Panorama: Canetas emagrecedoras mudam o carrinho de compras e dão força às fibras
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Consulte formatos e valores disponíveisApresentado por FUGINI Canetas emagrecedoras mudam o carrinho de compras e dão força às fibras Estudo aponta queda de 5,3% nos gastos com alimentos após início do uso de medicamentos para emagrecer e coloca a qualidade nutricional no centro das atenções Popularização das canetas emagrecedoras muda hábitos de consumo e amplia a atenção à qualidade nutricional dos alimentos (Isabel Pavia/Getty Images)
Última atualização em 28 de outubro de 2026 às 17h57.
Priorizar nos meus resultados Google A popularização de medicamentos para emagrecer, como Ozempic e Wegovy, começa a mudar o que os consumidores colocam no carrinho do supermercado. Nos Estados Unidos, famílias que iniciaram o uso desses remédios passaram a gastar menos com alimentos. Doces, biscoitos e salgadinhos perderam espaço, enquanto categorias como iogurtes e frutas frescas registraram aumento nos gastos.
A mudança foi identificada em um estudo da Universidade Cornell, publicado em dezembro de 2025. A pesquisa analisou dados de compras de famílias americanas e informações sobre o uso de medicamentos da classe GLP-1, que imitam a ação de um hormônio envolvido na regulação do apetite e da saciedade.
Nos seis primeiros meses após o início do tratamento, as despesas com alimentos em supermercados caíram, em média, 5,3%. Entre as famílias de maior renda, a redução chegou a 8,2%. Os gastos em redes de fast-food, cafeterias e outros estabelecimentos de alimentação rápida recuaram cerca de 8%.
A queda nos gastos, porém, não significa necessariamente que as famílias passaram a comprar 5,3% menos alimentos em volume. O indicador considera o dinheiro desembolsado, que também varia conforme os preços e os produtos escolhidos. Ainda assim, os resultados apontam mudanças nas preferências de consumo, com recuos mais acentuados em algumas categorias, como salgadinhos, doces e biscoitos.
Os resultados chamam a atenção da indústria de alimentos. Se o consumidor sente menos fome e reduz os gastos no supermercado, a composição nutricional do que permanece no carrinho ganha relevância. Para os fabricantes, o desafio é oferecer produtos que conciliem praticidade, sabor, preço e qualidade nutricional.
A Fugini, fabricante brasileira de alimentos, acompanha essa discussão por meio da revisão de formulações e processos industriais. Com fábricas em Monte Alto, no interior paulista, e Cristalina, em Goiás, a empresa produz molhos de tomate, milho, ervilha, condimentos e doces, entre outras categorias. Desde 2016, vem trabalhando para reduzir ou retirar ingredientes como açúcar, gordura, sal e conservantes de diferentes produtos.
Segundo a companhia, 72% de seu portfólio não contém conservantes. Na linha de atomatados, a conservação utiliza processos térmicos, como a pasteurização, combinados a embalagens desenvolvidas para proteger os alimentos.
A revisão das formulações faz parte de uma discussão mais ampla sobre como conciliar praticidade e composição nutricional. Em um cenário de mudanças nas escolhas alimentares, ingredientes versáteis podem facilitar o preparo de refeições variadas sem exigir uma transformação radical da rotina.
As fibras alimentares têm funções diferentes no organismo. Como não são totalmente digeridas, algumas ajudam a regular o trânsito intestinal, enquanto outras são fermentadas por bactérias benéficas que vivem no intestino. Dependendo do tipo, também podem contribuir para a saciedade e para o controle da glicose e do colesterol.
A atenção ao nutriente também aparece nas recomendações para quem utiliza medicamentos GLP-1. Em maio de 2025, quatro organizações internacionais divulgaram orientações conjuntas para pacientes em tratamento. O documento destaca que perder peso não significa necessariamente estar bem nutrido.
Como esses medicamentos reduzem o apetite, o acompanhamento profissional é importante para garantir a ingestão adequada de proteínas, vitaminas, minerais e outros nutrientes, além de preservar a massa muscular.
As fibras também fazem parte desse cuidado, embora a quantidade ideal varie de pessoa para pessoa e deva considerar a tolerância individual, sobretudo entre pacientes com desconfortos gastrointestinais.
Para quem não utiliza esses medicamentos, a recomendação de manter uma alimentação variada continua valendo. E não é preciso recorrer a produtos caros ou fórmulas especiais para aumentar a ingestão desses nutrientes. Feijão, lentilha, grão-de-bico, aveia, milho, ervilha, frutas e vegetais são fontes que podem entrar em diferentes refeições.
Milho, ervilha e cenoura, presentes no portfólio da Fugini, são fontes de fibras e podem ser incluídos em saladas, acompanhamentos e pratos quentes. Já os molhos de tomate funcionam como base para receitas com legumes e leguminosas, como grão-de-bico, que contribui para a ingestão desse nutriente.
A discussão sobre qualidade nutricional também passa pelos hábitos alimentares brasileiros. A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que arroz e feijão permaneciam entre os alimentos mais consumidos no país, mas também identificou consumo insuficiente de frutas, verduras e legumes.
Preço, disponibilidade e tempo para cozinhar influenciam nessas escolhas. Na prática, ingredientes acessíveis e fáceis de incorporar à rotina podem facilitar a preparação de refeições variadas.
Para os fabricantes, isso significa considerar não apenas a composição dos produtos, mas também a conveniência e as formas de consumo. Alimentos que podem ser combinados com ingredientes frescos e outras fontes de fibras ampliam as possibilidades de preparo, embora a qualidade nutricional dependa do conjunto da refeição.
Nesse cenário, a revisão de receitas e processos industriais pode ser uma das respostas às novas demandas. Para empresas como a Fugini, que trabalha com categorias presentes no cotidiano dos brasileiros, o desafio é acompanhar a evolução das preferências sem perder de vista fatores decisivos para a compra, como preço, sabor e praticidade, destacando-se a busca crescente por saudabilidade, impulsionada pelo aumento da demanda por produtos clean label, sem conservantes e livres de sódio e açúcar.
Ainda é cedo para saber quais mudanças no consumo serão permanentes. O estudo de Cornell identificou que, entre as famílias que interromperam o uso dos medicamentos, os gastos com alimentos voltaram a se aproximar dos níveis anteriores ao tratamento.
Isso não diminui a importância do fenômeno para o setor. A popularização dos GLP-1 amplia a discussão sobre tamanho das porções, composição nutricional e escolhas alimentares. Para fabricantes e varejistas, acompanhar essas mudanças será importante para entender quais preferências devem permanecer e como responder a elas.
Feijão, aveia, frutas, milho, ervilha e vegetais já fazem parte da rotina de muitos brasileiros. Ampliar a variedade e combinar esses ingredientes de maneira equilibrada continua sendo um caminho para melhorar a qualidade nutricional das refeições.
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