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Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 23 de outubro de 2026 às 11:35
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Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Imagem: Divulgação Maria Cândida, 55, entrou na menopausa aos 50 anos, mas os sintomas surgiram antes, por volta dos 47. Começou com irritabilidade, insônia, exaustão e esquecimentos. Como boa parte das mulheres, a jornalista enfrentou uma total ausência de informação para compreender o que acontecia.

O que ela nem imaginava é que aquele pesadelo misterioso de sintomas sem explicação viria a se tornar um novo projeto de vida. Desde então, escreveu livros, organizou eventos, fez documentários e colaborou para mudar a política pública —tudo visando unir mulheres que vivem esse turbilhão e diminuir a falta de informação.

Eu era uma jornalista experiente, acostumada a fazer perguntas, e não sabia interpretar as mudanças no meu próprio corpo. Só depois compreendi que aqueles sintomas faziam parte da transição para a menopausa Maria Cândida, jornalista

Havia também um histórico de saúde mental que precisava entrar nessa conta. Maria já tinha tido depressão e crises de pânico, mas ninguém relacionava esses dois fatores com a perimenopausa. Olhar para a história inteira da mulher, ela descobriu depois, é essencial para passar pela fase sem tantos sobressaltos. "Hoje, aos 55 anos, tenho muito mais informação. Penso no quanto teria sido importante receber essa orientação antes de os sintomas comprometerem tanto minha vida", conta. Foi justamente a busca por compreensão que acabou por transformar também seu trabalho.

Imagem: Divulgação Para entender o que sentia, Maria começou a falar sobre isso. A consequência foi imediata e outras mulheres trouxeram histórias muito parecidas. A jornalista começou ali a enxergar perguntas que mereciam investigação, como: por que algumas mulheres sofrem tanto? Como vivem as que não têm dinheiro para uma consulta? O que muda de uma cultura para outra? Qual é o papel do lugar onde essa mulher vive? Seu foco é a mulher que ainda não encontrou uma rede, que não tem com quem conversar ou que procura atendimento e não se sente ouvida. "Quero que ela encontre informação antes de concluir que precisa suportar tudo sozinha", ela diz.

Ela se entendeu, então, como uma criadora de conteúdo multiplataforma e empreendedora do audiovisual. "Isso significa participar da ideia, da produção, da busca por parceiros e da distribuição. Existe uma responsabilidade enorme em sustentar tudo isso", reforça. O maior aprendizado foi escutar, mas ela também descobriu o valor econômico do seu trabalho e desse público, as mulheres maduras que consomem, trabalham, sustentam famílias e tomam decisões. A demanda então virou diferentes tipos de formatos para responder a cada uma dessas necessidades.

Uma das ações foi o livro "Menopausa como Jornada", que nasceu em 2024 da própria experiência e da escuta de outras mulheres, com depoimentos, entrevistas com especialistas e informação prática para mulheres a partir dos 40 anos. Será relançado agora pela Editora Senac, com um planner voltado à fase dos 40 aos 50 anos. A ideia é ajudar a mulher a mapear o próprio corpo e registrar as mudanças que percebe. O lançamento será nesta sexta, 23 de outubro, durante o Menopausa Summit, em São Paulo.

O evento, aliás, foi criado para aproximar as perguntas das mulheres de profissionais que possam respondê-las com clareza. "Sono, emoções, peso, sexualidade, ressecamento vaginal, pele, tratamentos, trabalho e dinheiro são assuntos que surgem nas conversas e precisam de espaço. Também procuro mostrar as relações entre eles, porque a mulher vive tudo isso no mesmo corpo e na mesma rotina", ela declara. A intenção é que a mulher saia do encontro com mais compreensão sobre si, perguntas melhores para levar ao atendimento e a percepção de que suas necessidades merecem atenção.

Além disso, a série documental "Menopausa sem Fronteiras", que estreou no YouTube semana passada, leva o público até essas mulheres e seus territórios. A série global que vai percorrer todos os continentes até 2030. A primeira temporada, com seis episódios semanais, reúne histórias do Brasil, México, Colômbia, Peru e Argentina.

