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vale a pena investir na mineradora agora? — Ações da Vale caem 12% em 2026

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 23 de outubro de 2026 às 13:25
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vale a pena investir na mineradora agora? — Ações da Vale caem 12% em 2026
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Ações da Vale caem 12% em 2026: vale a pena investir na mineradora agora? Pressionada por minério mais barato, custos altos e riscos de produção, mineradora divide analistas sobre o melhor momento para compra Ações da Vale: nesta quinta-feira, 22 de outubro, a ação VALE3 recuou 4,25%, a R$ 61,31, a quarta maior do dia, o que ampliou a baixa de 2026 a 12,74% (Washington Alves/Reuters)

Publicado em 23 de outubro de 2026 às 09h15 .

Priorizar nos meus resultados Google As ações da Vale (VALE3) enfrentam um ano de perdas no Ibovespa, enquanto o principal índice renova recordes e acumula alta de mais de 26% . O papel da mineradora é marcado pela queda do preço do minério de ferro, a pressão sobre os custos e as incertezas sobre a sua produção.

Nesta quinta-feira, 22 de outubro, a ação VALE3 recuou 4,25%, a R$ 61,31, a quarta maior do dia, o que ampliou a baixa de 2026 a 12,74%. Com o balanço do 3° trimestre previsto para a próxima semana, a deterioração das perspectivas para o minério e as avaliações divergentes de analistas colocam em debate se a desvalorização abre uma oportunidade de compra ou se ainda há espaço para novas quedas.

As avaliações de bancos e especialistas mostram que, embora a Vale tenha projetos de crescimento em metais como cobre, os riscos para os resultados no curto prazo continuam relevantes. A divergência está no quanto esses riscos já estão incorporados ao preço dos papéis e no tempo necessário para que os investimentos da companhia se traduzam em resultados.

A pressão sobre a mineradora está diretamente relacionada às perspectivas para o mercado de minério de ferro , sua principal fonte de receita. A commodity de referência recuou cerca de 8% no trimestre e voltou a ser negociada perto de US$ 90 por tonelada, diante da combinação entre aumento da oferta global e sinais de enfraquecimento da demanda por aço, especialmente na China.

O cenário preocupa porque a expansão da produção de minério de ferro em diferentes regiões do mundo pode ampliar a concorrência em um momento em que a atividade econômica chinesa apresenta sinais contraditórios. A fraqueza do setor imobiliário e a contribuição negativa de investimentos em imóveis, infraestrutura e manufatura pesam sobre as perspectivas para a demanda por aço.

Em relatório de julho, o Morgan Stanley já havia reduzido suas projeções para a Vale, diante da produção mundial de aço abaixo das expectativas e da perspectiva de excedente de minério de ferro no mercado internacional. O banco também elevou suas estimativas para os custos operacionais da mineradora, projetando um custo caixa C1 de US$ 23 por tonelada em 2026, acima da faixa de orientação da companhia, de US$ 20 a US$ 21,50 por tonelada.

Na ocasião, a instituição considerou que os avanços da divisão de Metais Básicos já estavam amplamente incorporados ao preço das ações. O movimento de queda também ocorreu em meio a acontecimentos relacionados à governança da Vale, incluindo a renúncia de Daniel Stieler à presidência do Conselho de Administração e a abertura de um processo administrativo pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para apurar informações sobre as circunstâncias de sua saída.

Agora, o UBS BB avalia que o cenário para a mineradora se deteriorou ainda mais . Em relatório divulgado nesta semana, o banco afirmou que o excesso de oferta de minério de ferro, alertado pela instituição nos últimos anos, começa a se materializar. A avaliação é que as condições de mercado e operacionais impedem uma postura mais otimista em relação à companhia.

“Embora a ação tenha apresentado desempenho inferior desde então (queda de 12%), as condições de mercado e operacionais se deterioraram ainda mais, o que nos impede de nos tornarmos otimistas em relação à empresa”, afirma o UBS BB.

“Vemos agora um risco significativo de queda nos lucros em quase todas as frentes: preços do minério de ferro, custos e volumes”, afirma o banco. A divisão de metais básicos é a principal exceção, mas a pressão não se limita ao preço da commodity.

O UBS BB estima que o aumento das despesas com combustível, a valorização do real e a inflação mais ampla devem elevar os custos totais da Vale para perto de US$ 62 por tonelada em 2026 , no limite superior das projeções da companhia ou até acima dele.

O banco também vê riscos para a produção. Segundo estimativas do UBS Evidence Lab citadas no relatório, a Vale pode ter produzido 89 milhões de toneladas de minério de ferro no terceiro trimestre, uma queda de 5,4 milhões de toneladas em relação ao mesmo período de 2025. Se a estimativa estiver correta, a companhia precisará elevar a produção na comparação anual no quarto trimestre para atingir o limite mínimo de sua meta para 2026.

A operação no Sistema Norte é uma das preocupações. Os embarques pelo porto de Itaguaí caíram 7% na comparação anual no terceiro trimestre, ante recuos de 5% no segundo e de 3% no primeiro. A Serra Norte aparece como principal responsável, em meio ao esgotamento de reservas e a restrições de extração.

