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o desafio do agro no novo governo Lula — Safra recorde, dívida bilionária

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 28 de outubro de 2026 às 09:20
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o desafio do agro no novo governo Lula — Safra recorde, dívida bilionária
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Safra recorde, dívida bilionária: o desafio do agro no novo governo Lula Dólar alto pode elevar receitas, mas juros e custos crescentes ameaçam lucros e agravam endividamento rural, diz consultoria Cogo Descarregamento de soja no Rio Grande do Sul: segundo a Cogo, com o dólar entre R$ 5,40 e R$ 5,70, os custos da parcela dolarizada da produção podem subir entre 5% e 11%, considerando uma taxa de câmbio de referência de R$ 5,14. (Silvio Avila/AFP/Getty Images)

Priorizar nos meus resultados Google O agronegócio brasileiro pode faturar mais em 2027, mas ver seus lucros encolherem diante da alta dos custos de produção e do crédito. Com a perspectiva de um dólar mais alto, produtores de soja e milho tendem a receber mais em reais pela produção.

O problema é que fertilizantes, defensivos, máquinas e financiamentos também devem ficar mais caros. A pressão chega em um momento em que o campo já acumula R$ 205 bilhões em operações de crédito rural problemáticas.

O cenário é traçado pela Cogo Inteligência em Agronegócio, em relatório divulgado à EXAME que analisa os possíveis efeitos da política econômica do novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o setor entre 2027 e 2030.

A avaliação da consultoria é de que o câmbio pode favorecer as receitas dos exportadores, uma vez que os produtos são comercializados na moeda americana, mas os custos de produção e o endividamento rural tendem a limitar os ganhos.

Nas projeções da Cogo, o dólar deve ficar entre R$ 5,40 e R$ 5,70, em média, em 2027. Nesse intervalo, a receita total dos produtores de soja pode aumentar entre 1,3% e 5,4%, enquanto a dos produtores de milho segunda safra pode avançar de 1,7% a 6,6%, em comparação com um cenário de câmbio a R$ 5,30.

Os números, porém, não representam necessariamente um aumento da rentabilidade. A estimativa da consultoria considera que os preços internacionais das commodities permaneçam constantes, hipótese que pode não se confirmar.

Como principal produtor global de soja, com 181 milhões de toneladas projetadas para a safra 2026/27, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e um dos principais produtores de milho do mundo, o Brasil também influencia as cotações internacionais.

Um real mais desvalorizado pode estimular as vendas brasileiras e pressionar os preços em dólar, reduzindo parte do benefício cambial. Na prática, o produtor pode receber mais por tonelada vendida e, ainda assim, terminar a safra com uma margem de lucro menor.

O câmbio tem efeitos diferentes sobre as receitas e as despesas das propriedades rurais. De um lado, a valorização do dólar aumenta o valor em reais das commodities negociadas internacionalmente.

De outro, encarece uma parcela importante dos insumos utilizados na produção agrícola, especialmente aqueles importados ou com preços vinculados ao mercado externo.

Segundo a Cogo, com o dólar entre R$ 5,40 e R$ 5,70, os custos da parcela dolarizada da produção podem subir entre 5% e 11%, considerando uma taxa de câmbio de referência de R$ 5,14. Em um cenário mais adverso, com a moeda americana a R$ 6, a alta pode chegar a 16,7%.

Há também uma diferença no momento em que esses efeitos chegam ao caixa do produtor. Parte das vendas de grãos já foi negociada antecipadamente, com preços e câmbio definidos.

Para a safra 2026/27, a consultoria estima que 71% da soja e 88% do milho segunda safra ainda estejam sem proteção cambial, o que deixa parte relevante da receita exposta às oscilações do dólar.

O produtor que travou as vendas anteriormente não captura integralmente uma eventual valorização da moeda americana. Ao mesmo tempo, pode precisar comprar fertilizantes, defensivos e outros insumos a preços mais elevados para o ciclo seguinte.

A situação se torna mais delicada com o custo do financiamento. A Cogo trabalha com um cenário de juros reais próximos de 9% ao ano e avalia que a redução da Selic, hoje em 13,75% ao ano, será lenta, dependendo da credibilidade da política fiscal e da capacidade do governo de estabilizar a trajetória da dívida pública.

Com o crédito caro, financiar o plantio, renovar máquinas ou ampliar a área cultivada exige um retorno maior para compensar o custo do capital. Se os preços agrícolas não acompanharem a alta das despesas, a rentabilidade tende a diminuir.

A consultoria também chama atenção para o diesel. A possibilidade de reajustes graduais dos combustíveis representa uma pressão adicional sobre o frete, a operação de máquinas e a colheita, especialmente a partir de 2027.

O aperto nas margens se soma a um quadro de endividamento que já preocupa o setor. Segundo os dados apresentados pela Cogo, o crédito rural acumula R$ 205 bilhões em operações problemáticas, enquanto a inadimplência entre pessoas físicas chegou a 9,69%, o maior patamar da série citada pela consultoria.

O volume de operações problemáticas não significa que todo esse montante esteja em atraso. O indicador, no entanto, revela a dimensão da deterioração das condições financeiras de parte dos produtores rurais.

O contraste é significativo. O Brasil encerrou a safra de soja 2025/26 com uma produção recorde de 180,4 milhões de toneladas, segundo a Conab.

Mesmo com a expansão da oferta agrícola, o aumento das despesas, os preços pressionados e os juros elevados dificultaram a recuperação financeira de parte do campo.

A Cogo avalia que o endividamento rural deverá ser uma das primeiras pautas do setor no novo mandato presidencial. Entre as demandas estão a reestruturação de dívidas, com prazos mais longos, períodos de carência e taxas de juros compatíveis com a capacidade de pagamento dos agricultores.

O relatório também destaca propostas de securitização e criação de um fundo garantidor de crédito rural, com atenção especial aos pequenos e médios produtores.

O desafio é que a margem fiscal para atender a essas demandas é limitada. O Plano Safra empresarial 2026/27 foi anunciado com R$ 525,1 bilhões, aumento nominal de apenas 1,7%, abaixo da inflação, segundo a consultoria.

Para o ciclo seguinte, a expectativa é de maior restrição aos recursos públicos destinados à equalização de juros. Isso pode reduzir a disponibilidade de crédito subsidiado e ampliar a dependência de financiamentos contratados a taxas de mercado.

O risco é a formação de um ciclo em que margens menores dificultam o pagamento das dívidas, enquanto o crédito mais caro reduz a capacidade de financiar a próxima safra.

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#Política#Governo#Economia#Agronegócio#Gastronomia
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