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Por Redatores da Empire Cidades 21 de outubro de 2026 às 16:20
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O carro subiu uma rampa até ficar de cabeça para baixo, saltou, girou no ar e pousou sobre as rodas. Depois, voou por cima de uma Cybertruck, de um caminhão Semi e de outros três veículos.

Foi assim que a Tesla apresentou o novo Roadster, em 15 de outubro, numa base de testes da SpaceX no Texas (EUA). A apresentação furou a bolha do meio automotivo e foi um dos assuntos mais comentados da internet no dia seguinte — mas, passado o impacto, também vieram as dúvidas.

O carro do palco é bem diferente do prometido em 2017. Além disso, vários números ainda não foram comprovados, e o protótipo fez as manobras sem ninguém a bordo.

A produção do novo Roadster foi adiada de novo e está prevista para 2028, sem preço anunciado. Não obstante, a marca já confirmou, no 'rodapé', que a versão voadora não será permitida em vias públicas.

Por trás do espetáculo da Tesla há duas ideias antigas adaptadas. A primeira faz o carro andar de cabeça para baixo, com ventoinhas sugam o ar entre o assoalho e o chão, em uma área vedada por saias quase rentes ao piso. Com menos pressão embaixo, o carro é puxado contra a pista com até o dobro do próprio peso, mesmo parado.

A Fórmula 1 conheceu o truque em 1978, com o Brabham BT46B, aposentado após vencer sua única corrida. Funciona em pista lisa, mas, em uma rua com buracos e lombadas, manter a vedação é outra história.

A segunda ideia vem da irmã SpaceX: propulsores a gás frio, que não queimam nada e só liberam gás sob alta pressão, como um balão de festa que escapa da mão.

Eram dez bicos e 600 litros de gás, segundo Lars Moravy, vice-presidente de engenharia da Tesla. A empresa diz ter colocado tanques em todo o vão livre aproveitável do carro.

Das três versões do Roadster, só uma foi pensada sem ressalvas para rodar na rua. É a Performance, que tem dois lugares, as ventoinhas e aerofólios móveis, prometendo ir de 0 a 100 km/h em cerca de 1,8 segundo. A reserva custa US$ 50 mil.

A versão Thrust troca o porta-malas por um tanque de 200 litros e quatro propulsores traseiros, e faz a mesma arrancada em 0,9 segundo.

O efeito de propulsão dura seis segundos, enquanto reencher o tanque leva de duas a seis horas. A Tesla não diz se essa versão, com reserva de US$ 250 mil, poderá rodar na rua.

Já topo de linha Rocket, a que voa, leva os dez propulsores e um tanque extra no lugar do passageiro. Será vendida só a convidados e não está aprovada para vias públicas.

Quando teve planos revelados, em 2017, a segunda geração do Roadster buscava ser um superesportivo elétrico de longo alcance. A promessa incluía baterias de impressionantes 200 kWh e mais de 1.000 km de autonomia.

Hoje, a Tesla fala em cerca de 480 km e não revela a capacidade das células. Segundo Moravy, entretanto, a bateria grande foi abandonada porque o carro precisa ser leve.

É uma equação complexa, já que tanques e ventoinhas também pesam muito, e as ventoinhas gastam energia da mesma bateria que move as rodas.

Os propulsores de gás frio ainda levantam dúvidas entre engenheiros e analistas, pois um sistema desse tipo gera pouco empuxo por quilo de gás.

Pousar depois de um salto, sem piloto e em condições controladas, por outro lado, não prova que o carro faria o mesmo com gente dentro, sob vento, piso irregular ou falha de sensor.

A Tesla também não divulgou dados independentes, como ciclo de teste, curva de potência ou temperatura da bateria sob carga repetida. Por isso, a arrancada de 0,9 segundo e a autonomia de 480 km seguem como metas da empresa, não como resultados

Na prática, o Roadster abre mão de autonomia, espaço e conveniência — o que costuma vender um elétrico — por manobras que o dono não poderá repetir na rua. Resta saber quem será o cliente.

Enquanto isso, reguladores nunca aprovaram um carro com propulsores a gás pressurizado em vias públicas, e os tanques cheios em um veículo de passeio trazem questões de segurança em batidas e de manutenção.

Por fim, o design do carro também é outro detalhe que mudou em relação aos planos iniciais: as curvas de 2017 deram lugar a linhas retas, inspiradas, segundo a Tesla, nos aviões SR-71 e F-35. Também ficaram pelo caminho capacidades como os quatro lugares, a tração integral e a máxima acima de 400 km/h.

A estreia, prometida para 2020, foi adiada várias vezes, e a apresentação mudou de data cinco vezes desde o fim de 2025. Nesse meio-tempo, clientes que pagaram US$ 50 mil de sinal relataram dificuldade para reaver o dinheiro.

O contrato de reserva atual diz que a Tesla não garante quando o carro será entregue (nem se será), e Musk já deu seu próprio aviso, numa entrevista neste ano: "se segurança é sua prioridade número um, não compre o Roadster".

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