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imprensa estrangeira vê debate vazio e cheio de ataques — Flávio x Lula

'Quem esperava descobrir como o Brasil seria governado nos próximos quatro anos saiu decepcionado'

Por CartaCapital 19 de outubro de 2026 às 13:54
Via CartaCapital
imprensa estrangeira vê debate vazio e cheio de ataques — Flávio x Lula
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Flávio x Lula: imprensa estrangeira vê debate vazio e cheio de ataques Duelo na ‘Band’ entre Lula e Flávio Bolsonaro repercutiu em jornais por todo o mundo. ‘Quem esperava descobrir como o Brasil seria governado nos próximos quatro anos saiu decepcionado’

Veja, abaixo, um resumo de como o debate repercutiu nos principais jornais do mundo.

O jornal alemão fala em debate de “baixo nível” e lamenta que os dois candidatos tenham dedicado boa parte do confronto a acusações mútuas de corrupção, em vez de discutir propostas de governo. Também aponta que Flávio evitou dar respostas claras à maioria das perguntas de Lula.

“Os brasileiros tiveram de esperar até uma semana antes do segundo turno para ver, pela primeira vez, os dois candidatos à Presidência frente a frente em um debate na televisão. Mas quem esperava descobrir, na noite de domingo, como o Brasil seria governado nos próximos quatro anos, seja por Lula, seja por Flávio, saiu decepcionado. Em vez disso, o duelo na Band ofereceu um retrato da cultura de debate político do país. Durante duas horas, os candidatos falaram sem realmente dialogar entre si e trocaram acusações e provocações incessantes.”

“O que deveria ser uma troca aberta de ideias lembrou, em alguns momentos, espetáculos de luta encenada”, afirmou, destacando ainda que, “houve discussões acaloradas e trocas de gritos até mesmo na plateia”. “O formato também contribuiu para isso.”

“Analistas identificaram no confronto uma lógica eleitoral que há muito domina o cotidiano político brasileiro. Como a campanha atual é impulsionada sobretudo pela rejeição ao campo adversário, o debate televisivo serve não apenas para convencer milhões de telespectadores, mas também, e talvez principalmente, para gerar matéria-prima para vídeos curtos nas redes sociais. Zombarias, provocações e reações do oponente podem ser compartilhadas milhões de vezes. O conteúdo e as circunstâncias em que as falas ocorreram importam menos.”

O jornal alemão aponta que “praticamente não houve diálogo” entre os candidatos. “Como esperado, o debate girou menos em torno de programas de governo e mais em torno de acusações e ofensas mútuas”.

“Bolsonaro ignorou todas as perguntas do presidente e partiu imediatamente para o ataque. Em vez de explicar o que teria acontecido com as dezenas de milhões de reais supostamente doados pelo ex-presidente do Banco Master, atualmente preso, para a produção de um documentário sobre Jair Bolsonaro, Flávio acusou o presidente em exercício de também ter recebido milhões do banqueiro. Essa informação falsa havia sido divulgada anteriormente pela revista Veja. Como única ‘prova’, foi apresentada uma mensagem telefônica do banqueiro, supostamente gravada posteriormente na prisão.

Outra alegação falsa na qual Bolsonaro Júnior insistiu foi a de que Lula teria sido eleito por mais de 70% dos presos. No entanto, no Brasil, pessoas com condenação criminal transitada em julgado não têm direito a voto.

[…] Em determinado momento, Lula sugeriu que ambos os candidatos tornassem públicos seus extratos bancários e registros telefônicos, para que a população pudesse ver ‘o que realmente está acontecendo’. A proposta não foi aceita.”

O jornal espanhol resumiu o debate a um confronto entre um tecnocrata e um provocador. Enquanto Flávio “entrou no debate partindo para a jugular do adversário desde o primeiro minuto” e dedicou boa parte de suas intervenções ao “ataque direto”, usando “todo tipo de artifício para tentar tirar o adversário do sério”, Lula “apresentou-se aos brasileiros quase como um estadista, como um tecnocrata, em claro contraste com seu rival, mas esse papel lhe custou clareza”.

