Panorama: Chilli Beans entra para lista de empresas que recorreram à recuperação em 2026; veja os casos
A empresa é mais uma a recorrer ao mecanismo em meio a dificuldades financeiras.
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/N/h/nDUW4MQ5yCK3wdH5uJ7Q/073e85f9-b878-4f4c-a9cd-024c4a056a43.png)
Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisNeste sábado (31), a rede brasileira de óculos e relógios Chilli Beans entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 340 milhões em dívidas bancárias. A empresa é mais uma a recorrer ao mecanismo em meio a dificuldades financeiras.
O plano, alinhado com os principais credores da companhia, prevê novos prazos e condições de pagamento, além de um aporte de até R$ 50 milhões para financiar a reestruturação do negócio.
Segundo a empresa, as dívidas com fornecedores, funcionários e demais parceiros não estão incluídas no plano. A negociação envolve os débitos financeiros da companhia com instituições bancárias.
A rede de óculos, no entanto, não está sozinha na luta contra as dívidas. Recentemente, o Grupo Gennius, dono das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall, pediu recuperação judicial, enquanto a petroquímica Braskem também protocolou pedido de recuperação extrajudicial.
Considerando todo o ano de 2026, já são 13 pedidos de recuperação judicial ou extrajudicial.
🔎 A recuperação judicial permite que empresas renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. Já na recuperação extrajudicial, a companhia negocia a reorganização das dívidas diretamente com os credores. Nos dois casos, o objetivo é evitar a falência e criar condições para que a empresa continue funcionando.
As dificuldades financeiras têm atingido empresas de diversos setores, como saúde, indústria e energia. A maior concentração de casos, no entanto, está no varejo e no consumo.
“É no varejo de bens duráveis que dói mais, e por um motivo simples: ele é atingido pelas duas pontas do negócio ao mesmo tempo", afirma André Matos, CEO da MA7 Capital.
O especialista explica que, de um lado, os varejistas enfrentam dívidas mais caras e precisam manter estoques elevados. Do outro, os consumidores dependem de parcelamentos para comprar. A combinação desses dois fatores pressiona o setor.
Para Matos, porém, os pedidos de recuperação não representam um risco sistêmico. “Esses casos foram amplamente telegrafados, com ressalva de auditor, patrimônio negativo e reestruturação anterior. Ou seja, não foram surpresa.”
Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que a onda de recuperações deve continuar, mas não representa, por ora, uma ameaça mais ampla a consumidores e à economia.
"Se as medidas econômicas não forem firmes, até pode haver retrocesso em pontos como qualidade de emprego e renda. Mas não vejo como um risco imediato", aponta Júlio Moretti, CEO da NEOT, especializada em dados sobre recuperações na Justiça.
Ele estima que o cenário turbulento para as empresas deve se prolongar pelos próximos 2 ou 3 anos. “É consenso que não se trata de algo que vai durar pouco tempo”, acrescenta.
Juros elevados; endividamento acumulado desde a pandemia; dificuldade de acesso ao crédito; e mudança no comportamento dos consumidores.
Para Cristina de Mello, professora da PUC-SP, os problemas financeiros das empresas podem ter origens diferentes, ainda que alguns fatores se repitam. “A gente não pode associar a todas o mesmo problema. Tem causas comuns, sim, mas há causas muito específicas e muito particulares”, afirma.
No caso da Marabraz, por exemplo, ela cita conflitos societários e familiares que comprometeram a renovação de linhas de financiamento e dificultaram o acesso a crédito.
O cenário também é especialmente difícil para companhias do varejo porque muitas trabalham com margens estreitas. “São empresas que precisam muito de capital de giro”, diz Mello.
🔎 Capital de giro é o dinheiro que uma companhia precisa para pagar suas contas e manter as operações.
Segundo Eduardo Terra, fundador da BTR Retail, o momento em que as dívidas foram contraídas ajuda a explicar parte dos problemas. Ele afirma que diversas empresas cresceram no período pós-pandemia recorrendo a empréstimos na expectativa de recuperar os lucros de antes da Covid-19. Depois, porém, se depararam com um custo maior do que o previsto para pagar essas dívidas.
“[A taxa Selic] veio aumentando por uma série de motivos econômicos e chegou a 15%. Agora, está em um ciclo lento de baixa. O problema é que o endividamento dessas empresas, que cresceram durante a pandemia, ficou muito caro”, explica.
E não é só isso. O Grupo Gennius, do Habib's, afirmou em seu pedido de recuperação que a mudança no comportamento dos consumidores depois da quarentena foi um dos fatores responsáveis pela crise financeira. Para os restaurantes, o aumento dos pedidos por delivery e a menor circulação de pessoas nas unidades contribuíram para o fechamento de diversas lojas.
Paula Sauer, professora da FIA Business School, afirma que a rede enfrenta custos elevados com matérias-primas, energia, salários e aluguel, enquanto atua em um segmento de preços baixos e com muitas opções para o consumidor.
Relembre abaixo os casos e as empresas em dificuldades financeiras.
