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Museu do Louvre encerra em Paris após onda de protestos na França

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por CNN Brasil 19 de outubro de 2026 às 09:22
Via CNN Brasil
Museu do Louvre encerra em Paris após onda de protestos na França
Foto: Foto: CNN Brasil
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O Museu do Louvre, em Paris, anunciou que estará fechado a partir desta segunda-feira (19) por causa dos protestos que tomaram toda a França no último fim de semana.

Manifestações contra a alta no custo de vida e o projeto de corte de gastos do governo francês levaram a um movimento generalizado que atingiu seu ápice com 500 mil pessoas nas ruas no sábado (17).

Mais de 2 mil pessoas foram presas, com pelo menos duas mortes e relatos de feridos graves, incluindo duas pessoas que perderam as mãos.

Bloqueios em colégios viram onda de protestos nacionais na França Entenda os protestos estudantis que se espalharam por toda a França Estudantes voltam às ruas na França em dia nacional de protestos Em comunicado nas redes sociais, a administração do Louvre informa que decidiu suspender as atividades ao público por causa de uma "greve estudantil" e não informa quando voltará a abrir.

🇫🇷 Chers visiteurs, en raison d’un mouvement social étudiant, le musée est fermé pour le moment. Nous vous prions de nous excuser de la gêne occasionnée. 🌍Dear visitors, due to student strikes the museum is currently closed. We apologise for the inconvenience. https://t.co/tNKFk3B9aj

— Musée du Louvre (@MuseeLouvre) October 19, 2026

Visitantes que chegaram ao local pela manhã receberam um comunicado para procurar o site ou canais de contato do museu para remarcar as entradas compradas previamente.

Enquanto a França começa a contabilizar os prejuízos, aumentam as acusações de que o governo não conseguiu prever adequadamente a dimensão da crise, a apenas seis meses da eleição para escolher o sucessor do presidente francês, Emmanuel Macron.

A polícia lançou gás lacrimogêneo contra multidões e entrou em confrontos com manifestantes encapuzados, vestidos de preto, que atearam fogo e invadiram lojas e prédios públicos. Imagens mostraram edifícios históricos em chamas.

Autoridades e líderes políticos ressaltam que a grande maioria dos manifestantes tem protestado pacificamente. No entanto, o nível de confrontos e destruição, o pior registrado em anos, abalou o país e provocou fortes condenações de líderes e da população.

“Quem destruiu terá de pagar”, disse Macron na noite de domingo (18). “Quem saqueou terá de ressarcir. Quem tentou derrubar a República será responsabilizado.”

Ele também prometeu realizar reuniões nesta semana para discutir “propostas concretas” e ouvir as reivindicações dos manifestantes. Ainda não se sabe, porém, se isso será suficiente para conter os protestos na França — assim como manifestações semelhantes contra o custo de vida que agora se espalham por outros países próximos.

Prédio em Lyon é incendiado em meio a protestos na França • Reuters Tudo começou em setembro, com uma greve de estudantes e professores de uma escola de ensino médio nos subúrbios de Paris, que reivindicavam mais funcionários e recursos. As demandas foram atendidas e a greve terminou, mas o movimento acendeu uma faísca que logo se espalhou pelo país.

Estudantes de diversas regiões, há muito insatisfeitos com um sistema educacional com falta de funcionários e salas superlotadas, iniciaram protestos que, em alguns momentos, se tornaram violentos. A resposta truculenta da polícia alimentou a indignação pública e levou centenas de milhares de pessoas às ruas, especialmente após a divulgação de vídeos de um policial aplicando em uma menina um golpe de imobilização pelo pescoço que é proibido.

Em poucas semanas, os protestos se ampliaram e deram origem a um movimento que ultrapassou o meio estudantil, reunindo o descontentamento generalizado com o custo de vida, a percepção de inércia do governo, o aumento da desigualdade de renda e o desejo profundo de mudanças sociais e políticas.

“Isso não pode continuar”, disse Maria Pallas, de 57 anos, integrante de um dos principais sindicatos franceses, à CNN durante o protesto de sábado em Paris. “Há o custo de vida. Há o desemprego. Há uma série de coisas. Um jovem vai procurar emprego, prometem muitas coisas a ele, e no fim ele fica sem nada.”

Um carro é incendiado durante manifestações deste sábado (17), em Paris, na França • Carl Court/Getty Images Mais de 500 mil pessoas foram às ruas em toda a França no sábado. Na maior parte do tempo, os atos foram pacíficos. O líder da extrema esquerda Jean-Luc Mélenchon descreveu a multidão em Paris como alguém que “avançava calmamente”.

Mas, em vários locais, os protestos terminaram em violência, especialmente ao anoitecer. Em Paris, grupos de jovens mascarados saquearam lojas e atearam fogo; em Lyon, manifestantes incendiaram o escritório de turismo da cidade; e, em Limoges, no centro do país, a torre de um prédio da prefeitura com 143 anos desabou em meio às chamas, trazendo de volta, para alguns, lembranças dolorosas do incêndio da Catedral de Notre-Dame.

Os protestos diminuíram parcialmente no domingo, embora pequenos focos de violência tenham persistido. A polícia lançou gás lacrimogêneo na histórica Place de la République, uma das maiores praças públicas de Paris.

Ao fim do fim de semana, Paris parecia uma “zona de guerra”, disse um visitante da cidade à Reuters. Moradores de toda a capital ficaram perplexos, alguns condenando os saques e os atos de violência, enquanto outros responsabilizaram as autoridades por não terem enfrentado a crise mais cedo.

“É de partir o coração, de partir o coração ver nossa cidade assim”, disse Farida, de 59 anos, moradora de Marselha que não informou o sobrenome, segundo a Reuters. “Se todo protesto terminar com todas as vitrines quebradas e as lojas destruídas, isso simplesmente não pode continuar — não pode continuar.”

Paola Formenti, de 56 anos, moradora de Paris, manifestou apoio à indignação “legítima” dos manifestantes. A violência “precisa ser condenada, é claro”, afirmou, mas acrescentou: “Acho que a única maneira de realmente evitar esse tipo de violência é responder aos protestos da população, ouvi-la”.

Embora Macron tenha dito que o governo deveria ouvir as queixas da população, ele não apresentou garantias concretas nem fez concessões em seu pronunciamento de domingo.

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