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Fique por dentro: Fed decide se sobe juros em momento tenso para a bolsa brasileira

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 28 de outubro de 2026 às 08:20
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Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Fed decide se sobe juros em momento tenso para a bolsa brasileira O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) decide nesta quarta-feira, 27, o futuro dos juros americanos; expectativa é de manutenção das taxas atuais Decisão do Fed: no Brasil, o efeito da decisão desta quarta-feira tende a ser limitado no curto prazo (Samuel Corum/Bloomberg)

Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decide nesta quarta-feira, 28, se mantém os juros na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano. Segundo o FedWatch, da CME, 92,8% dos investidores esperam manutenção. Especialistas avaliam que o cenário político e fiscal brasileiro deve pesar mais sobre os ativos locais no curto prazo.

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) decide nesta quarta-feira, 28, se mantém, abaixa ou volta a elevar a taxa básica de juros americana, atualmente na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano. A decisão ocorre em um momento de forte turbulência no mercado financeiro brasileiro, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que provocou uma onda de vendas na bolsa e disparada do dólar.

Na terça-feira, 27, o Ibovespa fechou em queda de 0,51%, aos 175.710,05 pontos, depois de despencar 13,88% na sessão anterior. Em dois pregões, o principal índice da B3 acumulou baixa de 14,3% após subiu quase 7% entre o 1° e o 2° turno das eleições, de 4 a 25 de outubro. O dólar à vista, por sua vez, recuou 0,97% na terça-feira, a R$ 5,35, após disparar 8,21% na véspera.

A decisão do Fed entra no radar dos investidores brasileiros porque a trajetória dos juros americanos influencia a atratividade dos ativos de mercados emergentes e os fluxos internacionais de capital.

Especialistas avaliam, no entanto, que, neste momento, as incertezas domésticas e as expectativas sobre a condução da política econômica do quarto mandato de Lula devem ter maior influência sobre os preços dos ativos brasileiros.

As apostas do mercado indicam que o banco central americano deve manter os juros inalterados.

Segundo o FedWatch, ferramenta da CME que acompanha as expectativas para as decisões da autoridade monetária, 92,8% dos investidores apostavam, até esta terça, na manutenção da taxa. Outros 7,2% projetavam uma alta de 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 4,00% e 4,25% ao ano.

Para Juliana Benvenuto, coordenadora de investimentos e conteúdo da Avenue, a inflação americana continua sendo um fator central para a decisão, embora os sinais de desaceleração do mercado de trabalho reduzam a necessidade de um novo aperto monetário imediato.

"O mercado já precifica mais de 90% de probabilidade de manutenção dos juros nessa reunião, percentual que vem aumentando nos últimos dias. Tivemos recentemente a divulgação do CPI, índice de inflação ao consumidor dos Estados Unidos, que veio acima do esperado. Por outro lado, o mercado de trabalho continua relativamente estável e resiliente, embora já apresente sinais de desaceleração", afirma.

Segundo Benvenuto, os discursos dos dirigentes do Fed indicam que o controle da inflação continua sendo uma prioridade. Ainda assim, a coordenadora da Avenue avalia que não há necessidade de acelerar o ritmo de alta dos juros neste momento. "O mercado entende que uma alta não deve acontecer na próxima reunião, mas pode voltar ao radar em dezembro", diz.

A especialista acrescenta que o mercado já trabalha com uma probabilidade superior a 70% de alta dos juros na última reunião do ano. As projeções dos dirigentes do Fed divulgadas na última reunião também apontam para um novo aumento ainda neste ano.

O cenário reflete a persistência da inflação acima da meta de 2% do banco central americano, inclusive no índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), medida preferida da autoridade monetária para acompanhar a evolução dos preços.

Ao mesmo tempo, a economia dos Estados Unidos continua demonstrando resiliência, com expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 2,3% neste ano.

No Brasil, o efeito da decisão desta quarta-feira tende a ser limitado no curto prazo, na avaliação de Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital. Para o especialista, a expectativa de manutenção dos juros já está incorporada aos preços, enquanto o cenário político e fiscal brasileiro concentra a atenção dos investidores.

"O impacto da decisão do FOMC [Comitê Federal de Mercado Aberto] é pequeno para o Brasil agora. Já está bem precificado, e no curtíssimo prazo há outros fatores mais relevantes pros ativos domésticos, em especial aqueles que envolvem a formação do governo Lula IV e como este deve lidar com a questão fiscal no contexto de uma desaceleração da atividade já encomendada para o próximo ano", diz.

Benvenuto também avalia que, nesse primeiro momento, os fatores domésticos devem falar mais alto e fazer com que o Brasil se descole temporariamente do cenário externo.

