Panorama: Conhecer bem um colega de trabalho pode atrapalhar decisões. Professora de Harvard explica por quê
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Consulte formatos e valores disponíveisConhecer bem um colega de trabalho pode atrapalhar decisões. Professora de Harvard explica por quê Para Leslie John, conhecer a personalidade de um colega não significa saber o que ele pensa da decisão de hoje Raphaela Seixas Redatora
Priorizar nos meus resultados Google Conhecer bem alguém pode atrapalhar uma decisão a dois. Para Leslie John, professora da Harvard Business School, um dos erros de comunicação mais comuns entre sócios e parceiros de trabalho é confundir familiaridade com acesso à mente do outro.
Como já se conhecem os traços de personalidade do colega, deixa-se de perguntar o que ele pensa sobre a decisão em jogo. Em artigo na CNBC Make It, ela afirma que tentar imaginar a perspectiva alheia não torna ninguém mais preciso, e que a saída é perguntar.
John parte do caso de David Ellison e Ynon Kreiz, que vão dividir o comando da Skydance, conglomerado de mídia que, segundo ela, vai reunir a Paramount Skydance e a Warner Bros. Discovery. A dupla terá de decidir como integrar as empresas e como distribuir recursos entre cinema, televisão, streaming e jornalismo. Ter dois CEOs pode melhorar essas escolhas. Também pode piorá-las.
Com a convivência, as pessoas aprendem os traços estáveis umas das outras: ela é otimista, ele é cauteloso. O problema, segundo John, é tomar essa familiaridade como acesso ao que o outro pensa a cada momento. Quem acha que já sabe para de perguntar e de aprender.
Conhecer o jeito de ser de alguém, explica a professora, é diferente de saber o que essa pessoa pensa sobre a decisão daquele dia. John classifica o erro como traiçoeiro justamente por ser difícil de notar.
A recomendação dela é simples: chegar a qualquer reunião com o parceiro levando algumas perguntas preparadas.
“Se você não está fazendo nenhuma pergunta, provavelmente está se apoiando só em suposições”, diz John.
Antes de entrar em assuntos delicados, John sugere definir os papéis: quem aconselha, quem dá a palavra final ou se os dois precisam concordar para seguir em frente. Com isso acertado, questionar o raciocínio do outro deixa de parecer uma tentativa de minar sua autoridade.
Um líder sozinho pode deixar suposições, dúvidas e prioridades em conflito girando na cabeça enquanto ainda tomam forma. Com um parceiro, seja um sócio, um cofundador ou um colaborador antigo, isso não funciona.
“O que pode parecer excesso de comunicação muitas vezes é o mínimo necessário”, diz a professora, que repete a frase para os executivos a quem dá aula em Harvard.
Entre parceiros, John defende perguntas como “por que você acredita nisso?”, “qual é o seu grau de certeza?”, “o que eu estou deixando passar?” e “o que nós não estamos dizendo?”. Responder a elas é mais difícil do que parece, porque ninguém consegue comunicar algo que ainda não reconheceu em si mesmo.
Daí o conselho que, segundo a própria autora, soa contraintuitivo: não esperar que as ideias estejam claras para compartilhá-las. Falar em voz alta é a melhor forma de entendê-las.
Isso não transforma a reunião em sessão de terapia, ressalva John. Os números contam só parte da história, e as hesitações e apostas pessoais de cada um também entram na decisão, mesmo quando ainda não estão bem formuladas. Uma forma prática de abrir espaço é combinar que os primeiros 15 minutos da reunião serão para despejar ideias sem filtro, como um rascunho.
Para John, o fato de Ellison e Kreiz trabalharem juntos há pouco tempo pode ajudar. Parceiros novos sabem que precisam se explicar e perguntar. O desafio é manter o hábito quando a convivência cria a sensação de que já se sabe tudo.
A lógica não se limita a co-CEOs. Vale para o colega com quem se divide um projeto, para o gestor com quem se trabalha há anos e para qualquer decisão tomada a dois. Perceber as próprias dúvidas a ponto de conseguir dizê-las e perguntar em vez de presumir são habilidades ligadas à autoconsciência e à empatia, pilares da inteligência emocional.
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Conhecer alguém há anos não dispensa a pergunta de hoje.
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