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Região: Entre a SAF e o Maracanã, Pedrinho e Bap travam uma guerra sem trégua em Vasco x Flamengo

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 29 de outubro de 2026 às 13:05
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Região: Entre a SAF e o Maracanã, Pedrinho e Bap travam uma guerra sem trégua em Vasco x Flamengo
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Favorite o Lance! no Google Vasco e Flamengo se enfrentam nesta quinta-feira (29), no Estádio Nilton Santos, em um clássico que promete rivalidade intensa dentro de campo e chega cercado por uma disputa cada vez mais acirrada nos bastidores. A relação entre os presidentes Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e Pedrinho se deteriorou em meio a divergências sobre a venda da SAF vascaína, críticas públicas e uma disputa pelo Maracanã que ganhou contornos institucionais e pessoais.

A crise não surgiu de uma única decisão. Desde 2025, os dirigentes passaram a trocar acusações sobre os interesses envolvidos na negociação da SAF do Vasco. Em 2026, o conflito ganhou novos capítulos com questionamentos sobre a situação financeira do clube cruz-maltino, uma ação judicial entre os presidentes e a discussão sobre a utilização do principal estádio do país.

A escolha do Nilton Santos para o clássico desta quinta ajuda a dimensionar o desgaste. O Vasco será o mandante, mas o confronto não será disputado no Maracanã, estádio que está no centro de outra frente de divergência entre os clubes.

Uma das primeiras manifestações de Bap sobre o tema ocorreu em outubro de 2025, durante uma reunião do Conselho Deliberativo do Flamengo. O presidente rubro-negro passou a criticar a negociação da SAF do Vasco com Marcos Lamacchia, empresário e enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.

Na avaliação de Bap, a relação familiar com a mandatária de um dos principais rivais esportivos do Flamengo poderia representar um conflito de interesses. A discussão abriu uma frente de tensão entre os clubes antes mesmo de a operação ser concluída.

Em abril, Bap também questionou o empréstimo de R$ 80 milhões da Crefisa, empresa ligada a José Lamacchia, marido de Leila e pai de Marcos, e anteriormente patrocinadora do Palmeiras, ao Vasco. A operação passou a integrar o conjunto de argumentos utilizados pelo dirigente rubro-negro para levantar dúvidas sobre as relações financeiras envolvendo o clube cruz-maltino.

O conflito ganhou força em junho, quando Bap afirmou que acionaria a Justiça caso a negociação da SAF avançasse nas condições que considerava irregulares.

Em entrevista ao Charla Podcast, o presidente do Flamengo argumentou que a relação familiar entre Marcos Lamacchia e Leila Pereira deveria ser considerada no processo.

O problema não é ser com o enteado da Leila, em que pese a lei dizer que enteado é relação familiar e não pode. O problema é estar casado com a sua mulher e querer casar com outra. Pelo Código Civil, você precisa separar da primeira. Não pode estar com um pé em cada clube — afirmou Bap.

O dirigente também disse que não era contrário a um Vasco forte, mas defendia que a operação respeitasse a legislação. No mesmo dia, Pedrinho rebateu as declarações e afirmou que Leila Pereira não participava das negociações com o futuro investidor.

O presidente vascaíno ainda questionou o que classificou como uma fixação de Bap em interferir em assuntos de outros clubes e citou a disputa pela divisão das receitas da Libra e a licitação do Maracanã.

Em agosto, a divergência ganhou outra dimensão. O Flamengo acionou a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) para solicitar uma análise da situação econômico-financeira do Vasco.

O clube rubro-negro questionou se as movimentações do rival no mercado de transferências estavam de acordo com as regras do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF).

O argumento do Flamengo foi que o Vasco, em recuperação judicial, havia comunicado dificuldades para cumprir obrigações financeiras e solicitado autorização judicial para contratar um novo financiamento emergencial, enquanto continuava trabalhando para reforçar o elenco.

Na manifestação, o Rubro-Negro defendeu que a sustentabilidade financeira dos clubes também afeta o equilíbrio esportivo das competições. Para o clube, situações de dificuldade econômica precisam ser avaliadas quando há ampliação de despesas e assunção de novas obrigações.

