Atualização: ‘Perder eleição não é motivo para asilo’, dizem deputados democratas sobre Flávio
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Consulte formatos e valores disponíveis‘Perder eleição não é motivo para asilo’, dizem deputados democratas sobre Flávio Acolhida nos EUA expõe contradições da política migratória de Trump e vira munição contra o presidente republicano nas eleições de meio de mandato
'Trump deve explicações ao Congresso' por ajudar Flávio a fugir do Brasil, avalia o deputado Joaquin Castro. Foto: Kayla Bartkowski/Getty Images/AFP Apoie Siga-nos no let intervalNews = setInterval(() => { if (!document.querySelector('.s-content__share--news')) return; clearInterval(intervalNews); document.querySelector('.s-content__share--news').addEventListener('click', function() { gtag('event', 'Google Discover', { 'event_category': 'googleNews', 'event_action': 'click', 'event_label': "perder-eleicao-nao-e-motivo-para-asilo-dizem-deputados-democratas-sobre-flavio" }); }) }, 500); let intervalApoio = setInterval(() => { if (!document.querySelector('.support-btn')) return; clearInterval(intervalApoio); document.querySelector('.support-btn').addEventListener('click', function() { gtag('event', 'Apoio', { 'event_category': 'Apoio', 'event_action': 'click', 'event_label': "perder-eleicao-nao-e-motivo-para-asilo-dizem-deputados-democratas-sobre-flavio" }); }) }, 100); a.bets-container { background: #df2c2a; padding: 0.5rem 0 0.5rem 2rem; border-radius: 0.4rem; } a.bets-container:hover { background: #df2c2a; transition:.5s; } a.bets-container img { max-width: 50px; } a.bets-container span { font-family: work sans, sans-serif; font-size: 32px; font-weight: 600; color: #fff; text-align: center; display: block; margin: 15px auto 0 auto; transition:.5s; } Eleições 2026!function(){let e=document.createElement("script");e.src="https://readme.ai/static/widget/cartacapital.js",document.body.appendChild(e)}(); De Nova York
Houve um tempo em que, nos filmes hollywoodianos, bastava um personagem anunciar que fugiria para o Brasil para o público entender o resto. Com a polícia em seu encalço e uma mala de dinheiro nas mãos, o destino prometia distância da Justiça norte-americana.
Na história do candidato derrotado nas eleições brasileiras no último domingo, 25, Flávio Bolsonaro, os papéis se inverteram. O senador deixou o país em descumprimento de uma ordem judicial e encontrou, nos Estados Unidos de Donald Trump, a promessa de acolhimento — e impunidade.
Ironia do destino: o governo que faz da perseguição a imigrantes uma bandeira abriu as portas para um aliado investigado em três inquéritos no Brasil. Um apura o financiamento do filme Dark Horse com recursos do Banco Master, outro esmiúça operações financeiras ligadas a casas de apostas e o terceiro trata de publicações nas redes sociais. As investigações envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro, organização criminosa, evasão de divisas, corrupção ativa e passiva, ocultação de bens e calúnia.
O desembarque em Miami, na manhã desta quarta-feira 28, deu imagem e endereço à fuga. A chegada do segundo filho de Jair Bolsonaro aos EUA, acompanhado da mulher e das filhas, foi noticiada em tempo real em redes de tevê como ABC News e NBC Miami, além de ganhar destaque nos jornais New York Times e Washington Post. O Departamento de Estado havia anunciado na terça-feira 27 que concederia vistos à família.
Na madrugada de quarta-feira, antes do desembarque de Flávio em Miami, o presidente Donald Trump manifestou apoio à sua entrada nos Estados Unidos. Ao retornar de uma viagem de campanha ao Texas, o presidente foi questionado por jornalistas na pista da Base Conjunta Andrews, em Maryland, sobre a vinda do senador. “Bem, eu aprovaria. Acho que são boas pessoas”, respondeu. Trump disse conhecer Flávio “um pouco” e afirmou ter ouvido que ele estava na Argentina.