O UBS BB considera possível que a Vale não cumpra as metas de produção e custos neste ano . Para 2027, afirma que a visibilidade continua limitada e que ainda é cedo para prever uma recuperação.

A divulgação dos resultados do terceiro trimestre, prevista para 29 de outubro, será um dos próximos testes para a ação. As estimativas dos bancos apontam para um período mais fraco, com queda nos preços realizados do minério e pressão sobre os custos.

A perspectiva de longo prazo é um dos pontos que diferenciam as avaliações sobre a Vale. Enquanto o UBS BB enfatiza os riscos de curto prazo, o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) vê oportunidades na expansão dos negócios de cobre e na capacidade de a companhia manter uma posição competitiva no mercado global de minério.

Em análise recente, o BTG examinou as declarações do presidente da Vale, Gustavo Pimenta, sobre as perspectivas para o minério de ferro. O executivo argumentou que o mercado pode permanecer equilibrado no longo prazo, mesmo com a expansão do projeto Simandou, na Guiné.

Segundo Pimenta, o esgotamento de recursos pode retirar de 60 milhões a 80 milhões de toneladas anuais do mercado, absorvendo parte da nova oferta.

O BTG, porém, ressalta que a oferta vem crescendo mais rapidamente do que a demanda e que a expansão de Simandou está avançando mais depressa do que o esperado. O projeto tem capacidade projetada de até 120 milhões de toneladas anuais até 2030.

“Enquanto isso, a Vale continua sendo negociada, em grande parte, como uma empresa exclusivamente de minério de ferro, a aproximadamente 4–4,5x o EBITDA, enquanto concorrentes diversificados, como a BHP, tiveram suas avaliações reajustadas para 7–8x, refletindo, em parte, sua maior exposição ao cobre”, diz o banco.

Essa diferença de avaliação, segundo o BTG, "ilustra o potencial de alta decorrente de uma transformação bem-sucedida da composição dos lucros da Vale, mas também a disposição limitada do mercado em precificar um crescimento que ainda está a vários anos de distância".

"No geral, gostamos da direção que a empresa está tomando e acreditamos que a administração continua a executar bem as variáveis sob seu controle. No entanto, as recentes revisões para baixo nos lucros continuam a pesar sobre a perspectiva da ação, enquanto a falta de catalisadores no curto prazo dificulta a recomendação de “Comprar”", acrescenta o BTG.

O UBS BB calcula que o rendimento do fluxo de caixa livre da Vale pode variar de 0% a 5%, dependendo das condições de mercado e das premissas de produção, embarques, minério e frete.

Em um cenário de normalização até 2027, com minério a US$ 95 por tonelada e embarques de 315 milhões de toneladas, o banco estima rendimento de fluxo de caixa livre de cerca de 5%. Se os preços permanecerem nos níveis à vista e a produção recuar, esse rendimento poderia cair para aproximadamente 1%.

“De uma forma ou de outra, ainda parece muito cedo para afirmar que se atingiu o fundo do poço, pelo menos do ponto de vista da avaliação”, afirma o UBS BB, que reduziu o preço-alvo para R$ 73 e manteve recomendação neutra.

A análise técnica também recomenda cautela. João Tonello, analista CNPI da NMS Research, identificou uma tendência de baixa e apontou suportes em R$ 60,40, R$ 56,64 e R$ 55,17 após a perda de níveis anteriores. Com o fechamento desta quinta-feira a R$ 61,31, a ação já está abaixo da região de R$ 63,75 que o analista acompanhava.

Tonello afirma que ainda não há um ponto de entrada pela análise gráfica e condiciona uma mudança de cenário à recuperação de R$ 69,70. Até lá, a leitura técnica é de cautela, sem sinais suficientes de formação de um fundo.

"Para aqueles que mantêm posição, não recomendamos sustentar o ativo neste momento, dado que a perda dos suportes anteriores deixa o papel sem ponto de apoio técnico validado, às vésperas de um balanço que o mercado espera mais fraco", afirmou o analista.

Já para novas compras, Tonello diz não ver nenhum ponto de entrada neste momento. "Recomendamos manter-se fora do ativo até que uma estrutura técnica de fundo seja construída, com o preço retomando a região dos R$ 66,03 e, principalmente, os R$ 69,70".

Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, também avalia que o período incerto para saber o que que vai acontecer.

"Temos muitas coisas para ver nos próximos meses, se está na hora certa ou não de investir. Temos que ver toda essa questão do Donald Trump entre guerra tarifária ou não, o que ele [presidente dos Estados Unidos] vai fazer, se a China vai invadir Taiwan, como ficará a guerra da Ucrânia com a Rússia. Toda essa questão do petróleo também acaba tendo uma consequência nessas outras cadeias", afirmou.

O câmbio também influencia os resultados da Vale. Como a companhia recebe receitas em dólar e tem parte relevante dos custos em reais, a valorização da moeda brasileira pode reduzir, quando convertidas, as receitas obtidas no exterior e pressionar a rentabilidade.

Para Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, porém, a fraqueza do minério de ferro tem peso maior para explicar a queda das ações. "Savemosque [a China] é um dos principais consumidores de minério do mundo, e a Vale é uma das principais mineradoras do planeta”, afirma.

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