Entenda: Como a mobilização na Paulista ajudou Lula a vencer, segundo analistas
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Consulte formatos e valores disponíveisRicardo Stuckert São Paulo — Em uma das eleições mais polarizadas da história brasileira, a Avenida Paulista foi palco de uma das maiores manifestações desde as “Diretas Já”, levando às ruas cerca de 2 milhões de brasileiros no último sábado (26/10). Entre bandeiras vermelhas, cartazes provocativos e gritos estudantis, diferentes setores sociais se reuniram em apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República. O ato antecedeu uma reviravolta eleitoral, que reelegeu Lula com uma diferença de 4,4 milhões de votos de seu opositor, Flávio Bolsonaro (PL).
A vitória do petista se torna ainda mais curiosa quando analisamos o contexto internacional e a maré de extrema-direita na América Latina. Países como a Colômbia também passaram por eleições muito acirradas entre partidos progressistas e conservadores. No entanto, o resultado foi diferente: Iván Cepeda, candidato esquerdista, perdeu as eleições à presidência para Abelardo De La Espriella, candidato da direita radical, por uma diferença de cerca de 25o mil votos.
O Brasil escolheu seguir em direção contrária à conjuntura latino-americana — até do previsto pelas grandes pesquisas eleitorais que apontavam, em sua maioria, Flávio à frente —, mesmo em um cenário desfavorável ao campo progressista. Nesse contexto, surge o questionamento: qual fator foi essencial para a vitória de Lula, que freou o avanço direitista radical no continente?
Após um momento de predominância esquerdista — conhecida como a “segunda onda rosa”, iniciada em 2018 com a eleição de Andrés Manuel López Obrador no México —, os países da América Latina vêm passando por uma mudança política radical com a ascensão de Javier Milei (Argentina), Abelardo de la Espriella (Colômbia), Keiko Fujimori (Peru) e José Antonio Kast (Chile).
1 de 5 WASHINGTON DC, UNITED STATES - OCTOBER 14: United States President Donald Trump greets the President of Argentina Javier Milei at the White House in Washington DC, October 14, 2025. (Photo by Celal Gunes/Anadolu via Getty Images)
Segundo André Araújo, professor de Relações Internacionais da FESPSP (Escola de Sociologia e Política de São Paulo), essa guinada à extrema-direita envolve dois pontos principais: busca por soluções rápidas às desigualdades e a influência trumpista na região.
“[…] Há uma percepção generalizada de descontentamento com as condições de vida, especialmente em relação à economia e à segurança pública. Na medida em que os governos não entregam resultados no curto prazo — devido inclusive a tensionamentos internos —, o eleitorado opta por outra linha político-ideológica a cada ciclo eleitoral […] O segundo mandato de Donald Trump apresenta uma política externa mais ativa na América Latina, inclusive com ações militares. A atuação estadunidense soma-se às pautas internas locais, influenciando, por exemplo, a discussão sobre segurança pública ao declarar grupos do crime organizado como organizações terroristas. Além disso, as sanções aplicadas buscam impactar a política doméstica ao transmitir a percepção de um aparente isolamento internacional do governo afetado”, explica o especialista.
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