“Bolsonaro tem argumentos pouco sofisticados, embora seja habilidoso em lançar frases de efeito. Lula, por sua vez, que precisa convencer parte dos 33 milhões de abstencionistas, perdeu-se várias vezes em temas complexos para a maioria da população, que seu adversário omitiu ou simplificou.”

“[Flávio] aproveitou cada brecha nas intervenções de Lula para introduzir o tema da segurança, o terreno em que se move com mais facilidade e um dos mais delicados para Lula. Quando o político de esquerda lhe perguntou sobre a cessão de soberania aos Estados Unidos, ele rebateu falando da ‘perda de soberania’ dos brasileiros sobre seus celulares e seus bairros, dominados pelo narcotráfico.”

O El País também observou que Flávio, ao tentar interferir nas falas de Lula ao espectador e se posicionar repetidamente no enquadramento da câmera do presidente, estava recorrendo à mesma estratégia bem-sucedida empregada por Donald Trump nos Estados Unidos em 2016 durante um debate eleitoral.

O diário espanhol afirma que Flávio “exibiu um domínio de cena melhor que Lula” e, em vários momentos “encurralou e tirou Lula do sério” na reta final de campanha.

“O fato chama a atenção porque Lula passou boa parte da vida participando de debates presidenciais, mas o primeiro confronto entre os dois mostrou que o direitista foi mais bem assessorado por sua equipe do que o veterano líder que busca chegar à Presidência pela quarta vez.”

O jornal também destacou que Flávio, ao se posicionar constantemente no enquadramento de Lula e reagir às falas do presidente “balançando a cabeça em sinal de reprovação ou fazendo gestos irônicos”, gerou “um material de valor inestimável para as redes sociais”.

Lula, por sua vez, teria se deixado “arrastar” pelas “provocações do adversário”, irritando-se e soando “pouco claro em várias de suas ideias”.

“Desinibido e por vezes arrogante, Bolsonaro Jr., filho e herdeiro do ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos por tentativa de golpe, explora a frustração de milhões de brasileiros, aqueles da chamada ‘nova classe média’ (ou classe C) que saiu da miséria dos anos 1980 e hoje é pouco mais que proletária, representando mais da metade da população. E que quer mais”, escreve o jornal italiano.

Já o “veterano Lula” viu-se “frequentemente acuado no confronto direto”. “Perdeu minutos preciosos explicando os sucessos do PT e de seus governos e teve dificuldades para rebater as acusações de corrupção envolvendo seu filho, Lulinha.”

O diário francês destacou que o debate foi marcado por “ataques pessoais” e “fortes confrontos”.

“A troca caótica entre os dois candidatos, que se chamaram de mentirosos em diversas ocasiões, acusaram-se mutuamente de corrupção e trouxeram à tona diferentes escândalos, sintetizou o tom de uma campanha eleitoral amarga em um país profundamente polarizado.

[…] Bolsonaro martelou nos temas que mais preocupam os brasileiros, como o custo de vida e a insegurança, e acusou Lula de promover um ‘gasto irresponsável para se reeleger’ — referência às diversas medidas sociais que ele anunciou durante a campanha.

Lula respondeu questionando Bolsonaro sobre seus planos de reproduzir os drásticos cortes de gastos públicos implementados pelo presidente libertário da Argentina, Javier Milei, que resultaram em aumento do desemprego e redução de benefícios. Ao longo do debate, Bolsonaro evitou responder à pergunta e procurou mudar de assunto, desviando para outros temas.”

“Pouco esclarecedor e cheio de provocações e acusações, assim se resume o debate entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, a uma semana da segunda volta das eleições presidenciais brasileiras”, escreve o jornal português.

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