Claro que tudo isso demandou coragem. Tentar financiamento e oportunidades pode ser solitário. "Essa é a história de muitos empreendedores, não apenas a minha. Todo mundo quer o sucesso, mas a solidão, a apreensão e os nãos ficam com quem se dispõe a acreditar e seguir em frente, muitas vezes com o próprio dinheiro. Todo mundo só aplaude quando dá certo", reflete.

Imagem: Reprodução do Instagram/ @tadashifotografia Conexão sem fronteiras A troca com outras mulheres, entretanto, foi fundamental e cruzou fronteiras. Hoje, Maria é co-líder brasileira do Power in Menopause, um movimento global que busca ampliar a atenção à menopausa, fortalecer a pesquisa e avançar em políticas públicas e acesso ao cuidado. No exterior, também observa conquistas. Um exemplo é a mobilização da parlamentar britânica Carolyn Harris, do Partido Trabalhista. Sua atuação ajudou a viabilizar, na Inglaterra, um certificado pelo qual a mulher paga 19,80 libras por 12 meses e retira os medicamentos de terapia hormonal incluídos no programa, sempre com prescrição do sistema público de saúde. Em janeiro de 2024, mais de 500 mil mulheres já tinham se beneficiado da ação, que Cândida considera uma mudança concreta no acesso ao tratamento.

Ela também vem acompanhando a ampliação das opções não hormonais para os fogachos, como o "Elinzanetant", da Bayer, comercializado em outros países como "Lynkuet", que promete atuar em vias do cérebro envolvidas na regulação da temperatura e reduzir a frequência e a intensidade dos fogachos moderados a intensos e distúrbios do sono. A empresa informou expectativa de aprovação no Brasil entre o fim de 2026 e o início de 2027, a partir de avaliação da Anvisa. "É importante ampliar as opções porque as mulheres têm necessidades e históricos de saúde diferentes. A escolha precisa ser individual, com avaliação médica", ela frisa.

No Brasil, são cerca de 30 milhões de mulheres no climatério. A investigação da jornalista se pauta em quantas ficam sem atendimento, sem orientação e sem condições de comprar a medicação indicada.

"Hoje, pela minha apuração, em pouquíssimos postos de saúde chega apenas o estrogênio vaginal (quando chega!). Ele é importante para tratar sintomas locais, como ressecamento, ardor e dor nas relações sexuais, mas não substitui a terapia hormonal sistêmica para aliviar fogachos e suores noturnos", relata. O que deixa a jornalista indignada é que a mulher que tem indicação médica para esse tratamento, mas não o encontra na rede pública e não tem dinheiro para comprar, fica sem o cuidado de que precisa. A solução seria uma articulação mais clara entre governo federal, estados e municípios.

"Quem garante a compra? Quem distribui? Como assegurar que o tratamento tenha continuidade? A mulher precisa encontrar uma resposta quando procura o serviço de saúde", diz e continua: "Quero que o Brasil construa respostas adequadas à nossa realidade. Há mulheres que sustentam famílias, cuidam dos filhos, dos pais e continuam a trabalhar apesar de sintomas intensos. A falta de cuidado pode comprometer sua saúde, seus relacionamentos e sua renda. Precisamos fazer com que o direito à saúde se traduza em atendimento e tratamento acessíveis".

Maria Cândida também acompanhou de perto uma pesquisa sobre a pele, desenvolvida pela Avon a partir de um modelo de pele bioimpressa em 3D, que reproduz características associadas à menopausa, como perda de colágeno e ressecamento —a jornalista fez uma visita ao laboratório da empresa, que está na série Menopausa sem Fronteiras.

Contudo, segue inconformada com a desigualdade de acesso. Diferentemente dela, muitas mulheres não têm espaço ou dinheiro para estudar e participar de congressos.

"É por isso que minha atuação também chegou às políticas públicas. A menopausa pode afetar o sono, os relacionamentos, a carreira e o dinheiro de uma mulher. Se ela é arrimo de família, as consequências podem atingir toda a casa. A discussão precisa avançar para atendimento, acesso ao tratamento quando indicado e condições para que essa mulher continue a trabalhar e viver com dignidade", completa.