O Grupo Toky, dono das marcas Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial para reorganizar cerca de R$ 1 bilhão em dívidas.
A empresa vinha enfrentando dificuldades financeiras desde a pandemia, quando fechou mais de 17 lojas, e afirmou que o cenário do setor de móveis e decoração agravou os problemas.
Valor: cerca de R$ 1 bilhão em dívidas. Situação: o grupo afirmou que o caixa estava pressionado e pediu medidas urgentes para garantir a continuidade das operações. Mais de 2 mil funcionários tiveram os salários ameaçados pelo bloqueio de valores de vendas no cartão. Motivos: juros altos, endividamento das famílias, crédito mais restrito, queda nas vendas e dificuldades financeiras acumuladas desde a pandemia.
O Grupo Hortus, controlador do St Marche, entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar R$ 574,3 milhões em dívidas. A rede também acertou sua venda ao grupo chileno Cencosud, operação que depende da aprovação da Justiça e do Cade.
Valor: R$ 574,3 milhões. Situação: a rede mantém 32 lojas em São Paulo. A venda para a Cencosud foi acertada paralelamente ao pedido de recuperação. Motivos: aumento do endividamento, juros altos, menor oferta de crédito e falta de caixa para cumprir compromissos de curto prazo. A empresa já havia tentado uma recuperação extrajudicial, suspensa em fevereiro.
Uma das maiores redes de tratamento contra o câncer do país, a Oncoclínicas entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras. Segundo a empresa, o processo não interrompe o atendimento aos pacientes nem as atividades do dia a dia.
Valor: cerca de R$ 5,1 bilhões. Situação: credores que representam cerca de 37% das dívidas incluídas no plano já haviam aderido. A empresa segue negociando com os demais. Motivos: queda no número de procedimentos, aumento dos custos, problemas com medicamentos, dívida elevada e dificuldade para gerar caixa.
A Alliança Saúde entrou na Justiça com um plano de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 1,1 bilhão em dívidas. A proposta prevê diferentes formas de pagamento aos credores, incluindo a conversão da maior parte da dívida em participação na empresa.
Valor: cerca de R$ 1,1 bilhão. Situação: mais de 83 credores já haviam aderido ao plano, representando cerca de 54% das dívidas incluídas. Motivos: endividamento elevado, falta de caixa, problemas na cobraça dos planos de saúde e mudança de controle da companhia.
A rede de móveis Marabraz protocolou pedido de recuperação judicial para reorganizar as finanças e renegociar cerca de R$ 140 milhões em dívidas. A empresa afirmou que as lojas continuam funcionando normalmente.
Valor: cerca de R$ 140 milhões. Situação: a empresa pretende preservar empregos e manter as relações com clientes, fornecedores e parceiros. Motivos: dificuldades no varejo, ruptura na estrutura familiar que dava suporte às operações e dificuldade de acesso ao crédito.
O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial para reorganizar as finanças e renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. A medida é resultado de um processo de reestruturação iniciado em 2023, que incluiu fechamento de lojas e redução de funcionários.
Valor: cerca de R$ 17,3 bilhões. Situação: em agosto, a companhia demitiu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas. No segundo trimestre, registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões. Motivos: juros elevados, crédito restrito, aumento do custo financeiro, enfraquecimento do consumo e dificuldade para concluir operações de captação de recursos.
A Braskem, uma das maiores petroquímicas do país, protocolou pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões (R$ 56 bilhões) em dívidas. O valor chega a aproximadamente R$ 187,1 bilhões quando são incluídas dívidas entre empresas do próprio grupo.
Valor: US$ 10,9 bilhões (R$ 56 bilhões) em dívidas incluídas na recuperação; cerca de R$ 187,1 bilhões considerando também as dívidas entre empresas do grupo. Situação: o pedido teve apoio de credores que representam 39,6% dos créditos incluídos. A empresa agora negocia para ampliar esse apoio. Motivos: custos relacionados ao desastre geológico em Maceió e piora do mercado petroquímico global, com aumento da produção, queda dos preços e menor força do consumo.
Esse é o pedido de recuperação mais recente. Dono das marcas Habib's, Ragazzo e Tendall, o Grupo Gennius entrou com pedido de recuperação judicial para reorganizar R$ 265,2 milhões em dívidas. As lojas próprias continuam funcionando normalmente, enquanto as franquias ficaram fora do processo.
Valor: R$ 265,2 milhões. Situação: o processo reúne 178 empresas e dois produtores rurais. O grupo mantém 119 lojas próprias do Habib's, 26 do Ragazzo e seis unidades Tendall. Motivos: efeitos da pandemia, mudanças no comportamento dos consumidores e juros altos.
Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisMatérias Relacionadas
falece Solano Ribeiro, produtor dos históricos festivais da MPB, aos 87 anos
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
Panorama: Após reeleição de Lula, mercado eleva previsão de inflação para 5,3% em 2027
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
Panorama: Incêndio de grandes proporções atinge área protegida em Alter do Chão e fogo é parcialmente contido
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.



