Fique por dentro: Movida já contava com Lula reeleito e juros altos no orçamento de 2027, diz CEO
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Consulte formatos e valores disponíveisMovida já contava com Lula reeleito e juros altos no orçamento de 2027, diz CEO Ação da locadora foi uma das que mais se valorizou após o primeiro turno da eleição e caiu 58% na segunda-feira Eduardo Moscatelli: 'aprovamos nosso orçamento em cima de um cenário básico'
Priorizar nos meus resultados Google Ação da Movida perdeu 58,49% na segunda-feira, um dia após a reeleição de Lula Orçamento de 2027 foi aprovado com premissa de governo mantido e juros altos, diz CEO Plano para o próximo ano prevê frota estável, corte de custos e mais oficinas próprias O orçamento da Movida (MOVI3) para 2027 foi aprovado pelo conselho de administração considerando a manutenção do atual governo e dos juros em patamar elevado. A informação é do CEO, Gustavo Moscatelli, em entrevista à EXAME, um dia depois de a ação da locadora perder 58,49% em um único pregão com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Questionado sobre os efeitos do resultado da eleição, Moscatelli afirmou que a empresa se planejou a partir de um cenário conservador. "A gente não contava e continua não contando com redução de taxa de juros", disse. "A gente se preparou e se planejou para esse ambiente que a gente está vendo, que provavelmente vai se concretizar, de uma taxa de juros mais elevada durante mais tempo."
Segundo o executivo, a mudança de humor do mercado nas semanas entre o primeiro e o segundo turno não alterou a estratégia. "Nas últimas quatro semanas, teve uma mudança de perspectiva da taxa de juros no país por conta do ambiente eleitoral. A gente não tomou nenhuma decisão na companhia que mudou a nossa estratégia", afirmou. "A gente fez e aprovou o nosso orçamento do ano que vem no conselho de administração considerando o cenário básico que a gente tinha quatro semanas atrás, que é a manutenção do governo e uma manutenção de taxa de juros no ano que vem."
A Movida era apontada por casas de análise como uma das ações que mais poderiam ganhar com uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), pela perspectiva de queda mais rápida dos juros com um governo de direita. Empresas endividadas, com dívida atrelada à Selic e margem líquida apertada, estão entre as mais beneficiadas por cortes na taxa básica.
O papel fechou setembro perto de R$ 10. No primeiro pregão depois do primeiro turno, em 5 de outubro, quando Flávio terminou a votação à frente de Lula, a ação subiu 24,42%. A alta continuou nas semanas seguintes e ganhou fôlego com revisões de bancos. Em 19 de outubro, o Itaú BBA elevou o preço-alvo de R$ 15 para R$ 25 e classificou a ação como uma das melhores alternativas para aproveitar um cenário macroeconômico mais favorável. No dia seguinte, o Citi subiu o alvo de R$ 13,40 para R$ 22, e a ação fechou no pico do mês, a R$ 19,96, praticamente o dobro do início de outubro.
Na segunda-feira, 26, a ação chegou a ser negociada a R$ 6,90 e fechou a R$ 7,75, abaixo do nível em que começou o mês. No mesmo dia, o Ibovespa fechou em baixa de 13,9%, a maior queda diária em seis anos, num pregão em que a B3 acionou o circuit breaker pela primeira vez desde 2020. O BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) avalia que a reeleição deve levar o juro real longo para acima de 8% e frear os cortes da Selic.
"Basta você estar listado na bolsa para estar suscetível a volatilidades como as da última segunda-feira, como também as das últimas três semanas", disse o CEO. "Volatilidades por razões externas, não tem o que a gente fazer. Vamos focar no que está no nosso controle, que é a gestão da companhia."
Para Moscatelli, a redução do endividamento nos últimos três anos deixa a empresa em outra posição para atravessar um período de juros altos. "Se a gente tivesse uma alavancagem mais elevada, seria muito mais desafiador", afirmou. "É uma fortaleza nossa para enfrentar talvez um período de taxa de juros elevada mais uma vez."
A relação entre dívida líquida e Ebitda caiu para 2,56 vezes no terceiro trimestre, ante 3,14 vezes em 2023, o menor nível em seis anos. A empresa tem R$ 3,5 bilhões em caixa e custo médio de dívida de CDI mais 1,8% ao ano. Os juros, porém, continuam pesando. De um lucro operacional de R$ 1,086 bilhão no trimestre, sobraram R$ 152 milhões de lucro líquido depois das despesas financeiras e dos impostos.