A recepção calorosa está longe, porém, de ser uma unanimidade em Washington. Críticas que começaram tímidas, na terça-feira, ganharam força com a confirmação da chegada. Às vésperas das eleições de meio de mandato, em 3 de novembro, democratas passaram não apenas a expor, mas usar em suas campanhas, uma contradição politicamente incômoda para a Casa Branca: o rigor migratório do presidente parece admitir exceções quando o beneficiado pertence ao seu círculo de aliados.
“Perder eleição não é motivo para asilo. Ainda assim, o governo Trump está dando abrigo a Flávio Bolsonaro nos EUA. No Brasil, ele está sob investigação por suposta corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e recebeu ordem para entregar seus passaportes. O governo Trump deve explicações ao Congresso sobre seu papel em ajudar Bolsonaro a fugir do Brasil em violação à legislação brasileira”, escreveu Joaquin Castro, deputado democrata pelo Texas.
Em nota divulgada nesta quarta-feira, a Polícia Federal esclareceu que Flávio não é alvo de mandado de prisão, mas que investiga as circunstâncias do descumprimento das ordens judiciais. Também informou não haver registro oficial de sua saída pelos postos de controle migratório brasileiros.
Ainda assim, a distinção jurídica não tornou mais suaves as palavras de Jim McGovern, deputado por Massachusetts. “Flávio Bolsonaro é um cidadão estrangeiro sob investigação criminal. Rubio está agindo em conluio com ele para escapar da Justiça. Fascistas covardes e capangas autoritários costumavam fugir para a Rússia ou a Arábia Saudita para escapar da responsabilização. Este governo os recebe nos Estados Unidos. Repugnante”, publicou em sua conta no X.
Morgan McGarvey, deputado pelo Kentucky, resumiu o contraste em duas frases: “O governo Trump diz que não quer criminosos entrando no nosso país. A menos que sejam tão corruptos quanto ele”.
Para a deputada Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia, a acolhida a Flávio expõe o tratamento desigual dado aos imigrantes: “Na América de Trump, existem dois sistemas de imigração: um em que seus aliados ricos e bem relacionados são recebidos de braços abertos, enquanto imigrantes trabalhadores e sem antecedentes são aterrorizados nas ruas. Trump está abrigando o filho de um aspirante a ditador, que nega os resultados eleitorais e foge de um processo criminal, enquanto vira as costas a pessoas que fogem da guerra e da fome. Vergonhoso”.
Os democratas da Comissão de Relações Exteriores da Câmara também questionaram os critérios do acolhimento. “Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou do conflito no Haiti, mas Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro. Aparentemente, fugir da violência não se qualifica. Negar resultados eleitorais, sim”, escreveu o perfil do grupo.
A crítica ultrapassou o Congresso federal. Malcolm Kenyatta, deputado estadual da Pensilvânia e vice-presidente do Comitê Nacional Democrata, perguntou: “Então, deixe-me ver se entendi: se você é um líder corrupto de direita que perde uma eleição e está sob investigação, recebe asilo? Mas, se você é uma mãe com seu filho fugindo da violência, não recebe?”.
Shri Thanedar, deputado por Michigan, destacou que depois de perder uma eleição, em vez de enfrentar as acusações de fraude e corrupção que pesam contra ele, Bolsonaro está fugindo do Brasil. “O secretário Rubio poderia barrar sua entrada por ser um fugitivo internacional, mas duvido que tenha coragem. Parabéns ao Brasil, a democracia sempre sai por cima!”.
Ao acolher Flávio, Trump transforma uma investigação criminal brasileira em um problema político seu. Faltam poucos dias para uma eleição que pode embaralhar de vez as cartas na Casa Branca. Para os democratas, a oportunidade que eles precisavam para devolver ao presidente a pergunta que sustenta sua retórica contra os imigrantes: afinal, quem ele está protegendo?
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