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Entenda: ChatGPT decifra em 6 horas mensagem secreta da era Napoleão após 217 anos

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 27 de outubro de 2026 às 18:10
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Entenda: ChatGPT decifra em 6 horas mensagem secreta da era Napoleão após 217 anos
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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ChatGPT decifra em 6 horas mensagem secreta da era Napoleão após 217 anos Carta de 1809 reunia cerca de 1,3 mil sinais que escondiam informações estratégicas sobre forças militares Napoleão Bonaparte: IA ajudou a decifrar carta militar escrita em 1809 (Freepik)

Priorizar nos meus resultados Google Tudo sobre Acompanhe tudo sobre Inteligência artificial Saiba mais Uma mensagem militar enviada durante as Guerras Napoleônicas foi decifrada 217 anos depois com auxílio de inteligência artificial. Escrita em 1809, a carta escondia informações estratégicas sobre a posição das tropas de Napoleão Bonaparte e de seus aliados antes da guerra contra a Áustria.

O trabalho foi realizado pelo engenheiro de inteligência artificial Carter Church, que publicou os resultados e a metodologia da investigação em seu site. Church utilizou o GPT-6 Astra, modelo da OpenAI, para analisar uma reprodução de baixa resolução do documento e reconstruir a mensagem.

A carta continha cerca de 1,3 mil sinais distribuídos por 24 linhas codificadas. Segundo Church, o documento reunia 155 sinais diferentes e era conhecido apenas por uma reprodução publicada em 1969 em uma revista militar francesa.

Segundo Church, o processo levou aproximadamente seis horas de execução do modelo a partir de uma única imagem do documento.

A solução foi posteriormente analisada por Satoshi Tomokiyo, especialista em cifras históricas responsável pelo Cryptiana, projeto que reúne registros de códigos antigos ainda não solucionados. Após a revisão, o caso passou a ser classificado como resolvido no site.

A verificação era uma etapa importante porque uma sequência aparentemente coerente em francês não seria suficiente para comprovar a solução. Era necessário confirmar a consistência da chave usada para interpretar os sinais.

A carta era destinada ao marechal Auguste de Marmont, que comandava aproximadamente 13 mil soldados na Dalmácia durante os preparativos para o conflito com a Áustria.

Napoleão havia determinado, em 16 de março de 1809, que seu enteado Eugène de Beauharnais informasse Marmont sobre a posição dos exércitos por meio de uma mensagem cifrada.

O texto recuperado descreve onde estavam diferentes forças francesas e aliadas. A mensagem menciona exércitos comandados por Davout, Masséna e Bernadotte, além de tropas bávaras, polonesas e saxãs. Também aparecem informações sobre a movimentação das forças austríacas e orientações para Marmont diante de um possível confronto.

A reconstrução corresponde em grande parte ao conteúdo que Napoleão havia ordenado que fosse transmitido, incluindo exércitos, números de soldados e regiões citadas.

Antes de descobrir o conteúdo da carta, o sistema precisou transformar os símbolos manuscritos em dados que pudessem ser analisados.

De acordo com Church, a cifra era homofônica, sistema no qual uma mesma letra pode ser representada por diferentes símbolos. A característica dificulta métodos tradicionais baseados na frequência com que cada letra aparece.

A IA primeiro identificou e organizou os sinais antes de construir uma transcrição. Uma tabela elaborada anteriormente pelo historiador da criptologia Daniel Tant já fornecia possíveis significados para parte dos símbolos.

Essas informações permitiam interpretar 435 das cerca de 1,3 mil unidades presentes na carta. O restante precisou ser reconstruído a partir dos padrões encontrados no próprio documento.

O sistema testou diferentes combinações e comparou os resultados com padrões da língua francesa. O processo também revelou símbolos que representavam palavras inteiras, e não apenas letras isoladas.

A cada hipótese, a solução era confrontada novamente com a imagem original para verificar se cada sinal mantinha o mesmo significado em suas diferentes aparições.

A análise também esclareceu um erro histórico relacionado ao documento. A carta aparecia anteriormente no Cryptiana como sendo de 1807.

A reconstrução do contexto mostrou que ela foi escrita em março de 1809, período compatível com as ordens enviadas por Napoleão naquele mês e com a invasão austríaca ocorrida em abril.

A reprodução utilizada na análise havia sido publicada em 1969 na Revue historique des Armées, mas não incluía a chave necessária para interpretar a cifra.

O conteúdo recuperado ainda permitiu completar uma passagem conhecida das ordens de Napoleão para Marmont.

Uma versão publicada das instruções interrompia uma frase depois da expressão equivalente a “um punhado de...”. Na carta decifrada, a continuação menciona “algumas tropas ou uma reunião de ralé”.

Os responsáveis pelo trabalho ressaltam, porém, que isso não permite afirmar quais foram exatamente as palavras utilizadas por Napoleão. A carta enviada por Eugène poderia ter reformulado ou parafraseado parte das instruções recebidas do imperador.

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