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Entenda: Acariciar o seu cão ajuda a proteger o corpo contra o estresse diário

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 29 de outubro de 2026 às 12:10
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Entenda: Acariciar o seu cão ajuda a proteger o corpo contra o estresse diário
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Acariciar um cachorro durante alguns minutos pode influenciar a maneira como o organismo reage a uma situação estressante que ainda está por vir. É o que indica um estudo publicado na revista Biological Psychology, no qual pesquisadores da Universidade de Innsbruck, na Áustria, observaram respostas fisiológicas menores ao estresse entre tutores que puderam tocar seus animais antes de enfrentar uma nova rodada de testes.

O resultado chama a atenção por um detalhe: o contato com os cães não acelerou a recuperação dos participantes após a primeira situação de pressão. A diferença apareceu depois, quando eles precisaram enfrentar outro desafio.

O experimento reuniu 64 tutores adultos de cães saudáveis com pelo menos dois anos de idade. Os participantes tinham, em média, 34,1 anos; 51 eram mulheres e 13, homens.

Para provocar estresse, os pesquisadores submeteram os voluntários a tarefas de conhecimentos gerais com tempo limitado ou a exercícios matemáticos nos quais precisavam fazer contagens regressivas em intervalos numéricos determinados. Durante as atividades, um avaliador acompanhava o desempenho remotamente e fazia comentários negativos.

As reações foram monitoradas por eletrocardiograma (ECG) e eletroencefalograma (EEG). O primeiro registrou a atividade elétrica do coração, enquanto o segundo acompanhou a atividade elétrica cerebral. Com esses dados, a equipe pôde observar mudanças fisiológicas que nem sempre correspondem à maneira como uma pessoa descreve o próprio nível de estresse.

Após a primeira rodada, os participantes tiveram cinco minutos de pausa. Parte deles pôde interagir fisicamente com os cães; os demais ficaram sem acesso aos animais, que permaneceram presos à guia e fora de alcance. Em seguida, todos foram submetidos a uma segunda rodada de testes.

Os primeiros exercícios produziram as alterações esperadas em situações estressantes: a frequência cardíaca aumentou e a variabilidade da frequência cardíaca diminuiu. Essa variabilidade corresponde às mudanças no intervalo entre batimentos e é utilizada para avaliar aspectos da regulação do organismo.

Os registros cerebrais também mudaram. As ondas alfa, associadas ao relaxamento, foram suprimidas, enquanto a atividade das ondas beta aumentou, indicando maior ativação cognitiva.

A comparação entre as duas etapas revelou o principal achado. Os participantes que tocaram seus cães durante a pausa apresentaram sinais fisiológicos menores de estresse na segunda rodada. A interação, portanto, não pareceu acelerar a recuperação imediata, mas esteve associada a uma resposta corporal mais branda diante de uma nova situação de pressão.

Os pesquisadores resumiram a observação: “Esses resultados indicam que tocar o próprio cão atenua o impacto corporal de um fator estressante futuro”.

O trabalho investiga um aspecto específico da relação entre humanos e animais. Pesquisas anteriores já haviam associado a convivência com pets ao bem-estar, mas, segundo os autores, o contato físico raramente era analisado como um fator isolado dos demais tipos de interação.

A equipe também identificou uma diferença entre as medições fisiológicas e as avaliações feitas pelos próprios participantes. Os relatos subjetivos não refletiram integralmente as alterações registradas pelos equipamentos. Isso indica que a percepção consciente do estresse nem sempre acompanha todas as mudanças observadas no organismo.

Os autores consideram que o toque pode ser uma das vias pelas quais situações futuras de pressão passam a provocar uma resposta corporal menos intensa. Como o experimento avaliou um grupo específico de tutores e uma situação controlada, porém, os resultados não demonstram que acariciar um cão produza o mesmo efeito em todas as pessoas ou circunstâncias.

O estudo oferece uma pista sobre como o contato físico com animais pode participar da resposta ao estresse. A descoberta central não é que o carinho elimina a tensão, mas que a interação com o cão antes de um novo desafio esteve associada a um impacto fisiológico menor.

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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