Atualização: Quer começar a investir ainda em 2026? Veja por onde começar
Antes de procurar rentabilidade, é preciso organizar as contas, conhecer os riscos e aprender a guardar dinheiro
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Consulte formatos e valores disponíveisQuer começar a investir ainda em 2026? Veja por onde começar Pesquisa da Anbima aponta que 23,2 milhões de brasileiros pretendem começar a investir em 2026. Antes de procurar rentabilidade, é preciso organizar as contas, conhecer os riscos e aprender a guardar dinheiro (Natee Meepian / EyeEm/Getty Images)
Guilherme Santiago Repórter de Projetos Especiais
Publicado em 19 de outubro de 2026 às 11h31 .
Priorizar nos meus resultados Google O dinheiro tem uma qualidade curiosa: quando falta, ocupa todos os pensamentos; quando sobra, ainda que um pouco, começa a produzir dúvidas. Deixar na conta? Comprar dólares? Aplicar naquele investimento que um conhecido garante ser imperdível? O mercado financeiro, sempre disposto a oferecer respostas, raramente começa pela pergunta mais importante: para que servirá esse dinheiro?
A dúvida deve ganhar novos interessados. Segundo a nona edição do Raio X do Investidor Brasileiro , realizada pela Anbima em parceria com o Datafolha, 23,2 milhões de brasileiros que não investem pretendem começar em 2026 . Se consideradas também as pessoas que planejam abandonar as aplicações, o saldo potencial é de 8,7 milhões de novos investidores.
A pesquisa, feita com mais de 5 mil pessoas, revela um país mais interessado em investir, embora nem sempre preparado para isso. Em 2025, apenas 33% dos brasileiros conseguiram economizar alguma quantia. E só 36% tinham aplicações financeiras.
O primeiro obstáculo, portanto, não é descobrir a diferença entre um CDB e um título público. É conseguir fazer sobrar dinheiro.
Há uma etapa pouco glamourosa na construção de patrimônio: gastar menos do que se recebe. Não rende fotografias, não inspira vídeos motivacionais e costuma exigir renúncias bastante concretas.
Entre os brasileiros que conseguiram economizar em 2025, 44% reduziram gastos com lazer e 22% evitaram compras desnecessárias, segundo a Anbima. A parcela que adotou o hábito de guardar parte do salário mensalmente, porém, cresceu de 11% para 20% em cinco anos.
Para quem pretende começar, o orçamento é o primeiro documento a consultar. Identificar despesas, estabelecer um valor possível para guardar e evitar dívidas caras costuma ser mais útil do que procurar imediatamente a aplicação mais rentável.
O planejamento também precisa comportar os imprevistos. A mesma pesquisa mostra que 31% dos brasileiros não possuem reserva de emergência . Outros 43% têm recursos que se esgotariam em até seis meses.
A reserva funciona como uma espécie de seguro para a vida cotidiana: pagar um conserto, cobrir uma despesa inesperada ou sustentar a casa durante um período sem renda.
O ideal é mantê-la em aplicações de baixo risco e fácil resgate. Tesouro Selic e determinados CDBs com liquidez diária são alternativas possíveis, desde que observadas suas condições. Como referência, pode-se buscar o equivalente a três a seis meses de despesas essenciais, ou mais, conforme a estabilidade da renda.
Resolvida a reserva, chega a hora de escolher onde aplicar. E aqui surge uma inconveniência para quem espera respostas definitivas: não existe investimento universalmente melhor.
O dinheiro destinado a uma viagem no próximo ano exige cuidados diferentes daquele reservado para a aposentadoria. Prazo, risco e possibilidade de resgate importam tanto quanto o rendimento.
Na renda fixa, o investidor conhece previamente as regras de remuneração. O Tesouro Direto oferece títulos públicos; os CDBs são emitidos por bancos. Alguns acompanham indicadores de juros, outros oferecem taxas prefixadas ou remuneração ligada à inflação.
A renda fixa, contudo, não está livre de riscos. Títulos vendidos antes do vencimento podem sofrer oscilações de preço. CDBs também dependem da capacidade de pagamento da instituição emissora, embora determinados produtos contem com proteção do Fundo Garantidor de Créditos, dentro dos limites previstos.
A renda variável, que inclui ações e fundos imobiliários, acrescenta oscilações mais evidentes e não garante retorno. Pode integrar uma carteira, mas exige compreensão dos riscos e prazo compatível.
O iniciante não precisa comprar um pouco de tudo para parecer sofisticado, mas precisa compreender aquilo que compra.
O conhecimento financeiro avançou, mas ainda encontra limites. A Anbima identificou que 43% da população consegue mencionar espontaneamente algum produto de investimento, ante 28% em 2021. Apesar disso, apenas um em cada cinco brasileiros já participou de uma atividade de educação financeira.
A internet ajuda a preencher essa lacuna, nem sempre com o mesmo rigor. Entre investidores, o YouTube é o canal mais citado para buscar informações sobre produtos financeiros. Assistentes de inteligência artificial já são utilizados por 9%.
A facilidade de encontrar recomendações não elimina a necessidade de verificá-las. Antes de aplicar, convém conferir a instituição responsável, as taxas cobradas, a tributação, os prazos e as condições de retirada.
O Relatório de Cidadania Financeira 2025, do Banco Central, oferece outra medida desse contraste. Ao final de 2024, 96,4% dos adultos brasileiros tinham uma conta bancária ou de pagamento. Estar conectado ao sistema financeiro, porém, não significa saber utilizar todos os seus produtos.
O mercado gosta de celebrar ganhos excepcionais. A construção de patrimônio, por sua vez, costuma depender de acontecimentos menos espetaculares: guardar um pouco, repetir o gesto no mês seguinte e permitir que o tempo faça parte do trabalho.
O iniciante pode começar com valores modestos, desde que respeite suas condições financeiras. Também deve lembrar que rentabilidade anunciada não é necessariamente ganho líquido: impostos, taxas e inflação podem reduzir o resultado.
Investir exige aprender a conviver com três limitações. Nem todo dinheiro pode ficar aplicado por anos. Nem todo risco merece ser assumido. E nenhuma promessa de retorno dispensa uma leitura cuidadosa.
Talvez por isso o primeiro investimento importante aconteça antes de qualquer transferência para uma corretora. É a decisão de dar uma finalidade ao dinheiro.
O resto, com alguma disciplina, pode vir depois.
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