Operação encaminha à delegacia 95 suspeitos de crimes sexuais contra crianças na internet
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

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Consulte formatos e valores disponíveisUma megadoperação policial internacional prendeu 95 suspeitos de integrar redes de produção, distribuição e comercialização de material de abuso sexual infantil na internet. Coordenada pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), a ação envolveu forças de segurança de 17 países da América Latina e da Europa, incluindo o Brasil, e cumpriu 127 mandados de busca e apreensão em quatro fases realizadas entre março e setembro.
Denominada “International Effort Confluencia” (Confluência do Esforço Internacional, em tradução livre), a iniciativa focou em grupos organizados que utilizavam aplicativos de mensagens instantâneas e criptomoedas para compartilhar e monetizar os conteúdos ilícitos.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, os agentes resgataram uma criança de cinco anos na Colômbia . O pai da vítima foi preso sob a acusação de produzir e vender o material na internet. A identificação do caso ocorreu após o banco de dados de exploração sexual infantil da Interpol cruzar imagens gravadas desde quando ela tinha apenas um ano de idade.
As investigações expuseram o uso crescente de ambientes virtuais para a coação de vulneráveis. Stephen Fry, diretor executivo de Suporte a Investigações da organização, destacou a gravidade do cenário e a urgência do combate integrado:
A inteligência coletada durante essas operações expõe, mais uma vez, o papel crescente das plataformas digitais na monetização do abuso sexual infantil. A cooperação transfronteiriça eficaz entre as forças da lei e o setor privado nunca foi tão urgente
Stephen Fry, diretor executivo de Suporte a Investigações da Interpol
Entre os detidos globalmente, 89% são homens e 11% são mulheres. As autoridades de países como Argentina, Costa Rica, Equador, Peru e Espanha também identificaram a participação de adolescentes nesses grupos, consumindo e distribuindo o material de abuso.
A atuação dos suspeitos variava entre a administração de grandes canais de transmissão e a chantagem direta de vítimas na internet . No Panamá, a polícia prendeu o administrador de um grupo que contava com mais de 700 membros dedicados ao compartilhamento dos arquivos ilícitos . No Equador, um dos alvos foi flagrado com cerca de 15 gigabytes de conteúdos e mais de quatro mil arquivos armazenados em dispositivos eletrônicos.
Na Argentina, os investigadores prenderam um homem acusado de extorsão sexual contra menores de idade. Ele mantinha contato com mais de 260 meninas em diversos países e exigia o envio de vídeos e fotos cada vez mais explícitos e fazia ameaças quando as vítimas tentavam recusar os pedidos.
Diante do avanço dos crimes em plataformas digitais, as autoridades reforçam que a circulação desse tipo de conteúdo perpetua o sofrimento das vítimas a cada novo compartilhamento : “Atrás de cada arquivo há uma criança que foi abusada e que é revitimizada cada vez que essa imagem volta a circular. Onde quer que os infratores se movam, temos que nos mover mais rápido”, declarou Fry.
O material apreendido durante as buscas passará por perícia técnica. A expectativa da organização é que a análise das mídias e dos dispositivos permita identificar outros suspeitos de integrar os grupos e localizar mais crianças em situação de risco para a aplicação de medidas de proteção.
A operação contou com o financiamento do programa EL PACCTO 2.0, da União Europeia, e da Fundação Dignidade Humana, por meio de iniciativas globais da Interpol voltadas à prevenção de crimes contra a infância. O trabalho operacional também recebeu suporte do Ameripol e da Red Elipsia, uma rede internacional de investigadores especializados no combate à exploração sexual infantil facilitada pela tecnologia.
Além do Brasil, participaram da ação conjunta Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Itália, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Espanha e Uruguai. Até o momento, a Interpol não divulgou o balanço individualizado de prisões ou mandados cumpridos em cada um dos países participantes.
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