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Panorama: Sob pressão, Macron admite ‘falhas’ na gestão policial dos distúrbios na França

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por CartaCapital 19 de outubro de 2026 às 13:54
Via CartaCapital
Panorama: Sob pressão, Macron admite ‘falhas’ na gestão policial dos distúrbios na França
Foto: Foto: CartaCapital
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Sob pressão, Macron admite ‘falhas’ na gestão policial dos distúrbios na França Ações do último sábado tiveram milhares de detidos e presos

Uma grande manifestação convocada no sábado contra o elevado custo de vida terminou em distúrbios e saques nas principais cidades da França, onde foram registradas cenas de caos que deram a volta ao mundo.

Centenas de lojas saqueadas, a prefeitura de Limoges incendiada e a sede da prefeitura de Marselha danificada, carros queimados, confrontos entre manifestantes e as forças de segurança: as autoridades descreveram um caos “sem precedentes”, que prosseguiu durante a noite de domingo.

A seis meses da eleição presidencial, na qual Macron não poderá ser candidato, as cenas do fim de semana deixaram o governo contra a parede, acusado de não ter antecipado o risco de distúrbios, nem de responder às reivindicações dos manifestantes.

“O poder desertou por completo”, criticou o presidente do partido de ultradireita Reagrupamento Nacional (RN), Jordan Bardella, cuja candidata à presidência, Marine Le Pen, lidera as pesquisas.

“Se há vândalos é porque há movimentos sociais e porque existe uma forma de degradação do movimento social, que é organizada pelo governo”, lamentou o prefeito de Paris, o socialista Emmanuel Grégoire.

O movimento dos coletes amarelos, por trás da mobilização de 17 de outubro, anunciou novos protestos para o próximo sábado.

O presidente de centro-direita reconheceu “falhas na antecipação e na inteligência” que resultaram nos recentes distúrbios, mas rejeitou o pedido de demissão do ministro do Interior, Laurent Nuñez.

Macron ordenou a Nuñez que implemente “o mais rápido possível novos modos operacionais” para que a polícia possa “acabar com os fenômenos de barricadas e saques”, acrescentou a presidência.

O ministro do Interior reconheceu a perda de controle da polícia em “algumas cidades” durante os protestos, que resultaram em mais de 2.500 detenções e quase 1.000 integrantes das forças de segurança feridos.

O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, apresentou um ‘mea culpa’ ao reconhecer que as autoridades “falharam indiscutivelmente”. Ele atribuiu os protestos à “extrema esquerda”, que considera uma “ameaça” para o país.

As autoridades proibiram nesta segunda-feira “concentrações e manifestações” em Marselha, a segunda maior cidade da França e onde, segundo a prefeitura, foram registrados até 30.000 saqueadores.

Em um aguardado discurso exibido na televisão durante a noite de domingo, assistido por 16,7 milhões de telespectadores, Macron reiterou sua firmeza contra os vândalos, que segundo ele “pagarão” e “responderão” por seus atos.

Mas ele não fez nenhum anúncio para amenizar o mal-estar social dos entre 550.000 e 800.000 manifestantes que protestaram contra o aumento do custo de vida ou para exigir mais recursos para a educação, embora tenha pedido que eles não sejam confundidos com os responsáveis pelos distúrbios.

O mandatário manteve, no entanto, a viagem que estava programada nesta segunda-feira para o Oriente Médio, com o objetivo de assegurar volumes de petróleo e diesel para baixar os preços no país.

A situação continua tensa e vários manifestantes bloquearam nesta segunda-feira o acesso ao Louvre, em apoio ao movimento estudantil e para denunciar “a repressão policial”, informaram à AFP dois sindicatos e a direção do museu mais visitado do mundo.

Nos últimos meses turbulentos de sua presidência, Emmanuel Macron e seu governo também enfrentam uma pressão no cenário internacional, provocada pelo nível elevado da dívida, ao qual se somam agora os distúrbios e saques na França.

A Bolsa de Paris operava em queda de 1,23% nesta segunda-feira, com os temores sobre a dívida no momento em que o governo, em minoria, tenta aprovar no Parlamento um orçamento para 2027 que prevê um forte ajuste fiscal de 54 bilhões de euros (60,7 bilhões de dólares, 306 bilhões de reais).

A violência “não vai ajudar a comunidade internacional a sentir-se plenamente à vontade para comprar” os títulos do Estado francês, advertiram analistas do Deutsche Bank.

AFP Agência de notícias francesa, uma das maiores do mundo. Fundada em 1835, como Agência Havas.

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