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27.out.2026 às 23h00 Edição Impressa Diminuir fonte Aumentar fonte Adriana Fernandes Catia Seabra Idiana Tomazelli Brasília O mercado financeiro cobra urgência na escolha do ministro da Fazenda como forma de fazer um choque de credibilidade fiscal após a eleição, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) não deve anunciar uma decisão rapidamente.
O presidente deve tirar um período de descanso após a maratona da eleição, de acordo com auxiliares. Ele precisa poupar a voz, marcada pela rouquidão há cerca de duas semanas. De tão rouco, ele adiou a comemoração do aniversário, celebrado nesta terça-feira (27), para o fim de semana.
Um auxiliar disse que o momento é de "ressaca cívica" e lembra que até alguns dias o presidente estava brigando para ganhar eleição e que a composição do próximo governo não era o foco.
Em 2022, Lula demorou para anunciar o petista Fernando Haddad para a Fazenda. O presidente foi eleito no dia 30 de outubro e a confirmação do nome de Haddad só ocorreu em 9 de dezembro, quase um mês e meio depois do resultado das urnas.
Na primeira eleição de Lula, em 27 de outubro de 2002, a indicação de Antônio Palocci, então coordenador da campanha vitoriosa, para a pasta só ocorreu em 10 de dezembro, durante uma viagem a Washington, nos Estados Unidos.
O anúncio foi feito em um discurso no Clube Nacional de Imprensa (National Press Club), marcando a primeira indicação oficial de ministros do seu governo.
Na eleição de 2006, Guido Mantega já era ministro e permaneceu no cargo até o final do governo Lula 2, seguindo na Fazenda no governo Dilma Rousseff 1.
Embora a janela de tempo para Lula anunciar a formação da sua equipe econômica para o próximo mandato seja apontada como reduzida diante da pressão do mercado por causa do quadro econômico, há uma avaliação de integrantes do governo e de conselheiros de fora da gestão petista de que só o anúncio do futuro ministro não será suficiente.
A decisão precisará vir acompanhada de alguma sinalização do plano de governo para conter as despesas obrigatórias em um ambiente de desaceleração econômica.
Como mostrou a Folha, os nomes do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, e do vice-presidente Geraldo Alckmin estão cotados para a vaga. Um auxiliar do presidente diz que Lula quer Fonteles no ministério e que houve consultas informais sobre a legalidade da saída dele do cargo.
A avaliação prevalente, no entanto, é que ele teria de renunciar ao cargo. Mas isso poderia ser feito se Fonteles adotasse o discurso de que veria a contribuição para o governo Lula como uma missão. O discurso no Piauí seria de que ele estaria atendendo a uma convocação do presidente.
Um banqueiro ouvido pela reportagem afirma que Lula tem uma urgência maior para anunciar o nome do futuro ministro da Fazenda do que teria Flávio Bolsonaro ( PL ), caso tivesse ganhado a eleição.
O executivo lembra que esse é um momento de grande tensão, quando as forças políticas e econômicas disputam espaço de influência para a escolha do nome para a pasta.
O governo dá sinais de que quer ganhar tempo. Responsável pela articulação política do presidente Lula, o ministro da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), José Guimarães (PT), afirmou que as três pautas prioritárias agora para o governo são a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, a medida provisória do fim das bets e a PEC da tarifa zero do transporte público. Segundo ele, o pacote fiscal não é prioridade.
Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de link Cadeado representando um link Copiar link Ícone fechar Carregando... Um aliado do presidente avalia, no entanto, que algumas medidas iniciais de ajuste poderiam ser lançadas nas próximas semanas, ainda sob a batuta do atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, que já elaborou um cardápio de ações para colocar à disposição de Lula.
Como mostrou a Folha, a equipe prepara uma PEC para permitir ao Executivo congelar um valor maior de recursos em caso de queda na arrecadação e, assim, cumprir o centro da meta fiscal —em vez de perseguir o piso da banda, como tem ocorrido nos últimos anos.
A equipe econômica também elaborou uma PEC para prorrogar a vigência do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) até que o novo Imposto Seletivo, criado pela reforma tributária para incidir sobre bens prejudiciais à saúde e ao ambiente, entre em funcionamento. Todas essas iniciativas, porém, ainda dependem do aval do presidente.
Na avaliação desse interlocutor de Lula, o avanço das primeiras medidas poderia dar tempo ao petista até que batesse o martelo sobre a escolha do novo chefe da equipe econômica, que começaria a nova gestão já com um ponto de partida melhor que o atual.
O governo monitora o mercado e considera que a atuação conjunta do Tesouro Nacional e do Banco Central contribuiu para segurar o "calor" após o derretimento dos preços dos ativos, principalmente com recompra no mercado de títulos prefixados.
O dólar recuou nesta terça-feira (27), em um movimento de correção após a forte alta da véspera (26), quando a moeda americana registrou a maior valorização diária desde 1999. O movimento também se refletia nos juros futuros, que recuavam após a disparada de mais de 250 pontos-base na sessão anterior.
A reação é impulsionada por operações de recompra de títulos pelo Tesouro Nacional. Nesta terça-feira, o órgão anunciou a recompra de títulos IPCA+ e cancelou leilões de Tesouro Selic. Na véspera, o Tesouro recomprou do mercado R$ 14,8 bilhões em títulos prefixados e atrelados à inflação, na terceira maior intervenção diária de toda a série histórica, iniciada em janeiro de 2000. A comparação considera valores nominais.
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