o perfil de chefe que a era da IA passou a exigir — 'O líder que tem todas as respostas não existe'
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Consulte formatos e valores disponíveis'O líder que tem todas as respostas não existe': o perfil de chefe que a era da IA passou a exigir No Grupo OLX, a CHRO Christiane Berlinck tornou obrigatórias as trilhas de IA e treina líderes para a ambiguidade
Priorizar nos meus resultados Google 39% das competências centrais dos trabalhadores devem mudar até 2030, segundo o Relatório sobre o Futuro do Trabalho 2025, do Fórum Econômico Mundial. Inteligência artificial e big data lideram a lista das habilidades que mais crescem. O problema é que quase não há gente pronta para contratar.
“As empresas que realmente querem ter essa competência vão ter que formar. Elas não vão ter como só fazer a contratação”, diz Christiane Berlinck, CHRO do Grupo OLX, dono das plataformas OLX, ZAP Imóveis e Viva Real.
O grupo abriu há dois anos trilhas de dados e IA para 100% dos funcionários, e mais de 1.200 já passaram por elas. Agora, a formação entra numa segunda fase, mais prática e obrigatória. Na liderança, a aposta vai além da tecnologia: chefes que saibam conviver com o desconforto e fazer boas perguntas.
Para decidir entre desenvolver alguém dentro de casa ou buscar no mercado, Christiane faz duas perguntas. A competência é necessária para muita gente ou para pouca? E está disponível no mercado?
Se a resposta for muita gente e pouca oferta, o caminho é formar. É o caso da IA numa empresa de tecnologia. Se for um conhecimento de que a empresa precisa em duas pessoas e não tem, contrata. A decisão parte da estratégia do negócio e das capacidades que a organização já tem.
As trilhas foram desenhadas pelo time de desenvolvimento organizacional, dentro da área de gente, em parceria com a liderança de dados e IA. A primeira fase, que a empresa chama de ato 1, tinha dois objetivos: inspirar e instrumentalizar. A participação era voluntária.
Houve trilhas técnicas, bootcamps, hackathons e atividades práticas. Houve também ações menos óbvias, como um podcast interno com casos de uso de IA dentro da própria empresa. A ideia, segundo Christiane, era fazer cada funcionário pensar no que poderia mudar na própria área a partir do que os colegas já faziam.
A segunda fase é mais sofisticada e passa a ser obrigatória para todos os funcionários. As trilhas, síncronas e assíncronas, ensinam a usar a IA para ganhar produtividade individual, criar automações e incorporar a IA agêntica, com agentes que executam tarefas, aos fluxos de trabalho de cada área.
O perfil de líder que o Grupo OLX procura começa pela relação com a incerteza. “O mundo de tecnologia é extremamente dinâmico, extremamente volátil, e saber estar confortável com o desconfortável é muito importante”, diz a executiva.
Neste ano, a formação de líderes teve dois focos. O primeiro foi comunicação: dar contexto, informar, inspirar e conectar as pessoas. O segundo foi visão sistêmica, a capacidade de olhar além da própria função para exercê-la melhor.
O que saiu de cena, para ela, foi a exigência de dominar todos os conteúdos. Num ambiente que muda radicalmente de um ano para o outro, o líder que acha que sabe tudo, que não faz boas perguntas ou que não consegue trabalhar entre equipes deixou de servir. “O profissional que tem todas as respostas não existe. Ainda mais numa empresa de tecnologia”, diz.
A própria trajetória de Christiane passou por uma mudança de rota. Formada em engenharia, ela começou na área financeira, migrou para negócios e está há 16 anos em recursos humanos. Fez quase toda a carreira na IBM, onde entrou como estagiária e de onde saiu no fim de 2021 como vice-presidente de RH para a América Latina.
O RH não estava nos planos. Ela mirava o cargo número um de operações e tinha sido aprovada no processo interno quando engravidou. No primeiro mês da licença-maternidade, a cadeira ficou vazia. O presidente ofereceu a vaga se ela antecipasse a volta. “Eu escolhi viver o momento da maternidade com muita plenitude”, diz.
Durante a licença, veio o convite para comandar recrutamento e seleção para a América Latina. Foi ali que ela se apaixonou pela área. Quando o cargo de operações voltou a ser oferecido, recusou.
A conclusão daquela época virou convicção. “Processo se replica, modelos de negócio se replicam, estratégias se replicam. Agora, cultura não se replica”, diz.
No Grupo OLX, a área de Christiane reúne gente e gestão, facilities, comunicação interna e cultura. E, segundo ela, não acompanha a estratégia nem espera ser demandada por ela. Faz parte do desenho do negócio desde o início.
Para a executiva, a função de RH vai gastar cada vez menos tempo com o que é transacional e rotineiro. No grupo, agentes de IA já respondem às dúvidas dos funcionários sobre as políticas de pessoas, sem que um profissional de RH precise intervir.
O tempo liberado vai para outra frente. Se a estratégia exige lançar produtos com IA mais rápido para os usuários, a empresa precisa de gente capacitada, de modelos de trabalho e de estruturas que permitam essa velocidade. Tudo isso, diz Christiane, é assunto de RH.
A tecnologia muda de um ano para o outro. O jeito como as pessoas trabalham juntas é o que nenhum concorrente consegue copiar.
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