A iniciativa do Flamengo provocou uma reação contundente de Pedrinho. Durante o embarque da delegação vascaína para o Paraguai, o presidente do Vasco fez críticas pessoais ao dirigente rubro-negro e o chamou de "mau-caráter", "arrogante", "prepotente", "soberbo" e "hipócrita".

Pedrinho também questionou a justificativa de Bap de que suas ações seriam motivadas pela defesa do futebol brasileiro. Para o vascaíno, o presidente do Flamengo adotava outra postura quando as discussões envolviam os interesses do próprio clube, como na divisão de receitas da Libra.

A troca de declarações marcou uma escalada no conflito. A divergência, que até então estava concentrada em questões administrativas e financeiras, passou a envolver ataques diretos entre os presidentes.

Após as declarações de Pedrinho, Bap decidiu processar o presidente do Vasco na Justiça Cível. A ação pediu indenização de R$ 40 mil por danos morais e retratação pública.

O episódio acrescentou um componente judicial à crise entre os dirigentes e ampliou o desgaste institucional entre os clubes. A partir daquele momento, a relação entre Bap e Pedrinho passou a ser marcada não apenas por divergências públicas, mas também por uma disputa na Justiça.

Enquanto a discussão sobre a SAF avançava, o Maracanã passou a concentrar outra parte do conflito.

O Vasco tentou mandar no estádio partidas contra Vitória, Santa Fe e Boca Juniors, mas enfrentou negativas do consórcio administrado por Flamengo e Fluminense. Os argumentos apresentados pelos responsáveis pela gestão envolveram questões técnicas, especialmente as condições do gramado e a sequência de partidas.

No caso do confronto com o Boca Juniors, pela Sul-Americana, o Vasco recorreu à Justiça e conseguiu autorização para jogar no Maracanã.

Anteriormente, Pedrinho criticou as negativas e afirmou que o clube estava sendo levado a esgotar alternativas antes de conseguir utilizar o estádio. O dirigente também sustentou que o Vasco buscava exercer um direito previsto nos acordos relacionados à utilização do Maracanã.

A divergência envolveu ainda a validade de um documento assinado separadamente pelos clubes, que previa a realização dos confrontos entre Flamengo, Fluminense e Vasco no estádio até o fim de 2026. Flamengo e Fluminense argumentaram que o acordo não tinha validade sem a assinatura do consórcio administrador.

A operação envolvendo Marcos Lamacchia avançou em outubro. A aprovação representou um avanço no processo de venda, mas não encerrou o desgaste entre os dirigentes. O questionamento inicial de Bap, as respostas públicas de Pedrinho e a ação judicial já haviam ampliado a crise, enquanto a disputa pelo Maracanã continuava em evidência.

O confronto desta quinta-feira será disputado no Estádio Nilton Santos, com divisão de público entre as duas torcidas. A decisão de não utilizar o Maracanã ocorre em meio ao histórico recente de divergências sobre a liberação do estádio para partidas do Vasco.

A escolha do local dá um contorno concreto à crise institucional. O Maracanã é administrado por um consórcio liderado por Flamengo e Fluminense, enquanto o Vasco reivindica o direito de utilizar o estádio em determinadas partidas. A discussão sobre as condições de uso se mistura à relação deteriorada entre as diretorias.

A relação entre Bap e Pedrinho se deteriorou em etapas. Primeiro, a venda da SAF vascaína abriu uma divergência sobre possíveis conflitos de interesses e relações familiares. Depois, os questionamentos do Flamengo sobre a situação financeira do rival provocaram uma resposta contundente do presidente do Vasco e culminaram em uma ação judicial.

O Maracanã tornou-se o segundo grande eixo da crise. As negativas para partidas do Vasco, a ida à Justiça para garantir o jogo contra o Boca Juniors e a discussão sobre a validade dos acordos de utilização ampliaram o desgaste.

A escolha do Nilton Santos para o clássico desta quinta-feira acontece nesse contexto. Embora o confronto tenha sua própria importância esportiva, os bastidores acrescentam uma camada de tensão à rivalidade histórica entre Flamengo e Vasco.

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