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Consulte formatos e valores disponíveisCantor, compositor e ativista baiano, Lazzo Matumbi é conhecido por ser uma das maiores vozes da música negra e um dos precursores do samba-reggae no Brasil. Ao longo de 45 anos de carreira, o artista, que começou cantando no bloco afro Ilê Aiyê, é autor de grandes sucessos como 'Alegria da cidade', 'Do jeito que seu nego gosta', 'Me abraça e me beija' e 'Abolição'.
Em entrevista ao Toca UOL, durante o Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, Lazzo Matumbi declarou ser um missionário da ancestralidade, responsável por falar sobre amor, sobre a construção de um país mais justo e igualitário e por abrir caminhos para a nova geração de artistas comprometidos com a música negra brasileira.
Lançando suas primeiras gravações no início dos anos 1980, Lazzo acompanhou todo o movimento dos blocos afro em Salvador, culminando na explosão do samba-reggae e, depois, do que ficou conhecido como axé music. Unindo MPB, samba e reggae, sua música é parte do caldo daquela geração, mas o artista não se vê exatamente como um pioneiro daquela sonoridade.
"Na verdade, não me vejo como precursor do samba-reggae. Como a minha música é uma música de fusão, de mistura de ritmos e sons, talvez eu tenha tido essa sorte de ser um dos primeiros a experimentar essa coisa da mistura."
Mas, para além do nome gênero musical baiano, Lazzo conta que a conexão entre o samba e o reggae sempre lhe soou evidente. "Por ter vindo do samba, quando conheci o reggae, achei muito familiar, principalmente com a pulsação do contrabaixo, como a pulsação do coração. No samba, também tem o grave dos bumbos, tem uma familiaridade que é muito normal, de Mamãe África e os seus sons."
"Se você observar, boa parte dos sons são mais ancestrais, porque são sons que vêm dos tambores, onde, em África, se comunicava de uma região para a outra, de uma etnia para a outra. Essa herança, a gente herdou de forma muito positiva, mesmo que, no Brasil, esses sons tenham uma proximidade com o labor, com a dor, e sejam um canto por conta do sofrimento e da necessidade de sobrevivência e existência."
Lazzo Matumbi no Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros Imagem: Gabriela Fernandes Discurso de aquilombamento Conhecido por sua atuação como ativista, Lazzo Matumbi resgata o passado buscando construir uma realidade melhor para os povos negros e indígenas no país.
"Apesar de estarmos vivendo um governo que, pela primeira vez, pediu perdão à África pelos feitos no Brasil, pela exploração dos afrodescendentes e dos indígenas, somos todos iguais, mas temos diferentes histórias, etnias, cor de pele, cor de olhos. É necessário que o Brasil consiga entender isso e supervalorizar, principalmente, dois pilares que continuam sustentando o país: o pilar afro e o indígena. A gente luta para ter direitos e a possibilidade de estar em uma nação sendo respeitados."
Ainda que tenha seus desafios, o contexto do país não é capaz de abater Lazzo. "Não fico triste porque observo que tem muito mais gente nessa mesma vibe. Eu sou um felizardo. Só tenho a agradecer pela minha ancestralidade, me colocar como discípulo."
Sua missão, ele explica, é seguir alimentando ideais comunitários através do seu som. "A minha música tem esse toque de: 'Vamos, acordem, vamos juntos'. Até porque, sozinho, não sou nada. Se o meu povo é forte, juntos, somos inquebrantáveis. A gente precisa, cada vez mais, fortalecer esse discurso do acolhimento, do aquilombamento e do amor. O amor que temos entre nós, que pode ser distribuído entre todos, na construção de algo muito melhor para todos nós".
No último dia 11, Lazzo Matumbi dividiu o palco do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros (GO) com Bongar, um grupo de jovens pernambucanos que levam mundo afora a cultura do coco da Jurema com uma batida única do terreiro Xambá, cantando o cotidiano de sua comunidade e a religiosidade do seu povo.
"Eu, como um cara que faço MPB pop e que veio da Bahia, um lugar com herança ancestral através do candomblé muito forte, e com uma mistura também indígena, estar participando de um festival que valoriza isso, é super gratificante. Essa minha troca hoje com o Bongar, me dá muita alegria, porque são meninos novos fazendo um som misturado, mas também tradicional. Fico muito feliz com essa oportunidade."
Em um dos seus projetos mais recentes, 'Matumbi Canta a Bahia', Lazzo também reuniu artistas como BaianaSystem, Rachel Reis e BNegão, e declarou estar muito contente com as novas gerações. "Esses artistas com os quais eu estou me conectando, fazem parte de um exército de pessoas que pensam em contribuir e construir um país mais justo."
"Como me considero um missionário da ancestralidade, a tendência é ir se conectando, principalmente, com os mais novos. É uma satisfação poder observar que esses jovens estão navegando na mesma praia. Dá satisfação perceber que o tempo não foi perdido."
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