"O mercado deve passar a avaliar as propostas do novo governo, especialmente a forma como a questão fiscal será conduzida. Esse será um dos principais desafios da próxima gestão: definir como o desequilíbrio fiscal brasileiro será enfrentado e quais medidas serão adotadas para lidar com as contas públicas. A percepção dos investidores sobre esses avanços ou retrocessos tende a influenciar diretamente o comportamento dos ativos locais", disse a coordenadora da Avenue.

A diferença entre as trajetórias monetárias dos dois países, porém, continua sendo um ponto de atenção. Enquanto o Fed mantém a possibilidade de novos aumentos no horizonte, o Brasil está em um ciclo de flexibilização monetária.

A perspectiva de redução dos juros brasileiros, combinada à manutenção de taxas elevadas nos Estados Unidos, pode diminuir a vantagem relativa dos investimentos no país. Atualmente, a taxa básica de juros brasileira, a Selic, está em 13,75% ao ano, após cinco cortes de 0,25 ponto percentual ao longo do ano.

Para Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, a manutenção dos juros americanos, acompanhada de um discurso mais duro sobre a inflação, pode prolongar a atratividade dos títulos públicos dos Estados Unidos.

"Quando uma economia de referência, como a dos Estados Unidos, mantém os juros elevados e sinaliza que eles devem permanecer nesse patamar por mais tempo, os títulos públicos americanos continuam oferecendo bons retornos. Isso reduz a atratividade relativa dos investimentos em países emergentes, como o Brasil, e diminui o diferencial de juros entre esses mercados", afirma.

Na prática, a redução dessa diferença pode intensificar a disputa entre países emergentes e economias desenvolvidas pelos recursos dos investidores internacionais. Em um ambiente de maior percepção de risco fiscal e institucional no Brasil, parte desses recursos pode migrar para mercados considerados mais previsíveis.

"Isso diminui a atrativa ali do diferencial de juros e aí o capital ele acaba concorrendo ali pelo mesmo pelos mesmos investimentos a níveis eh de Atividades semelhantes", diz Centeno.

A economista também avalia que o mercado deve acompanhar os sinais de acomodação do emprego nos Estados Unidos, em um contexto no qual a inflação permanece pressionada. Para ela, esse quadro favorece a manutenção dos juros, em vez de um novo aumento imediato.

Além dos dados econômicos americanos, os preços do petróleo e as tensões geopolíticas também influenciam as perspectivas para a política monetária. Na avaliação de Cavalcanti, o petróleo segue como um dos principais vetores de pressão inflacionária.

"O Brent chegou a US$ 116,6 na semana passada, máxima desde maio, pressionado pelos ataques houthis à Arábia Saudita, pelo risco de retomada de operações militares de EUA e Israel contra o Irã e pelas dúvidas sobre o Estreito de Ormuz. Há esforços diplomáticos em curso, mas nada resolvido. Enquanto o barril permanecer nesse patamar, a inflação americana segue pressionada e o Fed mantém o viés restritivo", afirma.

O gestor também aponta que o estresse recente nos ativos de tecnologia exige cautela da autoridade monetária. As dúvidas sobre o financiamento dos investimentos em inteligência artificial, especialmente o endividamento de empresas de data centers, podem aumentar a preocupação com as condições financeiras.

A expectativa predominante é de manutenção dos juros entre 3,75% e 4,00% ao ano. Segundo o FedWatch, ferramenta da CME, 92,8% dos investidores apostavam nessa decisão, enquanto 7,2% projetavam alta de 0,25 ponto percentual.

A inflação americana permanece acima da meta de 2%, mas o mercado de trabalho já apresenta sinais de desaceleração. Juliana Benvenuto, coordenadora de investimentos e conteúdo da Avenue, avalia que não há necessidade de um novo aumento imediato, embora uma alta possa voltar ao radar em dezembro.

Juros elevados nos Estados Unidos aumentam a atratividade dos títulos públicos americanos e podem reduzir o fluxo de capital para mercados emergentes, como o Brasil. Segundo Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, esse cenário diminui o diferencial de juros entre os dois países.

O impacto tende a ser limitado no curto prazo, segundo Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, porque a expectativa de manutenção já está incorporada aos preços. Cavalcanti e Juliana Benvenuto avaliam que a formação do novo governo e a condução da política fiscal devem ter maior influência sobre os ativos brasileiros.

O Ibovespa acumulou queda de 14,3% em dois pregões, após recuar 13,88% na segunda-feira e 0,51% na terça-feira, 27. O dólar à vista fechou a terça-feira em R$ 5,35, com baixa de 0,97%, depois de subir 8,21% na sessão anterior.

O petróleo mais caro pode manter a inflação americana pressionada e reforçar uma postura monetária restritiva. Segundo Camilo Cavalcanti, da Oby Capital, o Brent chegou a US$ 116,60 na semana anterior, influenciado por tensões no Oriente Médio e pelas dúvidas sobre o Estreito de Ormuz.

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