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Entenda: Sem título

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 26 de outubro de 2026 às 17:05
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Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Visitantes do MWC 2026 passam por logotipo e mascote do sistema Android, do Google Imagem: Albert Gea/Reuters Esta é a newsletter Radar Big Tech. Inscreva-se gratuitamente para receber no seu email toda segunda

O Google começou pelo Brasil a impor restrições à instalação em smartphones que rodam Android de aplicativos que venham de fora da Google Play e de lojas parceiras. A blindagem chegará ao restante do mundo em 2027.

Gratuito e de código aberto, o sistema operacional do Google se tornou o mais popular do mundo ao ser embarcado por quase todas as fabricantes de celulares. Por outro lado, atrai fãs por dar liberdade para experimentos e modificações de serviços sem passar pelo crivo da big tech. Se conta com a parceria das grandes fabricantes de smartphones, a blindagem ao Android irritou muitos dos aficionados por tecnologia. "Não tem mais motivo para não usar um iPhone " e "Já já vira um iOS, e a liberdade se esvai" são alguns dos comentários nas redes.

Não foram só eles a fazer perguntas. Antes de a medida começar a valer, no fim de setembro, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) acionou o Google para entender se desenvolvedores menores seriam prejudicados e por que o Brasil foi escolhido como laboratório mundial de ação tão drástica. As respostas da big tech vieram, e entidades da sociedade civil não ficaram contentes e pediram a suspensão da restrição. Como o movimento do regulador brasileiro ocorre dentro de inquérito aberto em 2024 para investigar se o Google usa seu domínio no Android para minar rivais à Google Play,, o prognóstico para a big tech não é bom: procedimento similar forçou a.

A medida que virou novo embate com o Cade foi anunciada pelo Google em 25 de agosto de 2025. É a Verificação de Desenvolvedores para Android, ADV na sigla em inglês:

O objetivo do Google com a Política de Desenvolvedores é consolidar-se como a única opção confiável, descredibilizando concorrentes que dependem do ecossistema Android para acessar usuários. Artigo 19 e EFF, em manifestação ao Cade

O ADV é uma resposta necessária e proporcional ao crescimento exponencial de malwares associado à evolução da IA Google, em resposta ao Cade

Robô mascote do sistema Android, na sede do Google, em Mountain View, na Califórnia (EUA) Imagem: Justin Sullivan/Getty Images North America/Getty Images via AFP O Android roda em oito de cada dez celulares no Brasil, segundo o StatCounter. Controlar quem pode fornecer aplicativos para o Android é, na prática, definir que passa pela porta de entrada de quase todo app que chega ao bolso do brasileiro. O Cade investiga desde 2024 justamente se o Google usa o domínio sobre o sistema para sufocar rivais da Google Play. A nova regra caiu no meio desse inquérito.

O enredo é conhecido. Em 2026, um processo parecido no Cade terminou com a Apple aceitando abrir o iPhone para lojas rivais. A ironia é que o Google usa esse mesmo acordo como defesa. Segundo a empresa, o ADV seria "muito menos restritivo" do que a análise automática que a Apple exigir de apps vindos de lojas alternativas.

Abordado por Radar Big Tech, o Cade informou que não comenta casos em andamento.

As entidades lembram outro precedente, mais recente e mais incômodo para o Google. Em janeiro de 2026, o Cade impediu a Meta de proibir IAs concorrentes da Meta AI no WhatsApp. A medida preventiva foi dada dias antes da mudança entrar em vigor. Para Artigo 19 e EFF, a lógica é a mesma: posição dominante, medida desproporcional e uma suspensão que só manteria as coisas como estão.

Além da Google Play, lojas de aplicativos pertencentes a fabricantes de smartphones aderiram à regra: Galaxy Store ( Samsung ), GetApps ( Xiaomi ), OPPO App Market (Oppo), V-Appstore (vivo), HONOR App Market (Honor) e Palm Store (Transsion). As ausências são a sul-coreana LG, que não possui loja alternativa à Google Play, e a chinesa Huawei, que deixou de usar o Android e criou seu próprio sistema após o embargo internacional do governo dos Estados Unidos.

Do lado de fora ficam os repositórios independentes, como F-Droid e IzzyOnDroid, e o desenvolvedor pequeno. Uma carta aberta contra a política reuniu IzzyOnDroid, The Guardian Project, GitHub e mais 67 entidades de mais de 20 países. Segundo a Artigo 19, há lojas que já consideram fechar as portas.

O argumento de segurança é contestado pelas entidades. A própria Play, que só trabalha com desenvolvedores verificados, distribuiu 50 apps que comprometeram 2,3 milhões de aparelhos em abril de 2026.

Dizer que o Android "virou iOS" parece exagero. Quem baixa um APK de um site, recebe um arquivo por e-mail ou usa o F-Droid continua instalando como sempre. A restrição só valerá a partir de março de 2027, salienta o Google.

Mesmo depois, a porta não fechará de vez. Para indies, o Google criou uma conta de distribuição limitada, gratuita, verificada só com e-mail ou telefone. Já o "fluxo avançado" de instalação, sem dúvida, exigirá paciência: o usuário precisará ativar o modo desenvolvedor, provar que ninguém está espiando a tela por acesso remoto, reiniciar o aparelho, esperar 24 horas e confirmar com digital ou PIN. Para o Google, a espera é justificada assim: mais de 60% dos golpes digitais no país se concretizam nas primeiras 24 horas após o contato com a vítima.

Como lembram Artigo 19 e EFF, o fluxo avançado roda dentro do Google Play Services, que o Google atualiza quando quiser. Hoje são 24 horas de espera. Amanhã, quem sabe? A bola está com o Cade.

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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