O discurso repete o de março, quando Moscatelli disse à EXAME que o lucro da Movida cresceria mesmo sem queda dos juros. Desde então, o lucro trimestral passou de R$ 102 milhões, no fim de 2025, para R$ 152 milhões, alta de 117% sobre o terceiro trimestre do ano passado.
Sobre a possibilidade de recomprar ações depois da queda, o executivo lembrou que a empresa tem um programa aprovado pelo conselho e em vigor.
"Como a gente tem um programa aberto e aprovado, isso pode ser sim uma alocação de capital pontual. Mas esse não é o foco da companhia", disse.
O plano para o próximo ano não prevê crescimento da frota, que terminou setembro com 294 mil carros. A meta é extrair mais de cada veículo, com aumento da ocupação, atração de novos clientes, repasse de preços e redução de custos. "É um planejamento de manutenção do volume de carros que a gente tem na frota, mas com continuidade nas iniciativas de eficiência operacional, tanto na parte de receita quanto na parte de custos", afirmou.
No trimestre, a ocupação dos carros disponíveis para aluguel chegou a 77,7%, alta de 5,9 pontos percentuais, e a empresa somou 767 mil novos clientes em 12 meses.
Uma das apostas para cortar custos é o Movida Pit Stop, rede de oficinas próprias instaladas em estacionamentos e shopping centers. Segundo o CEO, a economia fica entre 30% e 35% em relação ao mesmo serviço feito por oficinas terceirizadas. A rede tem 11 unidades, deve chegar a 27 até dezembro e passar de 50 em 2027. Na apresentação de resultados, a companhia estima que a iniciativa pode acrescentar até 1 ponto percentual à margem Ebitda.
A queda de 16,2% na receita com seminovos, para R$ 1,471 bilhão, foi resultado de uma escolha, segundo Moscatelli. Com a demanda forte por aluguel no segundo e no terceiro trimestres, a Movida segurou carros que seriam vendidos para atender os clientes. As diárias cresceram 22% no período.
"Depois da alta temporada de julho, a gente começou a desmobilizar um pouco mais de carros. Por isso a venda do terceiro trimestre já foi maior do que a do segundo", disse. A empresa vendeu 20.051 carros entre julho e setembro, ante 19.414 no trimestre anterior.
Mesmo assim, a idade média da frota de aluguel caiu de 12,6 para 12 meses. "O controle do ciclo do ativo está mais na nossa mão do que nunca", afirmou.
No aluguel de frotas para empresas, a Movida vem fechando contratos com rendimento mensal de 3,7% sobre o valor do carro, contra 3,2% da carteira em vigor. A troca é gradual. "Você contrata 2 mil, 3 mil carros no mês, mas sua base é de mais de 100 mil carros. Até você fazer a troca de toda a carteira por esse yield novo, demora um pouco mais de tempo", explicou.
Segundo o executivo, o avanço da carteira de 3% para 3,2% ao mês parece pequeno, mas significa gerar quase 2,5% a mais por ano sobre um capital investido de quase R$ 12 bilhões. A receita do segmento subiu 15% no trimestre, para R$ 1,189 bilhão, e a margem atingiu o recorde de 79,2%.
A depreciação anualizada por carro no aluguel passou de R$ 6,9 mil para R$ 7,3 mil em um ano. Segundo Moscatelli, a pressão está concentrada nos modelos acima de R$ 130 mil, que perdem valor mais rápido com o excesso de oferta provocado pela chegada de marcas chinesas. Esses carros representam menos de 7% da frota.
A empresa ajusta a depreciação "para não ter nenhuma surpresa no momento da venda do carro" e tenta compensar vendendo mais no varejo, com financiamento, do que no atacado.
A Movida não tem projeção de resultado para o próximo ano. Moscatelli, porém, usou o desempenho de 2026 como referência. "Esse ano a gente trabalhou com um CDI médio maior do que provavelmente o do ano que vem, porque foi caindo ao longo do tempo e agora deve entrar em um período de estabilidade. E o resultado operacional cresceu acima de 20%. Então eu não vejo razão para a gente ter algo diferente disso no ano que vem", disse.
No terceiro trimestre, o Ebitda cresceu 21,4%, e o lucro operacional após a depreciação, 27,2%. "Considerando todas essas melhorias que ainda estão em desenvolvimento e em implantação, eu vejo oportunidade de ter uma aceleração na rentabilidade da companhia, mais margem, mais retorno e mais rentabilidade para o acionista", afirmou.
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