"Essa experiência me fez olhar com mais atenção para a mulher no ambiente de trabalho. Uma mudança de desempenho precisa ser compreendida. Às vezes, existe sofrimento e falta de cuidado por trás dela."

Maria garante que não pensa em desistir, mas, sim, se cansa. "Procuro fazer mais pausas, viajar e dar um tempo para a minha cabeça. Conheço bem a dificuldade de criar projetos quando o mercado ainda não reconhece o valor de uma ideia. Já investi recursos próprios, enfrentei dificuldades financeiras e precisei reconstruir meu caminho profissional. Tenho uma visão muito concreta do esforço necessário para tirar um projeto do papel", desabafa.

No caso da menopausa, a escuta das mulheres dá sentido ao trabalho. Segundo ela, as perguntas existem, as necessidades existem e há muitas histórias que merecem ser contadas. O desafio é conseguir estrutura, financiamento e distribuição para fazer esse conteúdo chegar às pessoas.

Os sintomas da menopausa, inspiração do projeto, podiam afetar justamente as ferramentas que ela usava para colocar tudo isso em pé, como a energia, concentração, memória e disposição para lidar com as pessoas. "Para quem entrevista, apresenta e precisa organizar o pensamento com rapidez, um esquecimento pode causar muita insegurança", confessa.

Insônia e a exaustão também pesavam porque era uma agenda intensa, mas o corpo não acompanhava e a irritabilidade podia interferir nas relações profissionais e pessoais. Nos dias difíceis, ela descobriu que precisava avaliar o que realmente exigia presença e energia naquele momento. Nem toda tarefa, ela diz, tem a mesma urgência, e foi preciso considerar o tempo de recuperação entre compromissos. "Falar de longevidade também exige pensar em como organizamos a vida hoje".

Em sua rotina, tem procurado manter as caminhadas e a musculação, além do acompanhamento médico. Por saber o quanto interferem no restante da vida, dá muita atenção ao sono e à saúde mental.

Quero estimular a mulher a observar o próprio corpo, levar suas queixas a sério e procurar cuidado. Ela não precisa aceitar como inevitável um sofrimento que compromete sua vida

Ao falar de sintomas, de saúde mental ou de vida íntima, Maria se expõe. Isso envolve assuntos delicados, mas tem a finalidade de ajudar alguém a reconhecer uma situação, procurar informação ou se sentir mais à vontade para pedir ajuda."Não tenho vergonha de nada. Ao falar publicamente, considero a utilidade daquela informação para quem me acompanha. Se uma experiência minha pode ajudar outra mulher a reconhecer um sintoma ou formular uma pergunta na consulta, existe um sentido em compartilhá-la. Uma mulher conhecida também pode ter dúvidas, dificuldades e precisar de cuidado. Mostrar isso aproxima a conversa da vida real", ela diz, sabendo que o julgamento faz parte do ambiente público, especialmente quando mulheres falam de corpo, sexualidade e envelhecimento. "Quero contribuir para que esses assuntos possam ser tratados com naturalidade e respeito", diz.

Imagem: Reprodução do Facebook Além de conversar com muita gente sobre o assunto, Maria decidiu fazer pós-graduação em gerontologia para ampliar seu olhar para o envelhecimento. "Passei a conectar ainda mais a menopausa com o curso de vida, a autonomia e as condições sociais de cada mulher", ela diz.

A formação também reforçou sua responsabilidade na comunicação de saúde ao traduzir a informação para o público. "Espero que meu trabalho ajude as mulheres a compreender o próprio corpo e preservar espaço na vida profissional, nas relações e nas decisões sobre o futuro. Também quero provocar empresas, serviços de saúde e políticas públicas a considerar essas necessidades", finaliza.

Mulheres maduras precisam aparecer em sua diversidade. Com cabelos brancos ou pintados, diferentes corpos, estilos e escolhas. Quero que tenham mais autonomia para decidir como se apresentar ao mundo, com menos pressão para corresponder a um único padrão

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