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Por Redatores da Empire Cidades 1 de novembro de 2026 às 08:40
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Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Filipe Braganca como Amir Klynk no filme "100 dias" Imagem: Divulgação Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O filme "100 Dias", que narra a travessia solitária do Atlântico Sul pelo brasileiro Amyr Klink com um barco a remo do, 42 anos atrás, estreou nos cinemas na última quinta-feira com grande sucesso.

Divulgação Mas isso já era esperado, dada a popularidade do navegador mais famoso do Brasil e a qualidade do filme, dirigido pelo também brasileiro Carlos Saldanha, que mistura ação e emoção em doses equilibradas, além de impressionantes efeitos visuais (a maior parte deles criados na Finlândia, com computação gráfica, já que 70% do filme foi rodado em um tanque de água, no interior de São Paulo), que fazem com que o espectador se sinta dentro do barco, lado a lado do remador solitário.

Divulgação O filme se baseia no livro "100 Dias Entre Céu e Mar", escrito por Amyr Klink após a lendária travessia de 1984 — a primeira de um remador solitário no Atlântico Sul, da África até o Brasil —, que narra aquela longa jornada, mas sabiamente permeada com flashbacks dos preparativos para a viagem (então considerada uma completa maluquice) e aspectos pessoais e emotivos do remador, a começar pelo seu temperamento um tanto rebelde e sua difícil relação com o pai.

Divulgação Isso faz com que, longe de se tornar uma enfadonha repetição de cenas de alguém remando sozinho no mar (o que de fato aconteceu, ao longo dos 100 dias do título), o filme ganhe agilidade, diversidade e, sobretudo, emoção, que capturam os espectadores e não raro tem feito com que as sessões terminem com aplausos entusiasmados — afinal, aquele não só foi um feito e tanto, mas realizado por um brasileiro, o que desperta em nós outro sentimento, o patriótico.

Divulgação O Amyr Klink é um típico herói brasileiro, um jovem que tinha um desejo pra lá de ousado, mas, apesar das adversidades, conseguiu realiza-lo. Eu queria mostrar isso no filme, e valorizar o feito de um conterrâneo, que a nova geração de brasileiros mal conhecia. O cinema já fez isso inúmeras vezes, mas sempre com estrangeiros. Chegou a vez de valorizar o que temos de extraordinário também entre os brasileiros Carlos Saldanha, diretor

Até recentemente, nenhum outro brasileiro havia conseguido repetir o feito de Amyr Klink.

Divulgação Mas, dois meses atrás, o também paulista Raphael Garcia, de 34 anos, refez a histórica viagem de Amyr, chegando praticamente incógnito ao Brasil após 136 dias remando sozinho, de um lado a outro do Oceano Atlântico, um feito igualmente extraordinário.

Divulgação Como só quem viveu a mesma situação seria capaz de ter a exata dimensão de tamanho desafio — e capacidade de analisar a fidedignidade de certas cenas do filme —, ninguém melhor do que o próprio Raphael Garcia para comentar 100 Dias, como ele faz aqui abaixo.

Ele mostra realmente como é atravessar um oceano remando, especialmente na época do Amyr, quando não havia tecnologia nem informações sobre esse tipo de travessia. Nesse aspecto, a jornada dele foi muito mais difícil e desafiadora do que a minha, embora eu nunca tivesse remado, muito menos no mar, e por causa das tempestades, tenha levado 36 dias a mais para completar o mesmo percurso. O que o Amyr fez, merecia um filme a altura. E '100 Dias' faz jus a isso"

Eu também sofri isso, nos mesmos locais que o Amyr. Também passei pelas mesmas montanhas russas emocionais, quando as coisas não davam certo. Assistir ao filme foi como rever a minha travessia. Tudo o que ele mostra é como realmente acontece. Exceto fazer em xixi em pé no barco, como o ator que interpreta o Amyr, o Filipe Bragança, faz em uma cena do filme, porque balança tanto que isso é praticamente impossível. Quando tentei, quase cai no mar

"As pessoas se impressionam muito com as tempestades e com os tubarões rondando o barco, que são, de fato, do jeito que o filme mostra. Mas o maior risco — para mim e para o Amyr, como o filme também retrata — é ser atropelado pelos navios, com um barco tão pequenininho. Foi a minha maior preocupação, o tempo todo. No meio do oceano, é impossível enxergar um barquinho a remo, e o movimento de navios é muito mais intenso do que se imagina", conta.

Quando eu tinha que cruzar um corredor marítimo, o que era frequente, nem dormia. Era como atravessar uma autopista engatinhando no asfalto. Um verdadeiro perigo. E o filme também mostra isso com precisão

"Para mim — e também para quem estava na sessão de pré-estreia do filme, quando o assisti —, o momento mais emocionante é quando o próprio Amyr aparece no papel do comandante que ajudou ele durante a travessia. E, ainda por cima, segurando a bandeira do Brasil. Embora seja uma das raríssimas cenas não autênticas do filme (as outras foram os pesadelos, que eu também não tive, exceto pela permanente vontade de comer comida de verdade), ela é uma justa homenagem ao Amyr e ao Brasil, que merecia um filme tão bem feito assim. Se alguém quiser saber como é atravessar um oceano inteiro com um barco a remo, basta assistir 100 Dias. Tá tudo ali", diz o único brasileiro a repetir o feito de Amyr Klink, como Raphael Garcia conta em uma entrevista completa, que pode ser vista clicando aqui.

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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