi um dos políticos que repostou esse conteúdo para atacar o governo Lula (PT), além de propagandear sua atuação na área ambiental.
"São declarações muito irresponsáveis, seja de um cidadão comum ou de autoridades. Isso acaba estimulando, todo esse contexto de redes sociais acaba inflando os ânimos. E muitas pessoas, às vezes, se valem disso para aumentar o caos", afirmou o presidente do Ibama sobre os vídeos.
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Como está sendo realizado o trabalho de combate aos incêndios no Amazonas pelas equipes do Ibama? Estamos atuando tanto a leste de Manaus, nos municípios de Autazes, Careiro da Várzea, Borba, Itacoatiara e Parintins, como no sul do Amazonas, em Boca do Acre, Lábrea, Apuí, Novo Aripuanã e Manicoré.
Estamos operando, junto com o ICMBio, com 330 brigadistas e 41 fiscais. Temos 11 aeronaves, incluindo uma da Força Aérea Brasileira: um KC-390, 6 aviões de lançamento de água, três helicópteros e uma aeronave para apoio logístico.
Temos ainda 32 viaturas, embarcações, equipamentos individuais de combate, bombas costais e estruturas de acampamento e logística.
Porque a fumaça gerada no interior do estado está chegando a Manaus? Esse deslocamento se deve às correntes de ar e de vento, que trazem a fumaça dos incêndios que ocorrem a leste de Manaus, mas também de outras regiões, com o oeste do Pará.
As correntes de vento carregam essa fumaça e, dadas as características atmosféricas, ela acaba estacionando na região de Manaus.
Estamos vivendo o fenômeno do El Niño, que aquece as águas do Pacífico. Isso gera seca nesta região e posterga o período da chuva. A floresta está muito seca. Qualquer fogo se propaga muito mais fácil e muito mais rápido.
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Quais são as formas de origem do fogo? Praticamente todos os incêndios têm natureza humana. Tem uma fogueira que alguém está fazendo para queimar alguma coisa e perde o controle daquilo, que vai invadindo, sai uma faísca. Isso pode ocorrer, mas é a menor parte dos casos.
Tem regiões, como o leste de Manaus, que tem gado leiteiro. A pecuária está bastante difundida na Amazônia. Aí, então, o fogo é para abertura e limpeza de áreas de pastagem. Eventualmente também tem agricultura, pequenas lavouras. O mais comum é eliminar floresta para pecuária.
E tem o incêndio intencional criminoso para promover a degradação, o desmatamento, para eliminar a floresta e ter um ganho, uma vantagem econômica. Vai limpar a área, abrir nova área para desmatamento.
Outro ponto que nossas equipes em campo observaram são pessoas intencionalmente nas beiras de estrada colocando fogo, com gasolina.
As pessoas estão se valendo da situação dos incêndios para atacar o governo, quando este governo foi o que mais investiu no combate aos incêndios
Antes de ontem, nossa equipe, que estava fazendo lançamento de água aqui perto, em direção a Autazes, flagrou, do avião, algumas pessoas com objetos na mão, colocando fogo à beira da estrada, numa propriedade de uma fazenda. Isso está sob investigação, mas é uma coisa notória, patente. Tem vários registros da Polícia Militar, do órgão estadual, do próprio Corpo de Bombeiros, dessas práticas criminosas.
Essas situações de pessoas colocando fogo com gasolina na beira de estrada podem ter alguma justificativa econômica ou podem ter motivação política? Nossa área de inteligência tem monitorado esses movimentos. Tem uma parte em que você coloca fogo criminoso para ter um ganho, uma vantagem econômica. Vai limpar a área, abrir nova área para desmatamento.
Mas pode ter alguma outra conotação, algum outro objetivo: estabelecer o caos, para ver os órgãos públicos tentarem reagir e lutar contra isso.
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A motivação dessas pessoas seria semelhante a daquelas que realizaram o chamado "dia do fogo", em que fazendeiros do Pará realizaram, em 2019, uma ação coordenada de incêndios florestais para sinalizar apoio às políticas antiambientais do então presidente Jair Bolsonaro (PL)?
Nossas equipes de inteligência, o pessoal da investigação, a Polícia Federal, a Polícia Civil e a Agência Brasileira de Inteligência estão trabalhando com a perspectiva de identificar se existe alguma orquestração, algo mais organizado e estruturado.
Mas, mesmo que não seja orquestrado, individualmente isso já é fato, já foi constatado. As pessoas estão fazendo isso intencionalmente.
Pelo que os setores de inteligência têm visto, esses atos teriam conotação eleitoral? O que a gente vê é uma guerra política. As pessoas estão se valendo da situação dos incêndios para atacar o governo, quando este governo foi o que mais investiu no combate aos incêndios.
Um exemplo disso: nós disponibilizamos este ano R$ 269 milhões de reais de orçamento para as nossas atividades de combate. Temos 2.600 brigadistas contratados no Brasil. Nunca se contratou tanto brigadista.
Esse discurso político, ideológico não apaga fogo, na verdade ele só cria mais fogo, alimenta a disputa. E as pessoas acabam se motivando ideologicamente para colocar mais fogo.
Esses ruídos [de ataques nas redes] acabam inflando a população, inflando mobilizações ideológicas e isso não apaga fogo
Um vídeo de uma pessoa vestida de brigadista, dizendo estar sem equipamentos para apagar o fogo, foi usado nas redes sociais para acusar o governo Lula de incompetência, descaso e hipocrisia. Vídeos como esse podem estimular incêndios criminosos? Sim. São declarações muito irresponsáveis, seja de um cidadão comum ou de autoridades. Isso acaba estimulando, todo esse contexto de redes sociais acaba inflando os ânimos. E muitas pessoas, às vezes, se valem disso para aumentar o caos.
Um desses posts foi usado pelo governador de São Paulo, Tarciso de Freitas, para atacar o governo federal. Como vê esse fato? Isso é totalmente desnecessário. São coisas que não revelam a realidade, um desconhecimento do que está ocorrendo e de como está ocorrendo.
Todos têm que estar unidos para o enfrentamento dos incêndios. Essas declarações não apagam o fogo. Essas declarações alimentam mais fogo. Fogo político, fogo amigo, brigas. Não contribuem para que a gente atue de maneira mais coordenada.
Um oficial do Corpo de Bombeiros do Amazonas afirmou à imprensa que pediu quatro aviões ao governo federal para combater os incêndios na floresta, mas não foi atendido. Isso ocorreu? Acho que é uma polêmica desnecessária. Ela não gera solução, ela gera problema, gera cisânia, até porque ela é injusta, imprecisa e incorreta.
O Ministério da Justiça não é o órgão provedor de aernaves do governo federal. A lei estabelece que o fluxo tem um protocolo. E quando isso foi tratado, foi dado encaminhamento, não só a aeronave, mas também pessoal.
Esses ruídos acabam inflando a população, inflando mobilizações ideológicas e isso não apaga fogo; na verdade, cria mais problema.
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