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22.out.2026 às 23h00 Atualizado: 23.out.2026 às 8h27 Edição Impressa Diminuir fonte Aumentar fonte Paulo Eduardo Dias Leandro Machado São Paulo Uma sequência de corpos encontrados em diferentes regiões da cidade de São Paulo nos últimos 48 dias tem chamado atenção da polícia. Até aqui, não há uma conclusão efetiva sobre o que pode estar por trás dos casos, e a SSP (Secretaria da Segurança Pública) da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem descartado relação direta entre as mortes.
A postura da polícia tem se voltado a negar a existência de um criminoso em série que seria o responsável por todas as ocorrências, uma vez que elas se deram em bairros distintos e com características próprias. Entre 5 de setembro e 22 de outubro, foram ao menos 13 corpos encontrados pelas ruas da cidade, com sinais de violência.
O caso mais recente é da noite desta quinta-feira (22). Segundo a Polícia Militar, por volta das 21h20 um corpo foi encontrado na rua Paulo da Silva, no Rio Pequeno. A vítima estava com as mãos amarradas e um saco preto na cabeça, apresentando indícios de tortura.
De janeiro a agosto, a cidade registrou 304 vítimas de homicídio doloso (com intenção), uma média de pouco mais de um caso por dia no período. Os dados mensais da SSP não detalham quantas vítimas são encontradas em via pública, o que impede uma comparação quantitativa em relação aos registros mais recentes.
Em relação ao mesmo período do ano passado, quando houve 350 registros, os homicídios estão em queda.
A SSP foi procurada por email e mensagem nesta quinta-feira (22) para esclarecer a sequência de mortes, mas não se pronunciou até o horário de publicação deste texto. Em vídeo divulgado pelas redes sociais, o secretário Osvaldo Nico Gonçalves reforçou não ter encontrado indício de os crimes terem sido praticados pela mesma pessoa. "Estamos trabalhando muito nisso e aguardando os laudos."
Na mesma publicação, o delegado-geral, Artur Dian, disse que eventuais semelhanças entre as ocorrências estão sendo checadas. "Estamos trabalhando para poder esclarecer todos os casos."
Segundo ele e a diretora do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), Ivalda Aleixo, as motivações avaliadas são distintas e haveria caso até de vítima ligada ao tráfico de drogas em outro estado.
O governo evita afirmar que os crimes têm ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital), ainda que especialistas ressaltem o modelo adotado em tribunais do crime, onde integrantes e não integrantes da facção são submetidos a execuções sumárias.
A punição com morte nesse contexto é geralmente reservada a casos considerados mais graves, como diante de acusações de desvio de recursos do grupo e de homicídios e agressões físicas anteriores não autorizados pela facção.
Segundo a Polícia Civil, os crimes têm motivações diferentes. As principais hipóteses são desavenças locais e vinganças, em que criminosos sequestram, julgam e matam desafetos. A polícia trabalha com suspeitos em parte dos casos, inclusive com pedidos de prisão à Justiça.
Alguns dos cadáveres tinham sinais claros de violência, como tiros, esquartejamento e queimaduras, e estavam enrolados em sacos plásticos ou lençóis amarrados com cordas.
"Encontrar corpo em São Paulo é algo que acontece há 30 anos. Então, não é algo incomum", diz Rafael Alcadipani, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Segundo ele, o PCC implantou uma tática de enterrar os corpos em cemitérios clandestinos em uma tentativa de esconder os crimes. "O que pode estar acontecendo é uma mudança dessa lógica, até como uma demonstração de força para as autoridades e a população", diz Alcadipani.
Na manhã desta quinta, um cadáver em avançado estado de decomposição foi encontrado às margens do rio Tietê, na altura da ponte dos Remédios, na zona oeste. O caso, porém, não entra na contagem porque, segundo a polícia, não há indícios de morte violenta.
No dia anterior, na mesma marginal, na altura do bairro Parque Novo Mundo, zona norte, policiais militares localizaram partes desmembradas de um corpo feminino dentro de sacos.
Conforme o boletim de ocorrência, os PMs passavam pela região, quando viram e suspeitaram de um homem próximo a diversas caixas. Ele teria desobedecido à ordem de parada e atirado em direção aos policiais, que revidaram. Dois policiais atiraram 12 vezes contra ele, um sete e outro, cinco disparos.
Os PMs resolveram fazer uma varredura em torno do local. Encontraram sacos pretos, onde estavam partes de um corpo feminino esquartejado. Para a Polícia Civil, o homem morto estava relacionado ao caso do cadáver localizado. No entanto, não foi possível de imediato afirmar que ele seria o autor do crime.
Também na quarta-feira (21), outro corpo foi encontrado na avenida Coronel Sezefredo Fagundes, zona norte da capital. Ele foi identificado como o de um homem de 43 anos, desaparecido desde a sexta-feira (16).
Na segunda-feira (12), um cadáver masculino foi encontrado enrolado em um cobertor amarrado com cordas, em uma rua do Belenzinho, zona leste. Segundo o boletim de ocorrência, o homem tinha ferimentos de tiros na cabeça, que estava coberta por um saco plástico.
No bolso do casaco havia uma autorização para refeição emitida na quinta-feira (8) pelo Centro de Acolhida Boracea, na Barra Funda, zona oeste.
Outros nove casos, em situações semelhantes são investigados pelo DHPP. A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos solicitados para a Polícia Técnico-Científica.
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